terça-feira, 3 de março de 2015

Crer em Deus





Alguns de nós cremos em Deus, por simples atavismo religioso. Assim nos ensinaram nossos pais. Deus existe e tudo criou.
Outros cremos porque a razão nos diz que não pode haver tanta harmonia, beleza e sincronia em todo o universo, sem algo ou alguém que a tudo presida.
O professor Cressie Morrisson afirma que ele crê em Deus por vários motivos. Um deles é o equilíbrio que existe no ecossistema.
Diz ele: Sabemos que os insetos respiram através de tubos. Na medida em que os insetos crescem, os tubos não crescem, o que faz com que eles morram, por falta de ar.
Assim acontece com a cigarra. Ela não morre de cantar, mesmo porque o barulho que identificamos como seu canto, se trata do ruído que ela produz atritando as patas. Quando ela cresce, os tubos não lhe dão o ar necessário e ela morre.
Se os insetos crescessem e, com eles, crescessem os tubos, poderíamos ter formigas do tamanho de elefantes e pulgas com corpos de rinocerontes, tornando impossível a vida, na face da Terra.
E, continua o professor, alguém pensou em elaborada lei para manter o equilíbrio na natureza. Uma lei que funcionou bem na Austrália, há alguns anos.
Naquele país, os ventos impediam a agricultura e teve-se a ideia de criar sebes, para proteger a semeadura nascente. Assim, passaram a cultivar uma espécie de cacto.
Logo, por não terem inimigo natural, eles ocupavam uma área maior do que o território do império britânico.
Usaram todos os métodos possíveis e nada acabava com os cactos, que continuavam a proliferar, sem medida. Os ventos carregavam o pólen.
Reuniram-se os entomologistas na capital australiana e chegaram à conclusão de que deveriam procurar um inseto que se alimentasse de cactos e que fosse excelente reprodutor.
O pequeno animal foi descoberto no Nordeste brasileiro e exportado, em quantidade, para a Austrália.
Pouco depois, os entomologistas novamente se preocuparam. Os cactos estavam desaparecendo. Mas, e os besouros? Não se tornariam uma praga no país?
Foi aí que a sábia lei do equilíbrio entrou em ação, estabelecendo cactos para besouros e besouros para cactos.
Por isso, diz Cressie Morrisson, eu creio em Deus.
David, no capítulo XVIII dos Salmos canta: Os céus proclamam a glória de Deus e o universo fala da obra das Suas mãos.
E o telescópio Hubble nos permite ver até um bilhão de estrelas, apenas na nossa galáxia. Cada qual com seu brilho especial.
Nosso sol, uma estrela de quinta grandeza, avança pelo infinito, com seus planetas, em uma jornada interminável, pelo universo.
Ante tanta grandeza, não se pode senão crer nesse Deus, sábio, inteligência suprema, que tudo criou, estabelecendo leis perfeitas, que zelam pela harmonia e beleza de todo o universo.

*   *   *

Um pai humano, mesmo que destituído de sentimentos superiores, providencia o pão, o agasalho, o medicamento, o socorro para o filho, planejando-lhe a felicidade.
O Pai Celestial, muito mais sábio e generoso, brinda todos os tesouros imagináveis aos Seus filhos.
Na Sua magnanimidade, enche de luzes o espaço infinito e, com a mesma grandeza, veste a singela flor do campo das cores mais suaves aos tons mais vibrantes.


