quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Pelos Frutos


Nem pelo tamanho.
Nem pela configuração.
Nem pelas ramagens.
Nem pela imponência da copa.
 
Nem pelos rebentos verdes.
Nem pelas pontas ressequidas.
Nem pelo aspecto brilhante.
Nem pela apresentação desagradável.
 
Nem pela antiguidade do tronco.
Nem pela fragilidade das folhas.
Nem pela casca rústica ou delicada.
Nem pelas flores perfumadas ou sem perfume.
 
Nem pelo aroma atraente.
Nem pelo odor repulsivo.
Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, pela utilidade, pela produção.
*   *   *
Assim também nosso Espírito em plena jornada...
Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.
"Pelos frutos os conhecereis." — Disse o Mestre.
"Pelas nossas ações seremos conhecidos.” — Repetiremos nós.
*   *   *
Que frutos você tem produzido em seu viver?
O que significa produzir frutos?
Produzir um fruto significa criar alimento para outros, significa deixar um legado moral pelos caminhos, significa construir uma obra que o tempo não consome.
A dedicação de bons pais produz bons frutos sempre, senão agora, na presente existência, pois nem sempre os filhos sabem apreciá-los, mais tarde, quando colhidos e saboreados.
Chegará um dia em que os filhos recordarão dos frutos da educação, dos bons exemplos, das renúncias e do trabalho incansável ofertados em abundância pelos pais amados.
Dividir nosso conhecimento com os outros é também frutificar.
Por que reter conosco o que pode ajudar tanta gente? Competição? Desejo de se mostrar melhor?
Mas será que ainda não entendemos que só seremos melhores quando trouxermos os que estão em nosso entorno para junto de nós? O Mestre Jesus já nos ensinou essa prática de muitas formas diferentes.
Nossos exemplos de boa conduta dão bons frutos. As pessoas precisam de referências ricas para poderem construir seu comportamento maduro.
Num primeiro momento, a conduta reta incomoda os que ainda não a conseguem manter. Os que se mantêm firmes são motivo de chacota, recebem apelidos tolos, engraçados.
Porém, o fruto ali está, na ponta do galho, disponível para quem quiser saborear, no momento em que desejar. A referência fica, incomoda, e um dia dispara o desejo de mudar.
Por isso as árvores dos bons frutos precisam ter paciência, pois nem todos sabem apreciá-las ainda...
Uma das maiores alegrias da existência será a de, ao entardecer dos anos, podermos olhar para trás, e percebermos quantos bons frutos pudemos deixar.
Descobrir que não usamos a vida apenas para nos alimentar e para nossa simples subsistência, mas que fomos capazes de alimentar os outros aplicandonisso nossas energias.
Essa é a vida da boa árvore. A vida das ações.
Produzamos bons frutos. Deixemos um legado de amor no mundo.
 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido
Xavier

