sábado, 29 de agosto de 2015

Alcançando Metas




Conta-se que, quando o benfeitor espiritual Emmanuel se apresentou a Francisco Cândido Xavier, propondo-lhe as linhas gerais do trabalho que juntos haveriam de empreender, lhe disse que ele tinha a incumbência de escrever, mediunicamente, trinta livros.
Quando a marca foi alcançada, Chico reportou-se ao Espírito amigo, dizendo-lhe que estava feliz por ter cumprido a meta. A resposta foi de que agora teria início uma segunda etapa, de mais trinta livros.
Em janeiro de 1959, os sessenta livros estavam publicados. Chico se preparava para mudar de residência para outra cidade e, com alegria, constatou que cumprira o estabelecido.
Então, o benfeitor espiritual explicou, com paciência: Você perguntou se a nossa tarefa estava completa. Quero informar que os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também estar disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros.
Chico entendeu, naquele momento, que deveria produzir e produzir, até o final de sua vida.
Pela sua abençoada faculdade mediúnica, vieram a lume mais de quatro centenas de obras. Dessas, em torno de cento e dez somente de autoria do Espírito Emmanuel.
Interessante a forma como o benfeitor foi estabelecendo metas menores, objetivando alcançar uma meta maior.
Não lhe disse, logo de início, a enorme quantidade de livros que deveria produzir. Isso poderia, eventualmente, ter assustado o jovem médium.
Seguindo mais ou menos essa linha, uma terapeuta, depois de ler um artigo científico de psicólogos americanos, a respeito dos benefícios da gratidão, propôs um desafio para si mesma: ficar durante vinte e um dias sem reclamar de coisa alguma.
Seria um período ininterrupto de gratidão. Todos os dias ela exercitaria o sentimento. Todas as noites, antes de dormir, dedicaria alguns momentos para refletir como tinha sido o seu dia, o que havia acontecido para se sentir grata.
E, mesmo que os acontecimentos não tivessem sucedido exatamente como ela havia planejado ou quisesse, evitaria reclamar. Somente agradeceria.
Os dias foram passando. A experiência conferindo-lhe bons resultados e um grande bem-estar.
Vencida essa etapa, ela se propôs uma meta de cem dias de gratidão que, alcançados, evoluíram para trezentos.
Ambos os exemplos atestam que, quando desejamos alcançar um propósito elevado que, eventualmente, nos possa atemorizar pela grandiosidade, se estabelecermos metas menores a serem alcançadas em períodos não muito longos, obteremos êxito.
O alpinista que deseja vencer a montanha imponente, em sua altura, começa por estabelecer quantos metros subirá por dia.
O alcoolista, no anseio da sua libertação, estipula: Somente hoje não beberei.
Amanhã, repetirá a questão e, sucessivamente, até a libertação total do vício.
Tudo é assim na vida. Viver é vencer cada hora, cada dia, cada semana, cada mês.
Um ano é uma etapa vencida. Cada aniversário é a comemoração da vitória de se ter vivido mais trezentos e sessenta e cinco dias.
Pensemos nisso e não temamos investir o pouco no muito. A caminhada começa com o primeiro passo.



                                                                      Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lutando Pelos Próprios Direitos




