domingo, 19 de outubro de 2014

Sonhar



Ele era um jovem que morava no Centro-Oeste dos Estados Unidos. Por ser filho de um domador de cavalos, tinha uma vida quase nômade, mas desejava estudar. Perseguia o ideal da cultura.

Dormia nas estrebarias, trabalhava os animais fogosos e, nos intervalos, à noite, procurava a escola para iluminar a sua inteligência.

Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu à classe que cada aluno relatasse o seu sonho. O que desejariam para suas vidas.

O jovem, tomado de entusiasmo, escreveu sete páginas.

Desejava, no futuro, possuir uma área de oitenta hectares e morar numa enorme casa de quatrocentos metros quadrados. Desejava ter uma família muito bem constituída. Tão entusiasmado estava, que não somente descreveu, mas desenhou como ele sonhava a casa, as cocheiras, os currais, o pomar. Tudo nos mínimos detalhes.

Quando entregou o seu trabalho, ficou esperando, ansioso, as palavras de elogio do seu mestre.

Contudo, três dias depois, o trabalho lhe foi devolvido com uma nota sofrível.

Depois da aula, o professor o procurou e falou: O seu é um sonho absurdo. Imagine, você é filho de um domador de cavalos. Você será um simples domador de cavalos. Escreva uma outra realidade e eu lhe darei uma nota melhor.

O jovem foi para casa muito triste e contou ao pai o que havia acontecido. Depois de ouvi-lo, com calma, o pai lhe afirmou:

O sonho é seu. Você faça o que quiser. Essa decisão é sua. Persistir neste sonho ou procurar outro.

O jovem meditou e, no dia seguinte, entregou a mesma página ao professor. Disse-lhe que ficaria com a nota ruim mas não abandonaria o seu sonho.


*   *   *

Esta história foi contada pelo dono de um rancho de oitenta hectares, próximo de um colégio famoso dos Estados Unidos.

O local é emprestado para crianças pobres passarem os fins de semana.

Depois de terminar a história, o dono do rancho se apresentou como o jovem que teve a nota ruim, mas não desistiu do seu sonho.

E o mais incrível é que aquele professor, trinta anos depois, tem visitado, com os seus alunos, aquela área especial.

Naturalmente, ele identificou no proprietário o antigo aluno e confessou: Fico feliz que o seu sonho tenha escapado da minha inveja. 

Naquela época eu era um atormentado. Tinha inveja das pessoas sonhadoras. Destruí muitas vidas. Roubei o sonho de muitos jovens idealistas. Graças a Deus, não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantas pessoas.

*   *   *

Sonhar é da natureza humana. Tudo o que existe no mundo, um dia foi elaborado, pensado e meditado por alguém, antes de ser concretizado em cimento, mármore, madeira ou papel.

Martin Luther King Jr. teve um sonho de paz entre negros e brancos. Pelo seu sonho, deu a vida.

Mahatma Gandhi teve um sonho de não violência. Deu a vida por seu sonho.

Se você tem capacidade de sonhar o bem, persista na ideia e a concretize. Podem ser necessários anos para que se realize um sonho, mas, o que são alguns anos diante da eternidade que aguarda o Espírito imortal?


Redação do Momento Espírita

sábado, 18 de outubro de 2014

Anúncios de Primavera





Quando florescem os ipês em minha cidade, sei que a geada não tornará a se manifestar nesta estação invernosa.

Os ipês floridos, derramando seu amarelo na grama verde, em fantasias nacionais, são anúncios da primavera, que se prepara para reinar, por noventa dias.

São como batedores que vêm à frente, verificando as veredas e embelezando as estradas, as ruas, as avenidas e as praças.

Recordamos que, há cerca de dois mil anos, um homem se ergueu na 
Palestina, andando pelos caminhos, alertando as populações.

Semelhante aos ipês, Ele anunciava a nova estação que estava prestes a encher de flores de esperança o mundo. O Seu era o anúncio da primavera da renovação.

Preparai os caminhos do Senhor...

