sábado, 23 de janeiro de 2016

Muito Humilde




A pessoa que trabalha lá em casa é muito, muito humilde.
Você já deve ter ouvido esta frase, com certeza. E com a mesma certeza sabe que quem assim fala está se referindo a alguém com poucos recursos amoedados. Ou intelectuais. Ou ambos.
De um modo geral, associamos pobreza, analfabetismo, ignorância à humildade.
Contudo, foram humildes Jesus de Nazaré, Francisco de Assis, Francisco Cândido Xavier.
E esses não se enquadram nos itens destacados. Jesus era humilde, no entanto, a ninguém ocorre imaginar que Ele fosse um iletrado.
Profundo conhecedor da alma humana, o que Lhe confere, de imediato, alta condição psicológica, era igualmente conhecedor da História de Israel, da cultura do mundo em que vivia, das escrituras.
Provam isso suas falas, seus pronunciamentos, reportando-se à Lei antiga, aos profetas, ao tempo político que se vivia então.
Ademais, era poeta, utilizando-se sabiamente de figuras de linguagem, adequando-as ao ensino que desejava oferecer e às pessoas para as quais falava.
Ninguém foi tão grande quanto Ele. E era humilde. Ele mesmo o disse: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.
Francisco Cândido Xavier não dispunha de recursos financeiros, nem diplomas.
Mas ninguém ousaria dizê-lo ignorante. Basta recordar-lhe a sabedoria nas entrevistas que concedeu a jornalistas, repórteres, cientistas que desejaram estudar-lhe as qualidades mediúnicas.
Sabia portar-se em público, utilizando-se de vocabulário adequado, demonstrando a ilustração do seu intelecto.
Francisco de Assis nasceu em berço rico e abraçou a pobreza, por opção do ensino que desejou ministrar, em plena Idade Média.
Era humilde e conhecedor do Evangelho. Foi ainda compositor. Dizia-se o cantor do Grande Rei, Deus.
No ideal de divulgar o Evangelho de Jesus em sua essência mais pura, agregou jovens ricos, homens cultos, no mesmo ideal e os liderou.
Falava ao povo simples, falava a magistrados e às autoridades eclesiásticas.
Conta-se que, certa vez, em retornando de Roma a Assis, deteve-se na cidade de Ímola. Por questão de respeito hierárquico, apresentou-se ao bispo e expressou o desejo de pregar na igreja local.
Eu prego a meu povo e isso é o bastante! – Foi a resposta do bispo.
Francisco se retirou e voltou uma hora depois, fazendo o mesmo pedido.
Ante o espanto do bispo, pela insistência, respondeu:
Meu senhor, se um pai expulsa o filho por uma porta, ele deve voltar por outra!
O raciocínio coerente lhe valeu o direito de tomar lugar no púlpito do prelado para a pregação.

*   *   *

Humildade é virtude que brilha nos corações dos homens de bem.
Homens de intelecto mas que a ninguém desprezam.
Homens de posses, que a todos acolhem.
Homens que sabem reivindicar seus direitos, nunca sendo omissos.
Homens de bem. Humildes.
Repensemos nossos conceitos.




