quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Lápis, Vida, Verso e Prosa




O menino acordou cedo. Estava feliz. Eram suas férias escolares e, por isso, ele estava passando uma temporada com sua avó.
Ouviu um ruído que vinha da sala. Em disparada, dirigiu-se para lá, confiante de que encontraria a avó.

Ela estava sentada à mesa. Uma música leve e reconfortante ao fundo, uma xícara de café esfumaçante à sua frente e, em suas mãos, lápis e papel. Atenta, escrevia.

Vovó, você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? É uma história sobre mim? Questionou o curioso menino.

Estou escrevendo sobre você, é verdade. Respondeu, sorrindo, a avó. 

Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou utilizando.

O lápis, vovó? Mas por quê?

Porque eu gostaria que você fosse como ele quando crescesse.

O menino olhou demoradamente para o lápis, como que buscando uma característica especial que o diferenciasse dos outros tantos que ele já havia visto.

Mas ele é igual a todos os lápis que já vi em minha vida!

Tudo depende do modo como você olha para as coisas, respondeu a avó, tomando-o ao colo. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir perceber, imitar e manter ao longo de sua vida, será sempre uma pessoa feliz e em paz.

Quais são essas qualidades, vovó?

Assim como o lápis, você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer jamais que há sempre uma mão a lhe guiar os passos. Essa mão é Deus. É Ele quem nos conduz e guia, do esboço à arte final.

De vez em quando, o lápis precisa ser apontado. Isso faz com que ele sofra um pouco mas, ao final, está muito melhor do que antes. Assim, nós também precisamos saber suportar a dor, pois é ela quem nos molda e nos torna mais sábios.

O lápis permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que escrevemos errado. De igual forma devemos agir, humildemente, permitindo que nossos erros sejam corrigidos, a fim de nos mantermos retos no caminho da justiça.

A sábia senhora fez uma ligeira pausa para tomar um gole de café, quando o neto indagou: E quais são as duas últimas qualidades, vovó?

Deslizando seus dedos pelos cabelos do neto, a avó prosseguiu: O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas sim o grafite, que deve ser preciso. Isso nos diz que devemos valorizar nossa essência.

Finalmente, meu filho, o lápis sempre deixa uma marca. Da mesma forma, tudo o que fazemos na vida deixa traços. Portanto, devemos tomar consciência de cada escolha que fazemos em nossa jornada, pois, sem dúvidas, ela trará consequências e deixará marcas.

E, entregando o lápis nas mãos do neto, a avó concluiu: Seja como um lápis, meu filho, e você escreverá uma história de vida próspera e feliz.

*   *   *

Guiados pelas mãos Divinas, estamos constantemente a escrever nas páginas do livro da vida: família, fé, trabalho, caridade, humildade, paciência, resignação, amor... São palavras que não podem faltar em nossos versos e prosas.

A cada nova frase, mais nos autoconhecemos. Nas palavras do poeta Fernando Pessoa: Quando escrevo, visito-me solenemente.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sabedoria de Jesus




Era a noite de quinta-feira. Logo mais, Jesus seria preso, julgado às pressas, supliciado e condenado à morte. O que faz Ele, nessas catorze - dezoito horas antes de morrer? Ele se reúne com os Apóstolos e ceia 
com eles.

Com certeza, terá feito inúmeras refeições com eles, ao longo dos Seus três anos de messianato.

No entanto, essa é diferente. Ele sabe que vai morrer. É extraordinário observar o comportamento dEle. Ninguém conseguiria manter seu apetite intacto sabendo que dentro de algumas horas iria sofrer intensamente e morrer.

Possivelmente, o comum dos homens entraria em choro e desespero. Quando se está na proximidade de sofrer um grande trauma, o tempo não passa, cada minuto é uma eternidade.

Todavia, Jesus Se reuniu com Seus discípulos para tomar a Sua última refeição. O chão ruía aos Seus pés, mas Ele permanecia inabalável.
Comeu o pão, o cordeiro pascal. Seus inimigos O conduziriam por longas sessões de torturas, mas a impressão que se tem é que Ele não tinha inimigos.