Depois de mim, virá aquele do qual não sou digno de desatar as sandálias.

Eu sou a voz que clama no deserto... no deserto dos corações humanos.

E o Batista trazia as sementes fartas de profecias anunciadas há séculos.

O rei se encontrava entre os homens. E escolheu o palco da natureza para entoar sua canção de amor. Compôs poemas e somente os corações de boa vontade registraram seus versos, na intimidade do próprio ser.

Mas os versos ficaram ecoando, levados pelos ventos, repetidos pelas montanhas, acolhidos entre as paredes generosas dos que aderiam ao convite. Convite do amor. Convite para amar.

Era o auge da primavera. O Governador planetário viera para estar com os Seus.

Estou entre vós como quem serve. Eu sou o bom pastor.

Nenhuma das ovelhas que o pai me confiou se perderá. O pastor dá a sua pela vida das suas ovelhas.

Crede em Deus. Crede também em mim.

Versos recitados na montanha, no vale, nas estradas. E dedilhados no alaúde do lago de Genesaré.

Primavera celestial. Jamais igualada.

*   *   *

Nos dias que vivemos, novos anúncios se fazem. A era da regeneração se aproxima e a pouco e pouco se instala.

Os arautos se multiplicam. A genialidade retorna ao palco do mundo e as crianças declamam, versejam, compõem sinfonias e executam peças magistrais, em evocações da sublimidade celeste.

Gênios avançam estudos nas ciências, sonhando com viagens interplanetárias, em mensagem de vera fraternidade.

E outros se debruçam sobre lâminas, livros, em laboratórios, academias, institutos, em investigações que objetivam a cura de males que afligem seus irmãos, o diminuir das dores.

Outros mais empreendem campanhas em prol dos que nada ou quase nada têm. As suas preocupações não são os folguedos da infância, mas sim o bem-estar de outras tantas crianças, amigos próximos ou desconhecidos distantes.

Primícias de primavera. Primavera nos corações. Primavera de um mundo novo, regenerado. Um mundo em que o homem abandonará as armas que aniquilam e abraçará a lira, a ciência, a arte, o amor.

Um mundo que já se faz presente. Como os ipês que bordam arabescos pelo chão, que enchem os olhos e afirmam: A primavera se aproxima!

Pensemos nisso e deixemo-nos penetrar pelo hálito primaveril do mundo novo.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Cem Anos e Mil Vestidos




A senhora Lillian Weber tem uma missão e nem pensa em parar seu trabalho voluntário.

Todos os dias ela faz um vestido para uma criança, que ela nunca vai conhecer.

Eles são recolhidos e enviados para meninas da África, por um grupo cristão chamado Pequenos vestidos para a África.

Nos últimos dois anos ela fez mais de oitocentos e quarenta vestidos, e planeja fazer mais de cento e cinquenta até dia seis de maio de 2015.

Nesse dia, Lillian vai completar cem anos de idade e será seu milésimo vestido.

É apenas uma daquelas coisas que você aprende como fazer e desfrutar, diz ela.

Lillian costura na Fazenda onde mora, em Scott County, Minnesota, Estados Unidos.

Apesar de todos os vestidos obedecerem a um padrão, cada um recebe um detalhe diferente, uma costura extra, para dar a cada criança um pouco de orgulho adicional.

Ela os personaliza, diz a filha de Lillian, Linda Purcell. Ela tem que colocar algo na frente, para torná-lo especial, para dar o seu toque.

O que começou como um hobby tornou-se um trabalho diário de amor.
Lillian diz que começa a trabalhar em um vestido de manhã, faz uma pausa no horário do meio-dia, e coloca os toques finais no período da tarde.

Estou muito, muito orgulhosa da minha mãe. – Comenta Linda.

Família e amigos vão continuar a ter orgulho de Lillian, depois de seu vestido de número mil. Afinal, mil é apenas um número.

Quando eu chegar a mil, se eu ainda for capaz, não vou desistir. Vou fazer novamente, porque não há nenhuma razão para não fazer nada.

