sexta-feira, 27 de março de 2015

Nossa Cultura




Atravessamos na Terra, fase de dificuldades sem conta, nas áreas de cultura geral.
Desconhece-se a estrutura da própria linguagem que se fala. Usam-se gírias ou expressões chulas que denunciam a pobreza dos falantes relativamente à formação cultural.
Ignoram-se os fatos históricos que envolvem a sociedade em que se vive.
Espalham-se infames zombarias, inventam-se lendas sem beleza e sem sentido, refletindo a pouca madureza social.
Não se cogita de penetrar as razões desse ou daquele monumento, sentindo-se, tantos, impulsionados pelo instinto destruidor e vândalo, que, incapazes de compreender, por descaso, preferem pichar, destroçar ou poluir de modo drástico, o que encontram pela frente.
O gosto pelas Bibliotecas, pelas salas de arte, por Museus, por Teatros e pela literatura excelente de todos os tempos, tudo tem ficado na retaguarda das preferências.
Os desportos nobres e educativos ainda contam com poucos adeptos.
Temos, ao revés, um quadro enorme dos que procuram os exercícios desportivos excitantes e violentos, que pouco ou nada acrescentam no âmbito das conquistas do Espírito.
Encontram-se, com maior frequência, muitos que se ajustam a espetáculos pornográficos, do palco ou da tela, em franco deboche à sensibilizante arte.

*   *   *

Diante de tudo isso, precisamos com urgência de educação e de boas referências.
O bom gosto se forma pela contemplação do excelente e não do sofrível, dizia Goethe, compreendendo com perfeição a construção do aprendizado na alma humana.
Cabe aos pais e aos educadores mostrarem o excelente, preencher os educandos de boas referências desde cedo, se desejarem desenvolver neles uma cultura rica e útil.
As crianças, os jovens, precisam estar mergulhados num caldo cultural que favoreça o desenvolvimento de uma massa crítica, que proporcione a contemplação do belo, que os ensine a pensar e a sentir.
As grandes mídias estão repletas de um verdadeiro lixo cultural, se podemos chamar assim, porque nós, a grande maioria, consumimos isso.
Aliás, a palavra consumo é uma das preferidas nos tempos atuais, inclusive invadindo áreas em que não há como se conjugar o verbo consumir, na essência, pois o que não é material, o que não é tangível, não se consome.
Na verdadeira arte nada se consome. A artese contempla, se admira. Ela alimenta a todos quando é instrumento do belo e do bem e nunca se acaba, pois o que se consome, se finda.
Podemos consumir um CD, um arquivo de MP3, mas nunca uma bela música.
É tempo de retirar as cascas e máscaras que criamos através de nossos vícios morais, e nos permitir enxergar tudo como realmente é.
O que verdadeiramente importa para mim, Espírito? Não sou um consumidor, sou um Espírito imortal, que voltei à Terra para crescer moral e intelectualmente.
Voltei para aprender com quem já esteve aqui, com a História do meu povo, com os grandes, com os missionários, com aqueles que deram a vida para que hoje tivesse o conforto de que desfruto.
Voltei para me tornar mais sábio, não o sábio de Biblioteca apenas, mas o que tem condições de aplicar em sua vida tudo aquilo que aprende, que faz de seu conhecimento uma mola propulsora para que possa amar mais e melhor.

Cultura e amor. Eis o que precisamos com urgência.