No dia 12 de março de 1930, Mahatma Gandhi e vários discípulos iniciaram uma marcha, em protesto à proibição, pelos britânicos, da extração de sal na Índia Colonial e à imposição de comprar os produtos industrializados do Reino Unido.
A marcha, que ficou conhecida como Marcha do sal ou Satyagraha do sal iniciou no mosteiro Sabarmati Ahsram e terminou na pequena aldeia de Dandi.
A comitiva parava de cidade em cidade para descansar, conseguindo assim mais simpatizantes, ao longo da caminhada de quase quatrocentos quilômetros.
Vinte e cinco dias depois, após o banho, ritual sagrado para os hindus, Gandhi apanhou um punhado de sal à beira-mar. Simbolicamente, seu gesto foi imitado pelos milhares de indianos ali presentes.
Em resposta, os britânicos prenderam mais de cinquenta mil indianos, entre eles, o próprio Gandhi.
Se o intuito era acabar com o protesto, de nada adiantou. A marcha continuou, mesmo sem o líder, em direção às salinas ao norte de Bombaim.
Estavam de tal forma impregnados pela atitude de Gandhi que prosseguiram, desejosos de verem exitosa a campanha a que estavam afervorados.
Aproximaram-se em silêncio dos depósitos de sal, guardados por quatrocentos policiais, que investiram contra eles com cassetetes.
Os que protestavam foram tombando, sem esboçar nenhum gesto de defesa. Cada coluna que avançava, era igualmente abatida.
Extraordinário exemplo de líder foi Gandhi. Um fenômeno humano de incrível força cósmica. Sua grandeza e sua coragem pessoal ainda não foram devidamente medidas e compreendidas.
A seu respeito, afirmou outro gênio do século XX: Talvez as gerações futuras dificilmente acreditarão que alguém como ele, em carne e osso, tenha caminhado, um dia, sobre a Terra.
O grande líder demonstrou como é possível equilibrar oração e ação. Vida material e vida espiritual. Ele conseguiu ser dinamicamente passivo e passivamente dinâmico.
A mensagem de sua vida indicou-nos o caminho para nossa própria plenitude.
É um modelo. Ele compreendeu e experimentou, com maior clareza que qualquer outro líder de nosso tempo, que a libertação é um processo que começa na interiorização do homem.
E que alcança sua plenitude e forma explícita no comportamento social e político.
A não violência, como estratégia de libertação, definiu a opção de Gandhi como uma alternativa política que corre inseparavelmente ao encontro de uma ética fundamental da vida.
É um processo de conscientização que propõe ao homem captar a realidade de sua força interior e usá-la para abrir os canais de solidariedade ativa.
Como temos necessidade de líderes e seguidores dessa ordem!
Invistamos em nós mesmos para que a não-violência ativa se converta na praxis de movimento popular, para benefício de todos.
Recordemos o exemplo de Gandhi. Seu testemunho vivenciado é um sinal de esperança e compromisso na renovação e na construção de um mundo mais justo, mais feliz e mais humano.
Em síntese, o mundo do Terceiro Milênio. O mundo pelo qual todos ansiamos.
Trabalhemos para isso.


                                                                      Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Ouvir Deus




São muitos os que recorremos a Deus nas horas difíceis.
As dores que nos chegam, os desafios que a vida propõe, dificuldades que parecem intransponíveis.
Nenhum de nós se pode dizer imune a dias tempestuosos, isento de tribulações intensas, dessas capazes de tirar o chão que pisamos.
Para uns, é o amor que partiu de retorno ao mundo espiritual, deixando imensa e pungente ausência.
Para outros, a doença que se instala irreversível, minando a saúde, desmoronando planos futuros, obrigando a repensar as páginas próximas da vida.
E tantos que se desesperam pelas dificuldades financeiras, pelo emprego que não surge, pelas necessidades materiais que se avolumam.
Nessas horas, com o coração transbordando de desespero, as esperanças minguando e a mente atribulada, recordamos de buscar a Deus.
Alguns, através das orações repetidas incessantemente, quase como um mantra, convidando e provocando a concentração.
Outros nos despimos das fórmulas prontas, para fazer da oração a conversa com o Pai. Diálogo informal, livre, como um desabafo.
Outros ainda, mal conseguindo formular ou organizar o pensamento, apenas suplicamos ao Pai orientação, discernimento, roteiro ou rumo.
E assim mesmo devemos fazer. Nas dificuldades maiores, não há melhor refúgio do que a oração.
Não existe melhor conselheira do que a prece, não há melhor possibilidade do que a busca de inspiração junto ao Pai.
Porém, em nosso desespero, esperamos a resposta imediata.
À prece, muitas vezes se segue a ansiedade, na expectativa de que as respostas cheguem, explícitas, claras, palpáveis.
No transbordar de nossas necessidades, quando não desespero, ansiamos pela resposta rápida da Divindade.
Esquecemos de que Deus precisa do nosso silêncio a fim de Se fazer ouvir em nossos corações.
Dessa forma, após a rogativa ao Pai, guardemo-nos em silêncio interior.
Refugiemo-nos da balbúrdia externa. Busquemos diminuir o tumulto interno que carregamos.
Somente assim, no silêncio da alma, conseguiremos escutar a resposta de Deus.
Somente quando mergulharmos em nosso mundo íntimo, teremos a possibilidade de encontrar esse alimento básico, sustentador da vida, que provém de Deus.
Após as nossas preces, busquemos nos guardar em nosso mundo íntimo.
Refugiemo-nos na fé, na certeza de que o Pai nos oferecerá o melhor, no momento certo, na medida adequada.
E ali, em nossa intimidade, Deus nos trará as respostas e a tranquilidade para nossos anseios.
Mesmo Jesus, na Sua pureza incomparável, buscava o silêncio interior, após a jornada estafante junto à turba, a fim de reencontrar-Se com Deus.
Façamos o mesmo. Busquemos o silêncio íntimo a fim de que possamos ouvir Deus, e possamos entender a Sua resposta aos nossos pedidos e necessidades.