domingo, 23 de novembro de 2014

A Exata Conjugação do Verbo Amar


Eles permaneceram casados por sessenta e dois anos. Um casamento complicado.
Ele era alcoolatra. Gostava de cantar e sempre tinha uma brincadeira, na ponta da língua, que divertia os amigos e conhecidos.
Era uma pessoa maravilhosa para todos, menos para a esposa. Batia nela, até a filha de oito anos começar a se impor e impedir as agressões.
Um dia, ele vendeu a casa onde moravam. Sumiu por uns tempos e, quando retornou, sem nenhum centavo, avisou que a casa deveria ser desocupada em vinte e quatro horas porque o novo proprietário viria tomar posse.
A esposa passou frio porque quase não tinha agasalho. Passou fome pois deixava de comer para que os filhos se alimentassem.
Sofreu traições porque ele, homem bonito, se permitia aventuras. Ameaçava-a de morte e dormia com um punhal embaixo do travesseiro.
Com tanto sofrimento, natural que, no transcorrer dos anos, o tempo a abraçasse com alguns problemas como insônia e depressão.
Os que a conheciam a amavam porque ela ria, brincava, semeando ao seu redor a alegria, que ela mesma não podia fruir.
Portadora de uma grande fé, espalhava o bem para as pessoas, fossem crianças ou adultos.
Perante os doentes, ela ia passando a mão, com delicadeza, na cabeça, nas mãos, enquanto orava com fervor.
Logo, eles afirmavam se sentir bem.
Certa feita, indo a uma consulta e narrando seu drama conjugal, a médica indagou:
Qual seu sentimento para com seu marido? A senhora o ama?
A filha, que a acompanhava, teve certeza de que ela responderia negativamente. A resposta que veio, depois de pensar uns segundos, foi surpreendente:
Como homem, não o amo. Como filho necessitado, sim!
A filha chegou às lágrimas ao reconhecer, uma vez mais, a grandeza daquela mulher.
Certo dia, aquele homem que gozara de tantos prazeres, teve um acidente vascular cerebral e foi hospitalizado. Os filhos se revezaram à sua cabeceira, no seu atendimento.
Mas a senhora também foi ao hospital. Ele estava entubado, incomunicável. Somente os aparelhos bipando, de forma regular, atestavam a sua estabilidade orgânica.
Ela chegou e tomou a mão dele entre as suas. E começou a falar.
Os aparelhos, de imediato, registraram a alteração dos batimentos cardíacos, que dispararam para mais de cem por minuto, a respiração acelerou.
Tudo isso dizia da consciência da presença dela ali. Ela falou das suas limitações como esposa, das suas dificuldades.
E lhe pediu perdão por tudo e de tudo. Depois, disse que ele poderia partir em paz porque ela o perdoava.
Interessante que ela não enumerou nenhuma das deficiências dele. Ao contrário, falou somente das próprias dificuldades.
Naturalmente não enalteceu virtudes que ele não possuía, mas de nada o acusou.
Depois, o convidou a orar com ela. Quando concluiu suas longas preces, deu-lhe um beijo na testa e desejou que ele ficasse com Deus.
Ela saiu. Poucas horas depois, ele partiu.
*   *   *
Pessoas assim existem muitas, neste imenso mundo de Deus. Anônimas.
Deixam lições inesquecíveis aos filhos, aos familiares, aos amigos, a quem goza a ventura de sua convivência.
Pessoas assim sabem, com certeza absoluta, a exata conjugação do verbo amar.
 

Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Rastros


Os que estudam a fauna e nesse estudo se esmeram, sabem reconhecer, identificar os animais pelos rastros que deixam em sua passagem: as pegadas, os dejetos, as construções ou a destruição.
Os homens, igualmente, por onde passam, deixam suas marcas.
Há os que realizam, felizes, viagens turísticas e vão marcando o caminho com o que não mais necessitam ou de que se serviram: latas, papéis, cascas de frutas. Tudo jogado pela janela do carro ou deixado na areia, no campo ou na montanha.
Itens que vão assinalando a sua passagem. Parece que, quais os meninos que temiam não encontrar o caminho de volta para casa, necessitam deixar marcas precisas pelo caminho, a fim de poderem retornar, em outro momento.
Quem segue atrás de pessoas que assim se portam, logo reconhece que aquelas não primam pela educação e que não se importam com mais ninguém que consigo mesmas.
São pessoas que vivem no mundo como se somente elas existissem, que não atentam para o bem-estar alheio, com o dia seguinte, com o local em que vivem.
São essas mesmas que não se preocupam em colaborar com a coleta seletiva do lixo, que não economizam água mesmo em épocas de crise de abastecimento.
Para essas, o fato de pagar pelo consumo lhes dá o direito de usufruir sem limites, sem pensarem se o que desperdiçam, fará falta a outras comunidades.
São criaturas que não têm consciência de que a Terra é um único e grande lar de uma só Humanidade. Pessoas que não pensam no amanhã, que não se preocupam com a sustentabilidade do planeta, com o mundo do futuro.
Mas existe um outro tipo de marcas que, igualmente, deixamos no mundo.
São as marcas morais. Não são visíveis senão para os que têm olhos de ver, os que veem o seu entorno e com ele se importam.
Essas marcas são determinadas pelo comportamento, a conduta.
Cada um de nós, onde se situe, impregna, com suas vibrações, o local. Por isso mesmo, alguns somos muito benquistos, outros, nem tanto.
Alguns somos prestativos, simpáticos, de tal forma que nossa ausência é sentida, por mínima que seja. É percebida a falta do nosso sorriso, da nossa graça, do nosso bom humor. E nos recordam, rememorando procederes e ações que nos caracterizam.
Assim, se desejamos marcar nosso caminho com pegadas luminosas, comecemos hoje o exercício da gentileza.
Um sorriso, um por favor, obrigado, podem ser o início. E nos tornemos mais prestativos, solidários, amigos.
Francisco de Assis deixou impregnada de vibrações positivas a Porciúncula. Até hoje, quem a visite, se aquieta espontaneamente, sentindo bem-estar.
A nós cabe a decisão de registrar nossa passagem com as coisas positivas ou negativas.
 
