sexta-feira, 21 de junho de 2013

Gratidão à Vida


É possível que você pense que poderia ser mais inteligente e se aborreça com suas limitações pessoais e com os esforços necessários para estudar, aprender, avançar.
Mas talvez nunca tenha pensado naqueles que renascem com profundas limitações na área do intelecto, desconectados da própria mente, imersos nessa ou naquela sequela física, em vidas de resgate e expiação. Talvez esses tenham dificuldades maiores do que as suas.
Você já pensou que poderia ter um corpo mais harmonioso, mais elegante e condizente com os padrões de beleza instituídos.
Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que trazem deformações, mutilações, limitações na veste orgânica, com dificuldades para andar, falar, ouvir ou enxergar. Esses desejariam muito ter o corpo exatamente igual ao seu.
Você já pensou que poderia ter mais dinheiro, morar em uma casa maior, ter um carro da moda ou viajar para países distantes.
Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que vivem da caridade alheia, sem a opção de um trabalho digno para se sustentar, sem garantia de moradia ou de alimentação diária.
Esses, possivelmente, sonhem em ter a casa e o salário que você dispõe.
Você já pensou que sua família é um peso imenso em seus ombros, que gostaria de ter os filhos semelhantes àqueles que você vê em outros lares e ter o cônjuge igual a outros casais que você conhece.
Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que vivem sós, sem família, sem alguém para dizer oi ao chegar em casa, para dividir suas frustrações e seus sonhos, ou para compartilhar a mesa de refeições.
É possível que esses sonhem todos os dias em ter uma família como a sua, problemática e de difícil trato, mas pelo menos teriam seres próximos a quem pudessem entregar o seu amor, compartilhar suas carências.
*   *   *
Muitas vezes sonhamos com outra vida, outro corpo, outros entes queridos, outra trajetória.
Sonhamos com aquilo que, infantilmente, imaginamos nos faria felizes.
Mas, possivelmente, a beleza do corpo nos trouxesse a vaidade desmedida.
A inteligência privilegiada nos tornasse arrogantes e pretensiosos.
O dinheiro em excesso talvez nos conduzisse a vícios e comportamentos comprometedores.
E nos destituirmos da família seria o caminho para o egoísmo e a solidão.
Dessa forma, percebemos que a vida é feita de bênçãos, de oportunidades de aprendizado. Tudo ao nosso redor é aquilo que Deus provê para melhor aproveitarmos a oportunidade da vida.
E os Seus desígnios são de sabedoria e amor irretocáveis.
Assim, ao analisarmos tudo que temos, nosso corpo, nossa condição financeira, nossas capacidades e nossa família, agradeçamos a Deus por tudo isso.
Afinal, de nossa existência, o que nos pertence mesmo é aquilo que podemos guardar no cofre do coração. Tudo o mais é empréstimo Divino para que possamos galgar a estrada rumo à perfeição.
São empréstimos que nos cabe usufruir de forma consciente, deles extraindo o melhor.

Redação do Momento Espírita.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Perdendo a Alma


Vivemos dias de urgência. Vivemos dias onde o tempo parece escasso, onde os compromissos parecem se multiplicar, onde as necessidades são inúmeras.
Nós nos arvoramos a buscar, correr, alcançar. Sempre com pressa, sempre atrasados, sempre procurando recuperar o tempo perdido.
Na ânsia e na necessidade de viver para o mundo externo, esquecemos de viver também para nosso mundo interno.
Perdemo-nos de nós mesmos nas estradas do mundo. Temos dificuldade para encontrar o endereço de nossa intimidade.
E quando não nos encontramos com nós mesmos, quando vivemos só para o externo, para as necessidades do corpo, quando nossas preocupações são somente físicas, materiais, vamos aos poucos nos embrutecendo.
Esquecidos das necessidades da alma, atrofiamos nossos sentimentos mais sutis, nossa essência mais nobre, e passamos a viver na externalidade do mundo.
A pouco e pouco, as reflexões nobres deixaram de ter espaço em nossa casa mental. Já não mais investimos tempo para apreciar um entardecer ou para reverenciar a tempestade pesada de verão a refrescar um fim de tarde.
A oração deixou de fazer parte de nossos hábitos e as leituras edificantes e enriquecedoras cederam espaço para programas de TV vulgares e superficiais.
Assim, é natural que, aos poucos, vamos nos embrutecendo, vamos perdendo nossas mais nobres capacidades humanas.
A vida passa a ser guiada pelos instintos e pouco espaço há para os sentimentos e para as reflexões mais elevadas.
Não por acaso vamos nos tornando mais violentos, mais reacionários a tudo e a todos.
Passamos a viver como se não trouxéssemos em nós a essência de Deus, como se não fôssemos dEle os filhos diletos.
Deixando-nos levar pelo roldão da vida – é bom que se diga novamente - perdemos o endereço de nós mesmos, perdemos o caminho de nossa intimidade, deixamos de nos encontrar conosco.
A breve tempo, vamos perdendo o contato com nossa essência divina. Como consequência, vamos adoecendo e nos embrutecendo.
Assim, vivemos em sociedade agredindo-nos uns aos outros.
Temos dificuldade para compreender o próximo, preferindo julgar e criticar.
Não conseguimos conviver, com tranquilidade e calma, frente aos desafios da vida, tornando-nos violentos e agressivos.
Já não temos tolerância e calma quando nos deparamos com situações limites, buscando os atalhos das discussões verbais, dos afrontamentos até às raias da agressão física ou do atentado à vida do próximo.
*   *   *
Cansados que estamos de nosso mundo, e sedentos por paz, é necessário que reencontremos nossa essência divina.
Urgente se faz que lembremos que somos um Espírito imortal vivenciando o mundo físico.
Importante que retomemos o hábito da oração, do contato com o Criador e Pai de todos nós.
Imprescindível que dediquemos um tempo, a cada dia, para a meditação, para a leitura nobre, para as coisas que edificam e nos propiciam harmonia íntima.
E fundamental se torna, nesses dias desafiadores, que tenhamos como referência Jesus, modelo e guia na compreensão, na tolerância e no amor ao próximo.

 Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dias de Desafios


Quem de nós não desejaria que a existência transcorresse à semelhança de um rio calmo, onde a barca de nossa vida singrasse por águas tranquilas e serenas?
Todos temos o desejo de que, na vida, os embates não surjam, as dificuldades não se apresentem, e as dores não ocupem espaço em nosso caminhar.
Contudo, viver é muito mais do que atender ao escoar dos dias, ou esperar a velhice chegar e a morte encerre a vida do corpo físico.
Temos o desafio, a cada vez que nascemos, a cada vez que nos vestimos de carne, de que novos aprendizados se façam.
Esse é o propósito da Divindade para conosco: que o corpo físico seja a possibilidade de progresso para a alma.
Assim, naturalmente haverá dias mais amargos em nossa jornada.
Ocorrerão fases em que o peso sobre nossos ombros se avolumará, e os problemas se apresentarão mais complexos.
Passaremos por dias tumultuosos, em que seremos testados em nossos valores, nossa perseverança, nossa fé.
Surgirão situações de grande monta, exigindo que desenvolvamos capacidades morais de que não dispúnhamos ou nem imaginávamos dispor.
Haverá situações nas quais a prova se mostrará mais rude, em que enfrentaremos nossos limites morais, em que bordejaremos o extremo de nossa capacidade.
Nada disso acontecerá, no entanto, sem a plena anuência da Divindade. Nenhuma sem o pleno conhecimento da Providência Divina.
Deus tem total ciência de tudo que nos sucede.
Nada que nos ocorra é inútil ou destituído de alguma razão, mesmo que de momento não consigamos entender o propósito.
Contrariando o adágio popular, podemos dizer que Deus escreve certo por linhas retas.
Nós é que somos, algumas vezes, os míopes que não conseguimos ver o amor e sabedoria de Seus desígnios.
Assim, se os dias se mostram desafiadores, ali está a bondade de Deus nos oferecendo o aprendizado.
Para alguns, o desafio é lidar com o retorno do ser amado à pátria espiritual, deixando o rastro das saudades e uma imensa ausência.
Para outros, é a dor, a doença, as deformidades, as limitações físicas que chegam inesperadamente, provocando desequilíbrio em seus dias.
Para muitos, é a família a se desarticular, pela inconstância de uns, despautério de outros, desestruturando relações de alegria e fraternidade.
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Assim é nossa jornada. Feita de desafios e lições.
Quando essas nos chegam, na forma da dor ou da saudade, da doença ou de alguma carência qualquer, é sempre o convite para aprender.
Vistamo-nos de coragem e fé. Enfrentemos o que nos chegue com a serenidade daqueles que entendem os desafios como necessários ao crescimento moral.
E não nos esqueçamos de que teremos sempre Jesus, o Bom Pastor, a nos amparar a todos, cansados e aflitos, em Seu regaço amoroso.
*   *   *
Os desafios existenciais fazem parte da vida. Sem eles, o homem seria destruído pela paralisia da vontade, dos membros, das aspirações, que se transformariam em doentia aceitação dos níveis inferiores do estágio da evolução.
Enriquecer-se com a luz do discernimento elevado é a finalidade essencial da vida.

Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 11, do livro Vida:desafios e soluções, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco

terça-feira, 18 de junho de 2013

Poema Divino


Pai nosso, que estás no céu, na terra, no fogo, na água e no ar. Pai nosso, que estás nas flores, no canto dos pássaros, no coração a pulsar; que estás na compaixão, na caridade, na paciência e no gesto de perdão.
Pai nosso, que estás em mim, que estás naquele que eu amo, naquele que me fere, naquele que busca a verdade. Pai nosso, que estás naquele que caminha comigo e naquele que já partiu, deixando-me a alma ferida pela saudade.
Santificado seja o Teu nome por tudo o que é belo, bom, justo e gracioso, por toda a harmonia da Criação. Sejas santificado por minha vida, pelas oportunidades tantas, por aquilo que sou, tenho e sinto e por me conduzir à perfeição.
Venha a nós o Teu reino de paz e justiça, fé e caridade, luz e amor. Reino que sou convocado a construir através da mansidão de espírito, reflexo da grandeza interior.
Seja feita a Tua vontade, ainda que minhas rogativas prezem mais o meu orgulho do que as minhas reais necessidades.
Ainda que muitas vezes eu não compreenda mais do que o silêncio em resposta às minhas preces, não te ouvindo assim dizer: Filho aguarda, tua é toda a eternidade.
O pão nosso de cada dia me dá hoje e que eu possa dividi-lo com meu irmão. As condições materiais que ora tenho de nada servem se não me lembro de quem vive na aflição.
Pão do corpo, pão da alma, pão que é vida, verdade e luz. Pão que vem trazer alento e alegria: é o Evangelho de Jesus.
Perdoa as minhas ofensas, os meus erros, as minhas faltas. Perdoa quando se torna frio meu coração; quando permito que o mal se exteriorize na forma de agressão.
Que, mais do que falar, eu saiba ouvir. Que, ao invés de julgar, eu busque acolher. Que, não cultivando a violência, eu semeie a paz. Que, dizendo não às exigências em demasia, possa a todos agradecer.
Perdoa-me, assim como eu perdoar àqueles que me ofenderem, mesmo quando meu coração esteja ferido pelas amarguras e dissabores da ingratidão.
Possa eu, Senhor da Vida, lembrar de que nenhuma mágoa é eterna e de que o único caminho que me torna sublime é a humilde estrada da reconciliação.
Não me deixes cair nas tentações dos erros, vícios e egoísmo, que me tornam escravo de minha malevolência.
Antes, que Tua luz esteja sobre mim, iluminando-me, para que eu te encontre dentro de minh’alma, como parte que és de minha essência.
E livra-me de todo o mal, de toda violência, de todo infortúnio, de toda enfermidade. Livra-me de toda dor, de toda mágoa e de toda desilusão.

Mas ainda assim, quando tais dificuldades se fizerem necessárias, que eu tenha força e coragem de dizer: Obrigado, Pai, por mais esta lição!
Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Guerra e Paz


Todos os esforços deverão ser empreendidos pelos seres humanos, para extinguir, em definitivo, a guerra. Poderá ser pela diplomacia, que abençoa os entendimentos por meio do diálogo, ou através da educação popular.
Pela educação, as criaturas poderão ver todos os inconvenientes das atrocidades da guerra, seja em razão do que for.
Vivemos a fase em que a Humanidade deve exercitar a razão com todos os seus componentes, trabalhando na esfera da paz.
As escolas, os templos religiosos, os lares, as empresas trabalharão para a paz. Para isso, todas as baterias de providências estarão voltadas para a educação do indivíduo, de cuja intimidade provêm os delitos, se ele está enfermo, ou todas as luzes, se avança para maior equilíbrio.
Ao se refletir na guerra, pensa-se que tudo estará concluído e solucionados todos os problemas, quando sejam assinados os tratados de paz.
Poucos se dão conta dos desdobramentos da trágica experiência, durante e depois dela.
Nas guerras, não morrem somente os que tombam nos campos de batalha ou são devorados por explosões de quaisquer tipos. Também morre, no abismo da dor, um número ilimitado de pais e de mães, que recebem objetos de uso pessoal e condecorações póstumas dos seus filhos.
Morrem esposas vencidas pela saudade e pela solidão, após receberem as documentações que honram os seus companheiros desencarnados.
Morrem na revolta, na mágoa, no desejo de vingança contra a sociedade, multidões de filhos levados à orfandade, tendo os nomes dos seus pais glorificados no altar frio dos mausoléus dos heróis, que as pátrias lhes constroem, como se isso fosse resolver o drama das dores morais dos seres marcados pela guerra.
E o saldo dos mutilados físicos? Dos mutilados mentais, assinalados por neuroses e psicoses que retornam para os seus lares e para as ruas, muitos deles se envolvendo na violência, no crime, nos vícios e no infortúnio?
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Ao pensarmos sobre a monstruosidade da guerra, apareça onde aparecer, apoiada no motivo que for, reflitamos nas consequências dessa tragédia para a Humanidade inteira e refreemos nosso entusiasmo.
Jesus, o herói da sepultura vazia, nos conclamou para a paz. Ele afirmou que os mansos herdariam a Terra e os pacíficos seriam chamados filhos de Deus.
Envolvidos em nossos afazeres, estudando, trabalhando, falando ou realizando qualquer atividade, sejamos instrumentos da paz, permitindo que o suave ensino do mestre Galileu ilumine a nossa intimidade, iluminando os que vivem e convivem conosco.
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O homem que possui a paz, não é apenas o homem de face serena. Antes é o homem de bem, o que trabalha incessantemente no dever.
Assim, adquirir paz não é somente estar com a consciência tranquila, porém, mais do que isso, é trabalhar pela edificação da paz alheia, permanecendo em tranquilidade.
 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16, do livro Vozes do Infinito, por Espíritos diversos, psicografia de Raul Teixeira