De fato, para Ele não havia inimigos. Ele só sabia fazer amigos, não Se deixava perturbar pelas provocações que Lhe faziam. Não Se deixava abater pelas ofensas e agressividades que O rodeavam.

Era seguro e livre no território da emoção. O mundo à Sua volta podia conspirar contra Ele. Ainda assim, Ele transitava como se nada estivesse acontecendo.

Por isso, Se alimentou na noite anterior à Sua morte, não Se deixando abater antes da hora.

O Carpinteiro de Nazaré teria motivos para ficar abatido. Seu corpo seria sulcado com açoites e pregado num madeiro. Todavia, Sua emoção se embriaga de uma serenidade arrebatadora.

Não Se deixa perturbar e discursa sobre Sua missão e sobre o modo como seria cortado da Terra dos viventes.

Ele fala de forma espontânea sobre a morte. Estava absolutamente certo de que a venceria. Para Ele, a morte não significava o nada, a perda irrecuperável da consciência, mas abriria as portas da eternidade.

E assim, mais do que comer e realizar Seu longo discurso de despedida, consolando os amigos por Sua ausência física, Ele canta com eles.

A canção era alegre, e conhecida de todos. Um hino, diz o Evangelista 
Mateus.

O Mestre de Nazaré era um excelente gerente da Sua inteligência. Ele administrava com extrema habilidade Seus pensamentos e emoções.

Não sofria por antecipação, embora tivesse todos os motivos para pensar no drama que, em algumas horas, se iniciaria no Jardim das Oliveiras.

Jesus era tranquilo e sereno. Sua emoção era tão rica que Ele teve a coragem de dizer que Ele mesmo era uma fonte de prazer, de água viva, para matar a sede da alma.

A sabedoria e a poesia habitavam intensamente na alma de Jesus e com elas inaugurou uma nova forma de viver e de se relacionar.

*   *   *

Jesus é apontado pelos Mensageiros Celestes, na obra O Livro dos Espíritos, como nosso Modelo e Guia.

Do nascimento à morte Ele passou pelas mais amargas situações de sofrimentos. Entretanto, irradiava alegria e tranquilidade.

Sem violência, causou a maior revolução da História. As sementes que plantou germinaram na mente, no coração e no espírito dos homens e incendiaram o mundo.

A Sua é a mensagem da esperança que, ao observar a queda da última folha do inverno, consegue visualizar as flores da primavera.


Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Assemelhar-se às Crianças




Apresentaram a Jesus então umas criancinhas, a fim de que ele as tocasse. E como seus discípulos repelissem com palavras rudes aqueles que as apresentavam, Jesus vendo isso repreendeu-os e lhes disse:

“Deixai vir a mim as criancinhas, não as impeçais; poiso reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.

Eu vos digo, em verdade, que todo aquele que não receber o reino de 

Deus como uma criança, nele não entrará.”

E tendo-as abraçado, abençoou-as impondo-lhes as mãos.

*   *  *

A passagem narrada por Marcos no seu Evangelho é de profunda beleza, e apresenta um dos pontos altos da lição do Cristo.

Por que Jesus promete o reino dos céus para aqueles que se assemelharem a criancinhas?

Não identificava Ele, ali, naqueles corpos infantis, Espíritos reencarnados, voltando ao palco terrestre com seus desafios, suas mazelas, suas lutas, assim como qualquer outro ser?

Obviamente que sim. Então, o que Jesus quis dizer com isso?

O Mestre educador falava do ser criança em si, do período da infância, dessa época em que todos somos cândidos, humildes e moldáveis.

Ele falava da pureza dos pequenos, que ainda não tiveram tempo de se submeter aos vícios, que ainda não aprenderam a malícia nem a complexidade exagerada do comportamento adulto.

Simplicidade. A vida da criança é simples, e Jesus estava ali exaltando a simplicidade na vida como mola propulsora para nos lançar a esse estado íntimo de felicidade, de reino dos céus no coração.