*   *   *
 
Deixemos nossas marcas de bondade nas alheias vidas para que, mesmo após nossa partida da Terra, elas prossigam apontando caminhos de segurança, iluminando a estrada.
Um gesto de bondade poderá estimular a muitos.
Nossa palavra afetuosa poderá sustentar quem se encontra abraçado ao desânimo.
Nossa fortaleza moral poderá se constituir em apoio a quem está prestes a soçobrar.
Hoje, enquanto aqui estamos, marquemos de forma indelével nossa passagem.
Amanhã, os que percorrerem as mesmas veredas, encontrarão pontos luminosos de esperança, otimismo, bem-estar.
Pensemos nisso desde hoje, desde agora.
 

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Qual é a sua causa?


Uma revista traz estampada em sua capa uma questão direta e provocante: Qual é a sua causa?
Logo abaixo da pergunta tema da matéria principal, um pequeno texto explicativo:
Todo mundo pode fazer a diferença. E nem precisa mudar o mundo. As maiores lutas estão no dia a dia.
No corpo do periódico, o texto da matéria começa declarando:
Doar sangue, cabelo, alegria ou tempo. Resgatar a autoestima, um animal, um sonho ou uma vida. Conheça histórias de pessoas que descobriram diferentes razões para viver e uma mesma felicidade – a de ajudar.
Logo em seguida, lemos diversos relatos de pessoas e suas causas nobres. Algumas muito singelas, mas todas extremamente importantes.
Uma mulher deixou o cabelo crescer e depois doou para pacientes em tratamento quimioterápico.
Um homem liderou o projeto de tombamento do bairro onde nasceu e cresceu.
Mulheres que, para defender a causa do parto humanizado tornaram-se doulas, ou seja, mulheres que dão suporte físico e emocional a parturientes.
Um adolescente acompanha a mãe numa atividade de contar histórias, brincar e conversar com crianças carentes, filhos de dependentes químicos.
E muitos outros vão surgindo, desenhando suas belas causas, produzindo como que uma pintura indescritível que só o bem é capaz de retratar.
Talvez possamos nos perguntar: Será que todos nós precisamos ter alguma causa? Não é suficiente apenas viver bem, amar, cuidar da família, respeitar o próximo?
Para um grande número de pessoas, possivelmente sim, mas não sentimos dentro de nós uma vontade de fazer algo mais? Um vazio que, por vezes, nos desanima e não sabemos o que é?
Se já somos suficientemente esclarecidos, se já conhecemos a mensagem do Cristo, se já entendemos os propósitos da vida, da encarnação, do planeta, será que não podemos fazer algo mais do que vimos fazendo?
Não precisa ser nada grandioso, como afirma o próprio texto da reportagem. Pode ser algo em nossa comunidade, algo que faça de nós um agente de união, de civilidade, de bom senso.
O mundo precisa de líderes bons, que façam mais do que falem.
Estamos cansados dos que falam, prometem, têm bela oratória e não honram seus dizeres.
Queremos o silêncio das boas ações.
Assim, trazemos este suave convite: abracemos uma causa qualquer. Aquela com a qual mais nos identifiquemos.
Entreguemo-nos a algo sem interesse próprio, doando nosso tempo, nossa energia, e descubramos o quanto isso pode fazer bem aos outros e a nós mesmos.
O gesto de levantarmos uma bandeira para defendermos uma causa em que acreditamos, verdadeiramente, nos enche de vitalidade, o coração bate diferente e nos inunda com saúde.
Defender uma causa é dizer não à indiferença que teima em querer nos tornar zumbis da modernidade, repletos de informação, repletos de conhecimento, mas pobres no sentir.
Importemo-nos com algo. Importemo-nos com nosso próximo. Importemo-nos.
Qual é a sua causa?
 