Redação do Momento Espírita

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Montanha e a planície


O que devo dizer sobre Seu discurso? Talvez algo sobre Sua pessoa conferir poder a Suas palavras e embalar aqueles que O ouviram.
Pois Ele era gracioso, e o brilho do diaencontrava-se em Seu semblante.
Ele contava uma história ou narrava uma parábola, e o conteúdo de Suas histórias e parábolas nunca fora ouvido na Síria.
Ele parecia tecê-las com o sabor das estações, como o tempo tece os anos e as gerações.
Ele começava uma história assim: “O lavrador encaminhou-se ao campo para plantar suas sementes.”
Ou: “Havia um homem muito rico que possuía diversos vinhedos.”
Ou: “Um pastor contou suas ovelhas ao cair da noite e descobriu que faltava uma.”
E essas palavras conduziam Seus ouvintes ao ser mais simples dentro de si e aos mais remotos de seus dias.
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No coração, somos todos lavradores e todos amamos os vinhedos. E, nos pastos de nossa memória, há um pastor e um rebanho e a ovelha perdida.
E há a relha do arado e a prensa do lagar e a eira.
Ele conhecia a fonte de nosso ser mais remoto e o persistente fio do qual somos tecidos.
Os oradores gregos e os romanos falavam para seus ouvintes da vida como ela parecia à mente. O Nazareno falava de um anseio que se alojava no coração.
Eles viam a vida com olhos apenas um pouco mais claros do que os vossos ou os meus. Ele via a vida à luz de Deus.
Costumo pensar que Ele falava às multidões como uma montanha falaria à planície.
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Jesus é a montanha e todos nós, Espíritos em evolução, somos a imensa planície terrestre.
Dentre nós, temos aqueles que, ainda de cabeça baixa ao longo das eras, nem vislumbramos a cordilheira exuberante.
Outros, que já a encontramos no horizonte, permanecemos em estado de contemplação constante e distante.
A montanha não existe apenas para ser contemplada pela gigantesca planície, ela está lá para ensinar a planície a alcançar as nuvens.
E finalmente, temos aqueles que desejam ser montanha e trabalham para isso. Não se queixam por não estarem no Alto como o Mestre, e extraem dEle o estímulo e o exemplo para continuar.
Fomos criados planície, mas nosso destino final é ser montanha.
Alguns já somos pequenos montes, serras discretas, seguindo, contudo, o caminho certo rumo ao Alto. Não o alto das nuvens ou do céu, simbólicos, mas ao alto da evolução, do amor completo na alma.
Sigamos a montanha Jesus, não como meros contempladores inertes, mas como imitadores ativos, perguntando:O que Ele faria nesta situação? Qual o caminho que Ele apontaria? O que a Montanha tem a me dizer neste momento?
E tenhamos certeza de que a Montanha, observando a planície, com muito amor e carinho, estenderá Seus braços desvelados para nos ajudar sempre que precisarmos dela.
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Costumo pensar que Ele falava às multidões como uma montanha falaria à planície.


Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A escolha acertada


Foi durante a guerra civil chinesa, que sucedeu ao conflito mundial da Segunda Guerra.
Wong e sua esposa Lee, com as quatro filhas, tinham urgência em sair da China, rumo a Hong Kong. Ele era um ilustre professor procurado pelas forças que oprimiam o país.
Enquanto ele tentava conseguir um meio de transporte que, a muito dinheiro, os pudesse levar para o campo, à casa de um tio, onde se poderiam ocultar, tentando salvar as próprias vidas, Lee tentava acalmar as pequenas.
Ela precisava cuidar da bagagem, porque não eram poucos os que se aproveitavam para saquear os incautos. As crianças, assustadas, em meio à movimentação intensa, choramingavam, agarradas às suas vestes.
Num tempo que pareceu eterno, o marido chegou com um jinriquixá, uma espécie de carrinho, puxado por um homem. Enquanto ele providenciava a acomodação das malas, embrulhos e valises no pequeno transporte, um outro se aproximou.
Vislumbrando a chance de um bom dinheiro, ofereceu-se para levar a família ao seu destino por um valor menor.
O professor Wong, homem prático, aceitou. Porém, a esposa disse que não era correto dispensar o homem que antes fora contratado. Afinal, ele perdera seu tempo, andara até ali puxando seu veículo e merecia respeito.
Falou de forma tão incisiva que o marido aceitou suas ponderações e lá se foram, no transporte mais caro.
Quase ao final da viagem, um impasse. O tio de Wong morava do outro lado do canal, e o condutor do jinriquixá não ousou atravessá-lo.
O casal dividiu a bagagem entre si e as pequerruchas e venceram a pé a ponte.
Chegando à casa do tio, se acomodaram, alimentaram as filhas e as deitaram. Duas horas se haviam passado. Então, Lee se deu conta de que faltava uma mala.
Exatamente aquela em que havia escondido todo o dinheiro que haviam conseguido juntar, antes da fuga.
E agora? Pôs-se a chorar, abraçada ao marido.
Como continuar a fuga? Como dar continuidade à vida, sem nada a não ser as roupas e quatro bocas famintas para alimentar?
Alguém bateu à porta. Todos se olharam temerosos. Seriam andarilhos salteadores? Talvez guerrilheiros que lhes haviam descoberto a fuga?
O tio, procurando demonstrar uma calma que longe estava de sentir, abriu a porta. A punição por acolher fugitivos era a morte.
E ali estava o condutor... com a mala. Ao ver que fora esquecida em seu transporte fizera um longo trajeto de volta, ousara atravessar a ponte, somente para entregar a uma família fugitiva a mala, com o seu conteúdo intacto.
Todos ficaram parados, sem reação, pelo inusitado do momento. Um gesto de honestidade em meio à confusão que vivia o país e onde muitos somente pensavam em tomar dos outros, à força, o que pudessem.
Lee ajoelhou-se e agradeceu a Deus, que lhe havia inspirado fazer a viagem com aquele homem, apesar do preço mais elevado.
*   *   *
A gratidão e a honestidade se revelam nos corações bem formados.
Mesmo em meio ao caos, o homem guarda na intimidade valores reais dos quais lança mão, em momentos precisos.
Por vezes, um simples gesto pode redundar em muitas bênçãos. Como o de Lee, em manter a fidelidade ao contrato verbal acertado com um desconhecido, em meio à angústia e quase pavor, que alcançou ressonância em outro coração, quiçá, tão perseguido e maltratado como o dela mesma.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O Visitante Mais Ilustre