A criança se contenta com tão pouco... Valoriza as pequenas coisas, não tem vaidades, não é dissimulada e nem preconceituosa.

Assemelhar-se às crianças é também enxergar o mundo com alegria, com deslumbramento, sem ressalvas, sem mágoas...

É ser mais leve. Sim, as crianças pesam muito menos do que os adultos.

É ser mais leve nas atitudes, nas preocupações, no apego excessivo às coisas.

A ideia de criança de Jesus é o oposto da ideia de velho, não no sentido de idoso, mas daquele que não modifica suas opiniões, que não altera seu comportamento, que não cede por nada neste mundo.

Velho é quem se deixou amargar pelo caminho. Criança é quem respira alegria e dá novas chances a si mesmo e aos outros todos os dias.

*   *   *

Minha vista cansada... Meu cenho triste...

Colhi pela calçada, raio de sol que persiste

Saudade da criança que um dia fui,

Vontade, ânsia, de um rio que não mais flui.

Haverá como retornar?

É possível ser menino e voltar a despertar?

Abro a porta do futuro e encontro o rosto lindo de meu filho.

Deus o fez parecer comigo para que nunca esquecesse de meu menino eterno.

Quero ser menino contigo, meu filho! Menino que quer aprender, que quer escutar, que quer se deslumbrar todos os dias.

Quero ser menino contigo e viajar pela Terra mais uma vez, como se fosse a primeira, pois as crianças sempre assistem o que gostam diversas vezes, com a alegria e a emoção da primeira vez.


Redação do Momento Espírita

domingo, 19 de outubro de 2014

Sonhar



Ele era um jovem que morava no Centro-Oeste dos Estados Unidos. Por ser filho de um domador de cavalos, tinha uma vida quase nômade, mas desejava estudar. Perseguia o ideal da cultura.

Dormia nas estrebarias, trabalhava os animais fogosos e, nos intervalos, à noite, procurava a escola para iluminar a sua inteligência.

Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu à classe que cada aluno relatasse o seu sonho. O que desejariam para suas vidas.

O jovem, tomado de entusiasmo, escreveu sete páginas.

Desejava, no futuro, possuir uma área de oitenta hectares e morar numa enorme casa de quatrocentos metros quadrados. Desejava ter uma família muito bem constituída. Tão entusiasmado estava, que não somente descreveu, mas desenhou como ele sonhava a casa, as cocheiras, os currais, o pomar. Tudo nos mínimos detalhes.

Quando entregou o seu trabalho, ficou esperando, ansioso, as palavras de elogio do seu mestre.

Contudo, três dias depois, o trabalho lhe foi devolvido com uma nota sofrível.

Depois da aula, o professor o procurou e falou: O seu é um sonho absurdo. Imagine, você é filho de um domador de cavalos. Você será um simples domador de cavalos. Escreva uma outra realidade e eu lhe darei uma nota melhor.

O jovem foi para casa muito triste e contou ao pai o que havia acontecido. Depois de ouvi-lo, com calma, o pai lhe afirmou:

O sonho é seu. Você faça o que quiser. Essa decisão é sua. Persistir neste sonho ou procurar outro.

O jovem meditou e, no dia seguinte, entregou a mesma página ao professor. Disse-lhe que ficaria com a nota ruim mas não abandonaria o seu sonho.


*   *   *

Esta história foi contada pelo dono de um rancho de oitenta hectares, próximo de um colégio famoso dos Estados Unidos.

O local é emprestado para crianças pobres passarem os fins de semana.

Depois de terminar a história, o dono do rancho se apresentou como o jovem que teve a nota ruim, mas não desistiu do seu sonho.

E o mais incrível é que aquele professor, trinta anos depois, tem visitado, com os seus alunos, aquela área especial.

Naturalmente, ele identificou no proprietário o antigo aluno e confessou: Fico feliz que o seu sonho tenha escapado da minha inveja. 