                                                                      Redação do Momento Espírita

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O Garoto das Meias Vermelhas




Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito. Na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram por que ele só usava meias vermelhas. Ele falou, com simplicidade: No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo.
Colocou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei. Comecei a chorar. Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas. Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas, saberia que o filho era dela.
Ora, disseram os garotos, mas você não está num circo. Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés, talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou: É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso, eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar e me levará com ela.

*   *   *

Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi. Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique, em meio à multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios, enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros, nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno dos amores, ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.
Têm sede de carinho e fome de afeto. Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas. Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas, aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas. Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita, do aniversário, da festividade especial.
Aguardam...
São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa, andam pelas ruas, sempre à espera de que alguém que partiu, retorne.
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu, nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa, um dia, e esperam o retorno.
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.

*   *   *

O amor, sem dúvida, é lei da vida. Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro.
E nem pode aquilatar da qualidade das reações que virão daqueles que emurchecem aos poucos, na dor da afeição incompreendida.
Todos devemos respeito uns aos outros. Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa, pensemos se este não é o momento de recompor o que se encontra destroçado, trabalhando a terra do nosso coração.
Pensemos nisso!

                                                            
                                                                      Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Em Busca de Sentido




Ele tinha um consultório de neurologia e psiquiatria em Viena. Então, os nazistas invadiram a Áustria em 1938.
Como diretor do departamento de neurologia do Rothschild Hospital, com risco da própria vida, decidiu sabotar as ordens que recebera de proceder à eutanásia dos doentes mentais sob seus cuidados.
Aprisionado, em setembro de 1942, foi enviado ao Gueto de Theresienstadt, na cidade de Terezin, onde seu pai viria a morrer por exaustão.
Tornando-se o prisioneiro número cento e dezenove mil, cento e quatro, Viktor Frankl vivenciou o horror dos campos de concentração de Auschwitz, Kaufering e Türkheim.
O manuscrito do livro que escrevera e trazia, como seu tesouro, lhe foi tomado e destruído. Um grande projeto, um trabalho ao qual se dedicara, simplesmente desprezado e destroçado.
Ao chegar ao barracão que lhe fora destinado, em Auschwitz, ele comentou que perdera de vista seu amigo porque ele fora selecionado para a outra fila.
Quem lhe estava ao lado, ciente da cruel realidade, lhe apontou a janela e, indicando a fumaça que saía das chaminés de outro enorme barracão, lhe disse:
Você pode vê-lo ali!
E seu calvário estava apenas começando. Até ser libertado a 27 de abril de 1945, pelas tropas norte-americanas, ele padeceu as mais difíceis situações.
Cavou túneis, trabalhou em escavações e construções de ferrovias. Sofreu a terrível saudade dos familiares, a dureza da ausência total de notícias.
A esposa, aos vinte e quatro anos, morreu em Auschwitz. Fato do qual ele tomaria conhecimento ao chegar a Viena, ao final da guerra.
Da família, afinal, somente sobreviveu a irmã Stella, que fugira para a Austrália.
Pois esse psiquiatra vienense escreveu, em apenas nove dias, o seu mais extraordinário livro: Em busca de sentido.
É o relato autobiográfico do que padeceu ele e do que presenciou os companheiros de infortúnio sofrerem.
Na descrição sincera, trágica de suas dores, ele faz a análise psicológica de prisioneiros e de carcereiros, na qual, necessariamente, não são bons os primeiros e maus os segundos.
Utilizou qualquer tempo de que dispunha para a observação minuciosa do comportamento, das reações do ser humano frente à adversidade.
É um exemplo vivo de que, mesmo sob condições terríveis, o ser humano pode se adaptar e sobreviver.
E é exatamente nesse sofrimento atroz que ele encontra sua tese central sobre o sentido da vida e a psicologia humana.
É ali que ele sedimenta as ideias sobre a Logoterapia, considerada a terceira escola vienense de psicoterapia.
A vida é sofrimento, e sobreviver é encontrar sentido na dor.
Quando todos os objetivos da vida estão desfeitos, ao homem somente resta uma liberdade: a capacidade de escolher a atitude pessoal que assumirá diante das circunstâncias que o envolvem.
Viktor Frankl escolheu sobreviver. Mas, não somente isso: exemplificou a capacidade humana de se erguer acima do seu destino, por mais adverso que seja, literalmente, dar a volta por cima, e construir uma vida digna e honrada.
Mais ainda: uma vida que dê significado e contribua a benefício de outras vidas.
Miremo-nos no seu exemplo.

Redação do Momento Espírita