Redação do Momento Espírita

terça-feira, 24 de março de 2015

Indagações


Admite você a sua capacidade de errar a fim de aprender ou, acaso, se julga infalível?
Se estamos positivamente ao lado do bem, que estamos aguardando para cooperar em benefício dos outros?
Nas horas de crise você se coloca no lugar da pessoa em dificuldade?
E se a criatura enganada pela sombra fosse um de nós?
Se você diz que não perdoa a quem lhe ofende, porventura crê que amanhã não precisará do perdão de alguém?
Você está ajudando a extinguir os males do caminho ou está agravando esses males com atitudes ou palavras inoportunas?
Irritação ou amargura, algum dia, terão rendido paz ou felicidade para você?
Que mais lhe atrai na convivência com o próximo: a carranca negativa ou o sorriso de animação?
Que importa o julgamento menos feliz dos outros a seu respeito, se você traz a consciência tranquila?
É possível que determinados companheiros nos incomodem presentemente, no entanto, será que temos vivido, até agora, sem incomodar a ninguém?
Você acredita que alguém pode achar a felicidade admitindo-se infeliz?
*   *   *
Por vezes, as distrações do mundo material e as tendências ancestrais que trazemos, ainda nos fazem esquecer das razões que nos trouxeram para a Terra mais uma vez.
Sim, mais uma vez... É bom se acostumar com esta ideia, uma vez que a reencarnação é uma das Leis Divinas, acreditemos nela ou não.
A Lei que nos dá diversas chances, que divide o aprendizado em fases, que apresenta a evolução como uma grande escalada rumo ao Alto.
O materialismo ainda tão presente nos faz esquecer as questões da vida espiritual, a vida verdadeira, por isso que indagações que nos façam pensar sobre questões graves da vida, são sempre muito oportunas.
É necessário refletir diariamente sobre o que queremos para nossa vida realmente.
É necessário pensar diariamente sobre o Universo e suas leis perfeitas, colocando-nos no lugar certo, na hora certa, ao lado das pessoas que precisam de nós.
Olhemos ao nosso redor: tudo está onde deveria estar. E nós? Como estamos? Conseguimos perceber isso? Conseguimos extrair disso forças para enfrentar os desafios? Conseguimos entender que tudo é um grande processo de aprendizado?
Não somos um acidente de percurso, como pode até nos ter sido dito, mencionando uma possível gravidez inesperada.
Somos um Espírito encarnado, que vem num processo de diversos retornos à carne, sendo cada um deles devidamente planejado, devidamente acompanhado, e que tem como objetivo final a nossa perfeição e a felicidade que a segue.
Assim, não gastemosnosso tempo com futilidades. Não nos afastemos dos caminhos que nos levam adiante. Não abdiquemos das oportunidades que a vida nos dá para entender melhor as questões importantes para nosso desenvolvimento.
Pensemos antes de agir. Repensemos antes de reagir. Peçamos ajuda antes de tomar decisões importantes.
Indaguemo-nos. Autoconheçamo-nos. Não aceitemos verdades sem antes uma análise minuciosa.
As respostas sempre virão para os que realmente estamos interessados em nos melhorarmos; para os que não pensamos apenas em nós mesmos, egoisticamente; para aqueles que vivemos o amor e queremos aprender mais sobre ele.


Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 20 de março de 2015

Acima de tudo, Pai





A ciência nos permite penetrar as profundezas do infinito. Lançamos nosso olhar ao espaço e, de imediato, as centenas de pontos brilhantes que vemos, nos encantam.
No entanto, graças a potentes telescópios, vimos descobrindo milhares de mundos, lançando suas esplêndidas harmonias nos celestes campos da imensidão.
Diante desses horizontes, abertos à investigação humana, maravilhados,concebemos o Criador de todas as coisas, tão acima de nós que só um esforço da razão pode fazer que O entendamos.
A ordem, a grandeza, a majestade reinam por toda a parte. Tudo demonstra a bondade, a justiça dAaquele de quem todos os esplendores são apenas pálido reflexo.
E, se lançarmos nosso olhar para o próprio globo em que nos movemos, constataremos o emocionante quadro da vida estuante, em que Deus se revela.
As estações seguem seu curso, os corpos se combinam, a vida circula sobre o planeta, juntando e desagregando as moléculas, segundo leis que se cumprem maravilhosamente.
Na natureza tudo é harmonia. Tudo vibra, em acordes harmônicos, em condições determinadas por uma Inteligência.
Inteligência suprema, uma força eficiente.
É Deus que paira acima da Criação, que a envolve com Seus fluidos, que a penetra por Sua razão.
É por Ele que os universos se formam, que as massas celestes apresentam seus esplendores deslumbrantes, nas imensidões do infinito.
É por ele que os planetas gravitam nos espaços, em torno dos focos luminosos, formando brilhantes auréolas de sóis.
É Deus a vida eterna, imensa, indefinível, o Começo e o Fim, o Alfa e o Ômega.
É Ele que, no abismo dos tempos, quis que o universo existisse e a poeira cósmica entrou em movimento.
É por Sua vontade que as admiráveis leis da matéria desenvolvem no infinito as combinações maravilhosas que produzem quanto existe.
É Sua razão sem limites que ordenou tudo fosse feito em vista de um efeito inteligente.
É Sua justiça que traçou em caracteres indeléveis as leis de fraternidade e solidariedade que se fazem sentir entre os homens e os mundos.
É Sua bondade inefável que deu ao homem, incessantemente, o meio de conseguir a felicidade.
*   *   *
Deus! Ainda existem os que Lhe pretendem negar a existência. Ainda há os que pensam que o acaso poderia ter feito tudo o que existe, de forma tão perfeita, tão justa.
Contudo, Ele está em tudo e em todos. Mesmo que afirmem que Ele não existe, Sua ação se faz constante e precisa.
Acima e além de tudo, dispensa o Seu amor sem cessar.
Ele rega as plantas com a chuva delicada, alimenta as fontes e os rios, providencia o orvalho generoso.
Tempera a água dos mares, acaricia as ondas e as levanta, com majestade, fazendo-as uivar nos rochedos e cantar mansamente nas praias.
Atende a singela flor do campo, balança os ramos do salgueiro e aveluda as pétalas das rosas.
Todos os dias. A cada dia. E, enxuga as lágrimas dos Seus filhos, envia mãos generosas para os sustentar na jornada, a ninguém esquece.
Se é o Criador de tudo, é igualmente o Pai amoroso e bom, sempre presente.
Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita

sábado, 14 de março de 2015

Sua vida religiosa



Como tem sido sua vida religiosa?
Tem você mantido as aparências graciosas da fé, enquanto alimenta azedumes, invejas, mágoas e rapina no coração, ou tem se esforçado por ser, intimamente, o que Deus espera de você?
Vida religiosa nada tem a ver com as atitudes artificiais ou piegas por muitos adotadas.
Ela se vai concretizando, em verdade, quando passamos a compreender que a religião verdadeira não passa obrigatoriamente pelas aparências de fora, mas sempre será uma realidade vibrante no íntimo dos seres.
Manter contato mais próximo com Deus, com Cristo ou com os prepostos da Luz Divina, pela capacidade de transformar velhas inclinações perturbadoras em novas posturas de trabalho renovador, por dentro e por fora de nós, isso sim é a base para a realização religiosa.
A sua vida religiosa precisa ter o aroma das reais virtudes, que crescem aos poucos, mas que não estão ausentes da vivência dos religiosos verdadeiros.
Nas lutas e renúncias de Gandhi, vemos sua vida religiosa ativa, laboriosae útil.
Nas pelejas e renúncias de Lincoln, achamos sua vida religiosa corajosa, desafiadora e útil.
Nos esforços e renúncias de madre Teresa, encontramos os sinais inquestionáveis da sua vida religiosa dedicada, transformadora e útil.
Se, na condição de pessoa religiosa, os seus atos não forem enobrecidos e úteis a ninguém, tenha a certeza de que eles são vazios e sem qualquer valor para a vida interior.
Pense e repense acerca da sua vida religiosa.
Transforme-se para o bem o quanto possa.
Desenvolva-se no amor o quanto puder, porque somente assim a sua atuação na esfera religiosa espalhará a luz do Cristo e o fará realmente feliz.

