quarta-feira, 18 de julho de 2012

Civilização



Não podemos responsabilizar a civilização pelos desvarios do. mundo, mas sim o homem que a desfigura.
Acaso seriam reprováveis as doações de Deus porque a maioria dos homens, por vezes, se faça infiel a si própria?
É por isso, talvez, que o apostolado de Jesus, acima de tudo, se dirige à consciência individual.
Levanta-te e anda.
“A tua fé te curou."
Vai e não peques mais.
Semelhantes apelos repetem-se, freqüentes, no serviço do Evangelho, porque o Mestre não ignorava que a solução dos problemas da paz e da felicidade entre as criaturas não reside na governança política, por mais respeitável que seja, de vez que os programas da legalidade terrestre atuam de fora para dentro, quando as nossas feridas morais se manifestam de dentro para fora.
Não vale acumular decretos e estatutos primorosos, quando não haja correção de caráter nos tutelados das leis humanas.
O homem leal à consciência tranqüila terá sido próspero e feliz, tanto na Grécia educada e livre, como no mais tirânico dos regimes feudais, com a escravidão e a crueldade a lhe baterem à porta.
Despertemos para a obrigação de servir com amor, em todos os dias, compreendendo que somos todos irmãos, com deveres de assistência recíproca nas tarefas do mundo que é o nosso próprio lar.
Não esperemos que outros façam o bem para que nos disponhamos a praticá-lo.
Evitemos a expectativa da alheia cooperação, quando é inadiável o testemunho pessoal e intransferível no culto sincero à fraternidade.
Vivamos com Jesus em nós mesmos, aceitando-lhe as diretrizes de renunciação ao próprio egoísmo e de consagração permanente à boa-vontade, de uns para com os outros, em movimento espontâneo de solidariedade e, longe de enxergarmos na civilização qualquer processo de decadência espiritual, nela encontraremos o abençoado campo de mais trabalho, no aperfeiçoamento de nós mesmos, a caminho de mais altas formas da Vida Superior.

(Emmanuel, do livro "Nascer e Renascer", Francisco Cândido Xavier)

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