                                                                    Redação do Momento Espírita

sábado, 16 de janeiro de 2016

Caminhos




São muitos os caminhos... Caminhos tranquilos, plenos de flores, transitados sem problemas nem esforço.
Caminhos tortuosos, difíceis, cheios de pedregulhos, de aspereza e dificuldades.
Caminhos fáceis que conduzem a abismos profundos, como gargantas abertas no verde da selva.
Caminhos desconhecidos, que conduzem a alturas imensuráveis, margeando a montanha.
Caminhos de lama, após a chuva torrencial. Caminhos áridos, na terra castigada pelo sol ardente.
Caminhos ásperos, cheios de ervas daninhas e espinheiros. Caminhos curtos. Caminhos longos.
Em verdade, todos os caminhos têm algo em comum: o de permitirem ao viajante chegar a algum lugar.
Assim, o mais importante não é escolhê-lo por sua beleza, facilidade ou comprimento. O mais importante é saber onde se pretende chegar.
Na Terra, todos andamos por várias vias: as da comodidade, dos prazeres, das facilidades. São os caminhos curtos, fáceis e que conduzem o ser às bocas escancaradas dos abismos das paixões.
Existem aqueles que, de forma egoísta, preferem caminhar solitários e se perturbam após exaustiva marcha.
Os maus seguem trilhas suspeitas e se perdem em sombras.
Os que se afeiçoam ao bem seguem os caminhos da esperança e se iluminam. São vias de dificuldades, de tormentos e de dissabores. Caminhos espinhosos e difíceis, mas que dão acesso a portos de paz.
São eles que permitem ao homem alcançar as paragens superiores do bem que nunca morre e do amor que sempre dura.
Os servidores da caridade escolhem roteiros de ação constante pelo bem ao próximo e alcançam lugares de ventura.
A opção é individual e cada um a realiza de acordo com os sonhos e ideais acalentados na alma e os valores que carregue em sua intimidade.
Alcançar a felicidade breve e fugaz ou conquistar a alegria perene é decisão pessoal.
Na diversidade de tantos rumos, os homens se perturbam ou se tornam livres.
Contudo, não há ninguém que siga pelos caminhos de Jesus e que não deixe de alcançar o fim que almeja: a felicidade integral.
Hoje como ontem, Jesus, o Mestre Incomparável, prossegue convidando o Seu rebanho, desejando atrair todos para Si.
O Seu convite perene é para que nos acerquemos dEle usufruindo de paz, alcançando a esperança e trabalhando sempre.

*   *   *

Ante a falta de tempo de que tanto reclamamos, face aos inúmeros quefazeres do dia a dia, é necessário parar para revisar e repensar Jesus.
Retornar aos seus caminhos e percorrê-los com ternura é tarefa inadiável ao ser humano.
Assim procedendo, com certeza haveremos de experimentar o calor da Sua presença e a presença do Seu amor.
Ninguém há que possa prescindir de Jesus, escolher outros caminhos e ser feliz.


                                                                    Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Religião e Deus




Quantos são os caminhos para encontrar Deus? De quantas estradas é feito o nosso trilhar para entender as coisas de Deus? Quais são os caminhares que nos levam a Deus?
Não houve na História da Humanidade cultura alguma que não tivesse nos seus valoreso entendimento de Deus.
As formas de interpretação da Divindade variaram às centenas, porém, nenhum povo houve que negasse a existência de uma força maior a comandar os desígnios do Universo.
Assim, crer na existência de Deus transcende o aspecto cultural e se insere na essência do sentimento humano de que existe um Criador a gerar a vida, do macro ao microcosmo.
E, ao longo da História, vários foram os ensaios para se explicar e entender Deus.
Seja o Deus castigo e vingança das civilizações antigas, ou o Deus concebido em forma humana, como nas mitologias greco-romanas, ou ainda o Deus natureza dos celtas, sempre foram tentativas do homem de entender Deus.
E hoje, como entendemos Deus?
Provavelmente as suas respostas e explicações acerca da Divindade estão pautadas em uma explicação doutrinária ou religiosa.
E é exatamente para isso que as religiões se estruturam: para nos ajudar a redescobrir Deus, Suas leis, Seus desígnios e para Ele nos voltarmos.
Desta forma, podemos entender a religião não como um fim e sim um meio. O meio que encontramos para entender Deus e tê-lO na nossa vida diária.
E, sendo a religião o meio que usamos para reencontrar Deus, é natural que cada um de nós tenha necessidade de um caminho que seja coerente e próprio em relação ao seu amadurecimento emocional, seus valores e conceitos.
Por isso, cada um de nós escolhe essa ou aquela escola religiosa, esse ou aquele caminho para chegar a Deus.
Porém, para Deus, todos os caminhos que levem a Ele são dignos de respeito. Toda doutrina, toda religião que nos torne melhores, é válida.
Além disso, devemos lembrar que a religião por si só não basta em nossa vida. Como também, para sermos pessoas de bem, a religião não é imprescindível.
Há inúmeras pessoas que, sem professarem nenhuma religião, têm uma vida de respeito ao próximo, de conduta ilibada, de retidão de caráter inquestionável.
E outras, apegadas a essa ou aquela escola religiosa, se mostram só preocupadas com a externalidade da religião, cuidando muito pouco do seu mundo íntimo.
Se a religião que escolhemos nos faz pessoas melhores, nos ajuda a entender as leis de Deus, a nos entender e a entender ao próximo, essa é a melhor religião para nós.
Porém, se ainda nos vinculamos a uma religião, preocupados com o que os outros estão vendo ou pensando, somente para satisfazer vaidades ou expectativas nossas ou de outros, há que se repensar como estamos construindo nossa relação com Deus.
O mais significativo para nós deve ser perceber que a religião que adotamos é o meio que encontramos de construir a religiosidade em nós, do entendimento de Deus, respeitando o próximo nos caminhos que ele escolher para compreender Deus e trazê-lO para dentro de si.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Doces Reencontros