Redação do Momento Espírita

domingo, 16 de novembro de 2014

Um Bom Sentimento no Coração


Dois meninos caminhavam ao longo de uma estrada, que se estendia através de um campo.
À beira do caminho viram um casaco velho e um par de sapatos surrados.
Ao longe vislumbraram o dono que trabalhava naquele campo.
O rapaz mais novo sugeriu que eles escondessem os sapatos, se escondessem eles mesmos, e ficassem ali observando a expressão de surpresa do dono, quando retornasse.
O menino mais velho achou que isso não seria tão bom.
Ele disse que, pelo aspecto da roupa e dos sapatos, o dono deveria ser um homem muito pobre.
Então, depois de falarem sobre o assunto, por sua sugestão, concluíram que tentariam outra experiência: ao invés de esconder os sapatos, iriam colocar uma moeda de prata em cada um, e observar o que o dono faria quando descobrisse o dinheiro.
E foi o que fizeram.
Logo, o homem regressou do local onde trabalhava, colocou seu casaco, calçou um pé em um sapato, sentiu algo duro, levou-o para fora e encontrou um dólar de prata.
Maravilha e surpresa brilharam em seu rosto.
Ele olhou para a moeda uma vez e outra vez, virou-se e não conseguiu ver ninguém ali por perto.
Em seguida, calçou o outro sapato.
Para seu grande espanto, encontrou outra moeda de prata.
Ele começou a chorar, ali, sentado sobre o campo.
Em seguida ajoelhou-se, e ofereceu em voz alta uma oração de agradecimento, na qual falou de sua esposa que estava doente e sem esperança, e sobre seus filhos, indefesos, sem comida.
Fervorosamente, agradeceu a Deus por essa graça, vinda de mãos desconhecidas, e evocou as bênçãos dos céus sobre aqueles que lhe deram a ajuda de que precisava.
Os meninos permaneceram escondidos até ele ir embora. Haviam presenciado toda a cena.
Eles tinham sido tocados por sua oração, e sentiram um calor dentro de seus corações.
Enquanto saíam a pé pela estrada, disse um ao outro: Então, realmente, você não tem um bom sentimento no coração?
*   *   *
Haverá dia em que todos nós, sem exceção, entenderemos porque há apenas um caminho, o caminho do bem.
Haverá dia em que apenas esse tipo de felicidade interior irá nos saciar, em que não mais buscaremos preencher os vazios da alma de outras formas.
Haverá dia em que compreenderemos Jesus e Sua mensagem maior, resumida no amor, simplesmente no amor: a Deus, ao próximo e a nós mesmos.
Enquanto esse dia não chega cabe-nos realizar as pequenas conquistas, dar os primeiros passos, viver as primeiras felicidades autênticas possíveis na Terra.
Percebamos em nosso coração o sentimento que predomina quando podemos ser úteis a alguém, quando, de alguma forma, significamos algo na vida de outra pessoa.
Analisemos esse sentimento, tentemos compreender de onde ele vem, tentemos compreender de onde vem a alegria de ouvir um Você é muito importante para mim.
O amor já está na Terra há muito tempo. Não é segredo para ninguém. Não é propriedade dos sábios, dos doutos. Ele está aí, esperando por mim, esperando por você, esperando por nós.


Redação do Momento Espírita