Quando Lillian terminar seus vestidos, suas filhas vão entregá-los a
Pequenos vestidos para a África, Organização Beneficente Cristã fundada em 2008, em Michigan.

A Entidade já entregou cerca dedois milhões e meio de vestidos para orfanatos, igrejas e escolas no continente africano.

Lillian acaba de ser indicada para o prêmio Pay it forward, que incentiva as pessoas a fazerem boas ações e passarem adiante, para que outros sigam o exemplo.

Como alguém pode afirmar que a velhice é tempo de inutilidade, perante histórias como esta?

Há tantas maneiras de servir!

O que fizemos, sobretudo na sociedade capitalista, foi sempre atrelar a utilidade à capacidade econômica, isto é, a pessoa não ser mais economicamente ativa - como se diz.

Mas é tão limitado este pensamento! É tão absurdo pensar que só podemos ser úteis à sociedade, à vida como um todo, dessa forma!
Como se tudo o que precisássemos estivesse apenas na esfera da matéria...

Então, um voluntário em hospital, que cede parte de sua semana para se misturar a enfermeiras, a funcionários, para ajudar em tarefas simples, não está sendo útil?

E quem não tem mais a disposição do corpo, mas ensina, aconselha, transmite otimismo e alegria através das palavras, não está exalando utilidade por todos seus poros?

E o mais belo é que não há idade limite para a utilidade. A utilidade também não exige conhecimento, formação acadêmica, nem qualquer outro pré-requisito, além de disposição para servir, isto é, vontade.

*   *   *

Ouçamos o convite de servir à causa do bem.

Quem tiver ouvidos de ouvir, ouça.

Que possamos servir até o limite de nossas forças, deixando neste mundo um legado de trabalho, esforço e dignidade.
Inutilidade, nunca!


Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Conquistas Íntimas


A história da Humanidade confunde-se com a de guerreiros, conquistadores, revolucionários.
Sempre os tivemos. Alguns lutando por seus ideais e sonhos. Outros, apenas movidos pela ganância e sede de poder.
Todos buscando amealhar tesouros, terras, títulos e coroas.
Lançavam-se nas mais intensas lutas para alcançar as coisas do mundo.
Tornavam-se poderosos, grandes mandatários, mas logo o tempo se encarregava de transformar tudo em ruínas.
Se alguns ainda mantêm seus nomes grafados na História, por esse ou aquele episódio, ou ainda, lembrados pelas barbáries e disparates cometidos, a grande maioria ganhou apenas o esquecimento como herança.
Imaginavam-se grandes, não percebendo a pequenez de seu propósito.
Como resultado, seus feitos não ultrapassaram a esteira do tempo.
Assim como eles, muitas vezes nós empenhamos tempo, anos de vida, capacidades, energia, para ganhar o que é do mundo material.
Buscamos amealhar bens, galgar posições sociais, cargos e destaque profissional.
Porém, todos esses valores, em si só, apresentam prazo de validade.
Como as coisas do mundo são transitórias, efêmeras, toda conquista material tem seu limite.
Por outro lado, poucas vezes nos damos conta de que, ao contrário das conquistas que se esvaziam no tempo, existem outras que são eternas e permanentes.
Essas conquistas são as do nosso mundo interior.
Toda aquisição intelectual e moral ganhará espaço em nossa intimidade, e as carregaremos para onde formos.
Vencerão o andar do tempo, o processo da morte física, ou qualquer ocorrência externa que surja.
É verdade que, durante a vida física, precisamos buscar as coisas do mundo.
Existem os compromissos financeiros, as preocupações com moradia, transporte, alimentação, instrução.
Porém, quanto de nosso tempo e de nossas capacidades usamos para as conquistas da Terra e quanto para as conquistas íntimas?
É necessário percebermos que, logo mais, quando a morte nos convidar para o retorno ao mundo espiritual, levaremos apenas os valores que conseguirmos carregar na mente e no coração.
São as conquistas do mundo íntimo. As demais, ficarão no mundo: vestimentas, mansões, propriedades de toda sorte, recursos amoedados.
Viver no mundo não representa investir todos os valores, tempo e esforço para o que seja material.
Faz-se necessário que nossos esforços se direcionem, também, para as conquistas da alma.
Todo esforço que investimos para angariar valores morais, novas virtudes, constituirá conquista interna, que levaremos conosco no retorno à vida espiritual e em todas as próximas existências.
Se o mundo externo se mostra algumas vezes sedutor nas suas possibilidades, não esqueçamos que o mundo interno tem riquezas inúmeras para nos oferecer.
Se o mundo externo têm suas obrigações e compromissos, o mundo interno aguarda que encetemos esforços para acumular os tesouros, aqueles que a ferrugem não corrói, as traças não comem e os ladrões não levam, como nos lembra Jesus.
 


Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Reino Que Ainda Não é Deste Mundo




Pôncio Pilatos era procurador da província romana da Judeia, desde o ano 26. Fora nomeado pelo imperador Tiberius Claudius Nero Cesar, que subira ao poder em 18 de setembro do ano 14.

Habitualmente, o procurador ficava na cidade marítima de Cesareia. No entanto, em certas oportunidades, com a finalidade de manter a ordem pública, vinha a Jerusalém.

Estava pois ele residindo no Castelo Antônia, também chamado Pretório.

Naquele dia, mal abrira Pilatos as portas do Pretório, quando se apresentaram os sumos sacerdotes com seu prisioneiro, Jesus de Nazaré.

E porque Pilatos lhes indagasse o que tinham contra aquele homem, responderam que Ele fora encontrado a amotinar o povo, a proibir de pagar tributo a César e a afirmar que era o Cristo, o Rei.

As acusações são inéditas pois até então, enquanto Jesus estivera à frente de Anás e Caifás, fora interrogado, espancado, mas a única acusação que lhe haviam imputado fora de blasfêmia.

Agora, perante a autoridade civil, eles engendram acusações de caráter político e social.

O procurador refletiu por uns momentos. Depois, levando consigo a Jesus, retirou-se para o interior da sala do Pretório, a fim de conferenciar a sós com o acusado.

Ali, naquele momento, defrontavam-se os representantes das duas maiores potências da Terra: o procurador do império romano, que dominava a Europa, a Ásia e a África; e aquele que era o Governador da Terra, o Rei Solar.

Com a perspicácia do romano, Pilatos se preocupa com somente uma das três acusações: a realeza de Jesus. Isso porque se Ele fosse rei, natural que abrisse uma campanha contra os coletores de tributos romanos.

Por isso, lhe indaga: És tu rei dos judeus?

Nos livros sagrados, este título equivalia ao de Messias ou Redentor. Na boca de Pilatos, porém, não podia deixar de ter um sentido político.

Assim, Jesus responde com outra questão: É de ti mesmo que perguntas isso ou foram outros que to disseram de mim?

Pilatos se ofende e responde, de forma brusca: Porventura, sou eu algum judeu? Tua gente te entregou às minhas mãos: o que fizeste?

Agora, a sublimidade responde ao homem venal, preocupado com as questiúnculas da Terra: Meu reino não é deste mundo.

E, como para assegurar ao político, que não deveria temer pelo seu cargo, senão somente por sua própria alma, continuou:

Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.

*   *   *

As palavras do Galileu nos levam a meditar. Em sua resposta, duas revelações: a primeira, a de que Seu reino não é material, e sim espiritual.

Ele viera para fundar o reino de Deus no coração dos homens.

Ao mesmo tempo, ao explicitar ainda não é aqui, nos diz que um dia será. Quando os homens nos amoldarmos à lei de amor que Ele veio ensinar, transformaremos a Terra em um oásis de bênçãos.

O mundo de regeneração para o qual nos encontramos migrando. O reino de Deus sobre a face do planeta, no exato momento em que ele estiver implantado no coração de todos os homens.

Estamos a caminho. Pensemos nisso e aceleremos o processo.


Redação do Momento Espírita