Verdadeiramente, vivemos tempos novos sobre a face da Terra. Tempos em que, a cada dia, nos deparamos com seres especiais reencarnados entre nós.
Não importa a raça, a nacionalidade, o credo religioso ou crença alguma. Eles são especiais. Trazem conceitos espiritualizados a respeito da vida, do mundo, do destino final das criaturas de Deus.
Contou-nos uma amiga que sua filha, na inocência dos seus três anos de idade, certa noite, aconchegou-se na cama, ao seu lado.
Em verdade, toda noite era assim. A menina vinha para sua cama e ali se deitava por alguns minutos, antes de se encaminhar para o próprio berço. Nesses momentos, contou-nos a mãe, era que diálogos sempre interessantes aconteciam.
Alguns que a surpreendiam, sobremaneira. Era como se aquela criança, que trazia o azul do céu em duas joias brilhantes na face, se pusesse a pensar, mergulhando na doçura e na sabedoria de um passado intensamente vivido.
Mamãe, antes de eu nascer eu era anjinho?
A mãe ficou a imaginar como deveria responder. E resolveu adentrar no clima da inocência infantil, concordando.
E antes de você ser mamãe, onde você morava?
Pacientemente, e alongando o diálogo, a mãe respondeu que morava com seus pais, avós da pequena. Enriqueceu com detalhes, dizendo da casa grande, de janelas azuis, o imenso jardim, em outra cidade, bem longe.
Mas, mamãe, e antes de você ser filha do vovô e da vovó, você era anjinho como eu, né?
Acho que sim, foi a resposta breve daquela jovem que ficou a cogitar aonde iria parar aquele raciocínio todo. Então, a garotinha desatou a falar:
Pois é, mamãe, você estava no céu, junto comigo. Aí, você nasceu e eu fiquei lá. Depois, papai do céu falou para eu escolher minha mamãe. E eu escolhi você. Viu, agora estamos juntas de novo.
A conversa parou. Os olhos da mãe se transformaram em pérolas de luz e duas lágrimas brilharam, rolando pela face.
Ela estreitou seu tesouro junto ao coração. E enquanto a pequena se acomodava para o sono, ela se pôs a pensar:
Quantos filósofos se detêm anos a estudar os mistérios da vida que nunca morre, da vida que se repete na Terra, no espaço, em outros mundos.
Estudam a doutrina secreta dos hindus, egípcios, gregos para encontrarem essas verdades que, até hoje, muitos homens não admitem, considerando simples tolices.
No entanto, a sua pequerrucha, na extraordinária sabedoria de um Espírito milenar, revestido de carne, ali, descontraída e singelamente, sintetizara a trajetória de dois Espíritos que se amam.
Dois espíritos que, possivelmente, estabeleceram laços de afeto há milênios e se propuseram a prosseguir na conquista do progresso, assim, lado a lado. Ora como mãe e filha. Ora... quem sabe como?
*   *   *
O maior Sábio que já visitou a Terra, ensinou: Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?
E olhando para os que estavam sentados à roda de si: eis aqui, lhes disse, minha mãe e meus irmãos. Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã e minha mãe.
Estabeleceu ali a grande verdade de que todos somos uma grande e só família: a família universal.
Vamos estreitando laços, estabelecendo pontes de amor e nos reencontrando, aqui, nesta vida; acolá, na Espiritualidade e outra vez mais.
Pensemos nisso: quantos reencontros estamos tendo nesta vida?