O que fazemos quando é anunciada a visita de alguém importante em nosso país: um líder político, religioso, uma sumidade da ciência, um artista?
Todos se preparam: a mídia televisiva, falada e impressa destaca seus melhores repórteres, fotógrafos, redatores para a cobertura total. As autoridades do país agendam a data prevista, e recebem com todas as honras o ilustre visitante.
Oferecem presentes, levam a lugares históricos, discursam, entre outras coisas, enaltecendo a figura, sua obra.
O povo se prepara para a recepção no aeroporto, fica aguardando a passagem da comitiva pelas ruas, portando bandeiras, flores ou simplesmente acenando, tudo numa demonstração inconteste do quanto aquela pessoa está sendo bem-vinda ao país.
E, enquanto se prolongue a sua estadia, ficam a postos a mídia e o povo, nas imediações de onde ele se hospeda, à espera de um aceno, de uma saída à sacada, da oportunidade de uma foto, um aperto de mão.
São dias agitados. E, quando o visitante retorna ao seu país de origem, todos os que conseguiram fotos, um aperto de mão, uma lembrança qualquer jogada por ele, em alguma oportunidade, mostram aos amigos, postam nas redes sociais. É uma conquista, uma alegria que será recordada muitas e muitas vezes.
Que será contada e recontada porque a pessoa se sente honrada por ter estado próxima, naquele momento do discurso, da passagem, de uma bênção... Será mostrada, ano após ano: Eu estive com ele. Eu participei da festa. Eu ouvi o seu discurso, ao vivo. Ele acenou para mim.
Lembranças...
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Em dias distantes, numa terra convulsionada, uma noite foi de especial grandeza.
As estrelas brilharam com maior intensidade e, em algum momento, uma grande paz pairou sobre todo o planeta.
Um astro surgiu nos céus, diferente, maior e de brilho mais intenso do que qualquer estrela. Um conglomerado de Espíritos unidos.
Um coro celestial entoou a canção da esperança aos ouvidos de quem tinha ouvidos para ouvir.
E pastores deixaram seu rebanho no campo... E sábios do Oriente deixaram seus países... para visitar um Menino.
Era o mais Excelso Rei, o Governador Planetário, o Cristo Solar.
Abandonara as estrelas, temporariamente, para estar com as Suas ovelhas, Celeste Pastor que se elegeu.
Tão importante visitante, contudo, assinalando sua passagem pela Terra com atos e palavras jamais realizados e jamais ditas, não foi, ainda, reconhecido por muitos.
Legou a maior mensagem de todos os tempos: Amai-vos uns aos outros.
Quando nos daremos conta de que o Ser perfeito, único em sua essência, visitou a Terra? Veio para os Seus, ofereceu Seu amor e aguarda, de braços abertos que dEle nos acerquemos.
Sua estadia em nosso planeta durou pouco mais de três décadas e foi registrada pela sagacidade de um repórter especial, que escreveu: De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Sua biografia, condensada por quatro pessoas, em datas e estilos diferentes, foi traduzida para quase todos os idiomas: línguas mortas, línguas vivas.
Quem de nós já lhe descobriu a existência, o ensino e O adotou como Modelo e Guia, nEle reconhecendo o Mestre e Senhor Jesus?