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Em O livro dos Espíritos, Allan Kardec faz um questionamento fundamental, no que diz respeito à diversidade de doutrinas e crenças.
Todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da verdade. Como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?
A resposta dos Espíritos é bela e profunda:
Será aquela que produza mais homens de bem e menos hipócritas, ou seja, pela prática da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplicação mais abrangente.
Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, pois toda doutrina que semear a desunião e estabelecer uma demarcação entre os filhos de Deus só pode ser falsa e nociva.
Notemos dois detalhes: o primeiro, associando a religiosidade à prática, à transformação moral do indivíduo, senão de nada ela lhe serve.
O segundo, deixando claro que não precisamos de umaque se sobreponha às demais. Basta que ela conduza ao bem, que ligue os homens ao Criador, e ela terá cumprido sua função primordial.
Não há mais porque escolher uma entre várias, ou tentar dizer que esta é melhor do que aquela, senão voltaremos a cair nos problemas que geramos, ao longo dos tempos, segregando pessoas por crença, cor, raça.
Cada doutrina atende a um tipo de necessidade, a um tipo de alma, num determinado estágio evolutivo, e sempre terá seu valor, desde que mantenha seu compromisso com o amor e a caridade.
Não há apenas um caminho. O amor e o bem têm diversas vias, podem estar pintados de cores diferentes, mas sempre serão o amor e o bem.


Redação do Momento Espírita

quarta-feira, 11 de março de 2015

O Livro Caindo N´alma



Oh! Bendito o que semeia
Livros... Livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!

O livro caindo n´alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.

*   *   *

Como anda nossa leitura?
O que andamos lendo? Que conteúdos permitimos que adentrem a casa nobre de nossa alma?
É de entendimento geral que ainda lemos pouco em nosso país, porém, o mais grave não está na quantidade, mas sim na qualidade de nossa leitura.
De nada adianta estarmos lendo um, dois, três livros por mês, mas de conteúdos fracos, apelativos e tolos. Livros que não nos fazem pensar, refletir sobre questões importantes do existir.
Vemos pessoas colocando como meta de ano novo ler mais. É louvável, porém, vale o cuidado com o que estamos lendo.
Da mesma forma que devemos cuidar dos alimentos que ingerimos, procurando qualidade nos ingredientes e uma nutrição adequada, devemos cuidar dos alimentos da mente.
E a leitura é um deles.
Não basta ler muito. Faz-se necessário ler bem.
A leitura não pode ser mera distração, mero passatempo.
Tudo que lemos precisa ter uma finalidade importante para nós, seja na área profissional, familiar ou pessoal.
Culto não é aquele que lê muito, mas aquele que sabe o que ler, que conhece as boas obras, que as estuda em profundidade, que é capaz de as interpretar, de descobrir o sentido profundo das palavras.
Uma poesia não é apenas um jogo de rimas. Vejamos a beleza do pequeno trecho de Castro Alves:
O livro caindo n´alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.
Os bons livros deixam algo em nós, deixam sementes, deixam referências, vocabulário, história...
As obras da moda apenas satisfazem nossa vã curiosidade, nada mais. Puro entretenimento.
Os clássicos marcam uma época, fazem-nos viajar por terras que nunca visitamos, conhecendo personagens que só existem ali, nas linhas e nas ideias daquele autor.
Procuremos bons livros. Procuremos bons autores.
Não nos enganemos pelas capas, pelos apelos de propaganda, ou mesmo pela forma com que foram escritos.
Existem autores de todos os níveis tanto no mundo físico, como no mundo espiritual. Assim, não bastará que uma obra venha assinada por determinado Espírito, para que sua boa qualidade esteja garantida.
A boa leitura é uma higiene mental.
Pelo menos uma vez ao dia, nos presenteemos com palavras de estímulo, de encorajamento e motivação.
Ao nos prepararmos para dormir, ou no início da manhã, leiamos uma página, uma breve mensagem que nos inundará de paz e tranquilidade para que possamos enfrentar os desafios da vida com melhores recursos.
Nossos pensamentos quase sempre estão em frequências negativas, pessimistas, rancorosas e materialistas.
Quando lemos com atenção uma página elevada, nossa alma se renova; uma brisa nova percorre todo nosso Espírito, nos convidando a melhorar, a suportar, a seguir adiante.
Precisamos ler mais... E ler melhor...


Redação do Momento Espírita