                                                                  Redação do Momento Espírita

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As Quatro Bolas




Um homem chamado Ganesha tinha quatro filhos.
Quando os filhos estavam em plena adolescência, o pai começou a inquietar-se.
Notou que cada um deles tinha um temperamento e que eram muito diferentes entre si.
O mais velho era calado e apático, sem ânimo para trabalhar, sempre tímido.
O segundo era cheio de manias, teimoso e nunca dava atenção aos conselhos e advertências paternas.
O terceiro, inteligente, hábil e criativo, esforçava-se para prosperar na vida.
O quarto revelava-se arrebatado, violento, impulsivo e desonesto.
Impressionado com aquela inexplicável diversidade de gênios, Ganesha foi procurar um sábio, um eremita de incontáveis virtudes, e consultou-o:
Tenho quatro filhos, que foram educados por mim da mesma forma, com exemplos idênticos e orientados por iguais ensinamentos.
E agora que estão crescidos, o que vejo?
Cada um deles tem um caráter, um gênio.
Como se explica isso, essa diferença entre criaturas que beberam a mesma água, comeram o mesmo arroz, viveram sob o mesmo teto e ouviram as mesmas preces e conselhos?
O sábio levou Ganesha a uma sala ampla, onde havia apenas uma mesa quadrada de ferro e sobre ela estavam colocadas quatro bolas escuras.
Está vendo estas bolas, meu amigo? São rigorosamente iguais na forma, no tamanho, na densidade e na cor, certo?
Sim, poderia jurar que as quatro bolas são iguais.- Respondeu Ganesha.
Pois, bem, as aparências enganam, disse o sábio.
Atire uma a uma, com a mesma força, com o mesmo impulso, de encontro àquela parede.
Ganesha obedeceu, atirando a primeira bola, a qual, com o choque, achatou-se e caiu disforme.
Tomou, a seguir, a segunda bola e arremessou-a à parede, exatamente como fizera com a primeira.
Ao chocar-se com a parede, ficou pregada no lugar em que havia batido e dali não se desprendeu.
A terceira, ao ser lançada como as anteriores, bateu na parede e saltou de novo, perfeita, como se fosse movida por estranha mola segura e firme.
A quarta e última bola, arrojada à parede, deu um estalido forte e fragmentou-se em vários pedaços, que saltaram para todos os lados, ameaçadoramente.
Estas quatro bolas – disse o sábio – são como os filhos de um mesmo pai.
Parecem iguais, mas cada qual tem um caráter, um feitio.
A primeira bola, que bateu na parede e caiu como um molambo, é o filho inútil, moleirão.
O filho teimoso, obstinado, está representado pela segunda bola, que permanece agarrada à parede.
A terceira bola é o filho prestativo e bom que salta radiante para voltar às mãos do pai e servir de novo.
A última bola é a imagem do filho desmancha-prazeres, violento e impulsivo.

*   *   *

Cada ser carrega dentro de si uma bagagem diversa daqueles que o cercam.
Por isso, filhos de um mesmo pai, criados da mesma forma e a quem foram oferecidas as mesmas oportunidades, apresentam-se tão diferentes.
São Espíritos com histórias, conquistas e dores diversas.
Compete àqueles que têm a função de educar ou orientar crianças ou jovens, atentar para essa inegável realidade.
E tirar proveito desse fato que pode servir de recurso de crescimento e progresso para todos aqueles que se encontram agora reunidos, por justas razões, não ignoradas pela Providência Divina.




                                                                    Redação do Momento Espírita