Redação do Momento Espírita

Para aqueles que não podem ver


Aquela parecia ser apenas mais uma cerimônia de formatura de grau superior.
Muitas pessoas reunidas para celebrar a conquista de seus amores. Nomes gritados com empolgação. Convenções ritualísticas antigas, enfim, tudo que sempre se encontra nessas celebrações.
Excelentíssimos, ilustríssimos, discentes, docentes, todos estavam lá.
Os formandos, um a um, desciam de suas cadeiras organizadas em fileiras atrás da mesa principal. A cada nome, ouvia-se uma pequena algazarra de dez, quinze, vinte pessoas, homenageando aquele jovem, em meio ao grande público, que só prestava atenção quando ouvia o nome do formando que estavam prestigiando.
Seguia o cerimonial. Mais um nome chamado e um silêncio profundo.
A formanda demorou um pouco mais para chegar à mesa de autoridades. E o fez com o apoio de um auxiliar da empresa organizadora do evento.
Ela recebeu o diploma simbólico e o público, que até agora apenas esperava o momento de felicitar seus parentes, iniciou uma demorada salva de palmas.
As pessoas estavam surpresas: uma jovem com deficiência visual recebendo o grau de pedagoga das mãos do representante da universidade.
Pensamentos ganharam os ares do anfiteatro. Os mais objetivos e práticos pensavam: Como ela conseguiu? Como conseguiu estudar? Como fazia as provas?
Outros, cépticos e insensíveis, com a ideia de que ninguém consegue sucesso por merecimento próprio, pensavam: Ela deve ter recebido ajuda dos professores, que se apiedaram de sua condição. Ou devem ter facilitado sua vida para que ela pudesse conseguir.
Muitos estavam simplesmente com uma expressão de admiração em suas faces. Sensibilizados, compreendiam que aquilo era possível: uma deficiente visual se formar na universidade.
Sua comemoração, com o diploma nas mãos, foi vibrante, digna de uma autêntica vencedora.
Prosseguiu a cerimônia, iniciando-se as homenagens. Na homenagem a Deus, lá estava ela novamente, levantando-se e sendo guiada até o púlpito.
Havia um brilho especial em sua face. Uma alegria radiante vinda de um Espírito que enxergava melhor do que todos aqueles que estavam ali, que viam apenas com o sentido da visão.
Sua homenagem a Deus foi emocionante e singela.
Seus dedos passavam suavemente sobre os pequenos pontos em relevo da folha de discurso, pontos criados por um outro jovem, o francês Luís Braille, no século dezenove, e que se tornaram uma das janelas de acesso ao mundo para os deficientes visuais.
Suas palavras eram claras, sua dicção perfeita e sua mensagem divina. Ela agradecia a Deus por estar ao seu lado naquela conquista. Seu coração mostrava ao mundo o verdadeiro amor ao Criador, através de sua resignação e perseverança na existência.
Ela dizia, para aqueles que não podem ver, que tudo é possível se persistirem, se lutarem e não desanimarem.
E, sem palavras, apenas com sua presença, dizia que há muito mais beleza neste mundo do que podemos imaginar, e que sonhar sempre será preciso.
Ela dizia isso para aqueles que ali estavam e que ainda não haviam aprendido realmente a ver.

Redação do Momento Espírita.