Naquela época eu era um atormentado. Tinha inveja das pessoas sonhadoras. Destruí muitas vidas. Roubei o sonho de muitos jovens idealistas. Graças a Deus, não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantas pessoas.

*   *   *

Sonhar é da natureza humana. Tudo o que existe no mundo, um dia foi elaborado, pensado e meditado por alguém, antes de ser concretizado em cimento, mármore, madeira ou papel.

Martin Luther King Jr. teve um sonho de paz entre negros e brancos. Pelo seu sonho, deu a vida.

Mahatma Gandhi teve um sonho de não violência. Deu a vida por seu sonho.

Se você tem capacidade de sonhar o bem, persista na ideia e a concretize. Podem ser necessários anos para que se realize um sonho, mas, o que são alguns anos diante da eternidade que aguarda o Espírito imortal?


Redação do Momento Espírita

sábado, 18 de outubro de 2014

Anúncios de Primavera





Quando florescem os ipês em minha cidade, sei que a geada não tornará a se manifestar nesta estação invernosa.

Os ipês floridos, derramando seu amarelo na grama verde, em fantasias nacionais, são anúncios da primavera, que se prepara para reinar, por noventa dias.

São como batedores que vêm à frente, verificando as veredas e embelezando as estradas, as ruas, as avenidas e as praças.

Recordamos que, há cerca de dois mil anos, um homem se ergueu na 
Palestina, andando pelos caminhos, alertando as populações.

Semelhante aos ipês, Ele anunciava a nova estação que estava prestes a encher de flores de esperança o mundo. O Seu era o anúncio da primavera da renovação.

Preparai os caminhos do Senhor...

Depois de mim, virá aquele do qual não sou digno de desatar as sandálias.

Eu sou a voz que clama no deserto... no deserto dos corações humanos.

E o Batista trazia as sementes fartas de profecias anunciadas há séculos.

O rei se encontrava entre os homens. E escolheu o palco da natureza para entoar sua canção de amor. Compôs poemas e somente os corações de boa vontade registraram seus versos, na intimidade do próprio ser.

Mas os versos ficaram ecoando, levados pelos ventos, repetidos pelas montanhas, acolhidos entre as paredes generosas dos que aderiam ao convite. Convite do amor. Convite para amar.

Era o auge da primavera. O Governador planetário viera para estar com os Seus.

Estou entre vós como quem serve. Eu sou o bom pastor.

Nenhuma das ovelhas que o pai me confiou se perderá. O pastor dá a sua pela vida das suas ovelhas.

Crede em Deus. Crede também em mim.

Versos recitados na montanha, no vale, nas estradas. E dedilhados no alaúde do lago de Genesaré.

Primavera celestial. Jamais igualada.

*   *   *

Nos dias que vivemos, novos anúncios se fazem. A era da regeneração se aproxima e a pouco e pouco se instala.

Os arautos se multiplicam. A genialidade retorna ao palco do mundo e as crianças declamam, versejam, compõem sinfonias e executam peças magistrais, em evocações da sublimidade celeste.

Gênios avançam estudos nas ciências, sonhando com viagens interplanetárias, em mensagem de vera fraternidade.

E outros se debruçam sobre lâminas, livros, em laboratórios, academias, institutos, em investigações que objetivam a cura de males que afligem seus irmãos, o diminuir das dores.

Outros mais empreendem campanhas em prol dos que nada ou quase nada têm. As suas preocupações não são os folguedos da infância, mas sim o bem-estar de outras tantas crianças, amigos próximos ou desconhecidos distantes.

Primícias de primavera. Primavera nos corações. Primavera de um mundo novo, regenerado. Um mundo em que o homem abandonará as armas que aniquilam e abraçará a lira, a ciência, a arte, o amor.

Um mundo que já se faz presente. Como os ipês que bordam arabescos pelo chão, que enchem os olhos e afirmam: A primavera se aproxima!

Pensemos nisso e deixemo-nos penetrar pelo hálito primaveril do mundo novo.

Redação do Momento Espírita