sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Filho do Universo




Um filósofo e poeta norte-americano escreveu, pelos idos de 1927:
Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível, sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam.
Fale a sua verdade mansa e calmamente e ouça os outros, mesmo os insensatos e  ignorantes. Eles também têm sua própria história.
Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores.
Você merece estar aqui e mesmo que você não possa compreender, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino.
Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem nosso Espírito.
Se você se comparar com os outros, você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você. Viva intensamente o que pode realizar.
Mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde. Ele é o que de real existe ao longo do tempo.
Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença. A virtude existirá sempre.
Muita gente luta por altos ideais e em toda parte a vida está cheia de heroísmos.
Seja você mesmo. Principalmente, não simule afeição, nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene como a relva.
Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores.
Você merece estar aqui, e mesmo que ainda não possa compreender, a Terra e o Universo vão cumprindo seu destino.
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas seja compreensível com os impulsos inovadores da juventude.
Alimente a força do Espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
E a despeito de uma rotina rigorosa, seja gentil consigo mesmo. Esteja em paz com Deus, como quer que você O conceba. E quaisquer sejam seus trabalhos e aspirações na fatigante jornada da vida, mantenha em paz a própria consciência.
Acima da falsidade, dos desencantos e agruras, o mundo ainda é bonito. Seja prudente.

*   *   *

Sentir-se filho do Universo é sentir-se seguro, sabendo que uma força maior rege nossas vidas, nossas relações, através de leis perfeitas e justas.
Sentir-se irmão das estrelas e das árvores é perceber-se parte de uma natureza sublime, grandiosa, que guarda em seu íntimo objetivos maravilhosos.
E um dia, há muitos e muitos anos, um sublimado Irmão das estrelas e das árvores, falou exatamente sobre isso dizendo:
Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros. Mas, vosso Pai Celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles?
Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam.
Entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, quanto maior cuidado não terá em vos vestir!


                                                                Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Diálogo e Receptividade




Palha italiana é um doce preparado com brigadeiro e biscoito. A mistura fica muito saborosa e chega a ser a preferida de muitas pessoas.
O preparo é simples, rápido e o resultado é delicioso. Por essa razão aquela jovem, cursando arquitetura, pensando em fazer um dinheirinho, começou a preparar e levar palha italiana para a faculdade.
As colegas aderiram, as pessoas de outros cursos também gostaram e as vendas iam muito bem.
Ana começou cobrando um real o pedaço. Os parentes sugeriram que ela aumentasse o preço. Afinal, os ingredientes não são baratos e, ademais, ela precisava valorizar o próprio produto.
Eles diziam: Existem outros doces semelhantes no mercado, por valor superior e nem sempre tão bons quanto o seu. Suba o preço!
Ela resistia. Olhava para os colegas estudantes e achava que seria talvez dispendioso para eles continuarem a comprar como faziam.
A tia insistia: Você precisa valorizar-se e ao seu produto. Não é questão de extorquir o cliente, mas de colocar o preço do real valor.
Ana continuava insegura. Consultou alguns colegas, que acharam caro dois reais.
Então, ela saiu de casa com sua palha italiana e pelo caminho, foi pensando: Será que continuo cobrando um real? Será que subo o preço para um real e cinquenta? Ou será que passo para dois reais?
Que seu produto valia, ela tinha certeza.
Nesse dia, ela encontrou um jovem de outro curso fazendo o mesmo que ela, ou seja, vendendo doces. Só que era brownie.
O preço? Dois reais. Foi o suficiente para encorajá-la. Ela subiu o preço da sua palha italiana para dois reais.
A essa altura, poderíamos cogitar de questões de regulamentação do mercado e de concorrência.
Alunos com pouco dinheiro em mãos, com um doce a um real e outro a dois, poderia ser mais competitivo.
Porém, Ana enxergou o fato como uma possibilidade de subir o preço do doce que oferecia.
O outro estudante conhecia o produto dela. E, apesar de estarem disputando o mesmo nicho de mercado de doces, ou seja, os mesmos estudantes, tiveram ambos uma ideia singela. Ao mesmo tempo, bonita.
Pensaram em trocar os doces entre eles: um pedaço de brownie por uma palha italiana. Um verdadeiro escambo.
Eles não se sentiram competindo. Cada qual valorizou o produto do outro.
E saíram a vender. Ela, a sua palha, enquanto comia um brownie e ele, os seus brownies, enquanto saboreava a palha italiana.
E os clientes comuns compraram brownies e palha. Todos felizes, com açúcar e com afeto.
*   *   *
Como seria bom se todos agíssemos assim, sem ver no outro um competidor. Alguém que devemos derrubar, seja com preços incompatíveis de serem mantidos a longo prazo, somente para conquistar o mercado, seja depreciando o produto alheio.
Como seria tão mais ameno se entendêssemos que sob esse imenso mundo de Deus, há lugar para todos.
O que conquista o cliente aqui ou ali é o diferencial do atendimento, um jeitinho especial conferido ao produto em oferta, algo simples, que faz a diferença.
E assim continuam todos vendendo, ganhando, vivendo.
Pensemos nisso.


                                                                    Redação do Momento Espírita

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Lição Surpreendente



Manhã de segunda-feira, cedo. Na instituição benemérita, os funcionários iam chegando, aos poucos, e registrando o ponto.
Na recepção, além da funcionária, estava uma pessoa de aspecto singular.
Passara a noite nas proximidades, na rua, a negociar o corpo e experimentar toda sorte de riscos. Aquele homem, travestido de mulher, corpo visivelmente deformado por injeções de silicone industrial, conversava com quem chegava.
A cada um oferecia um bom dia. Mas era visto com indiferença, espécie de mal disfarçada repulsa em face de sua aparência, sua condição, seu modo de vida.
Um voluntário da instituição chegou e se dirigiu à recepcionista, depois de responder rapidamente ao cumprimento daquele estranho.
Ficou preocupado que a recepcionista se sentisse, talvez, intranquila, com aquela presença. Então, num sussurro, enquanto preenchia um formulário que lhe fora dado, disse à jovem:
Trata-se de criatura que parece estar à beira do abismo.  O que devemos fazer com aquele que está à beira do abismo, experimentando a derrocada física e moral: empurrá-la abismo abaixo ou puxá-la, conduzi-la para um terreno firme?
A recepcionista pareceu se tranquilizar. E o voluntário, ainda em voz sussurante, lembrou: Se a pessoa vem até aqui, certamente é para receber alguma ajuda, mesmo que não percebamos.
Estamos em um lugar amparado e protegido, bem assistido espiritualmente.
Nisso, outra funcionária chegou. A cena do Bom dia se repetiu da parte daquele homem. Entretanto, o que sucedeu foi surpreendente e enternecedor.
Ele se dirigiu à recém-chegada, perguntando se ela não se chamava Dóris.
Não, respondeu, de forma espontânea, meu nome é Maria.
Aquela resposta ensejou um diálogo, que se prolongou por alguns minutos.
Então, o inesperado aconteceu. O visitante disse que queria um abraço.
A reação de Maria foi abrir os braços e declarar um sonoro: Não seja por isso!
E abraçou aquela criatura, longa, demoradamente, com um carinho tão particular que lembrou os abraços que se dá aos amigos mais chegados.
Suas mãos envolveram as costas do visitante, naquela atitude de roçar levemente, com os dedos, as costas, como quem deseja amplificar os efeitos do seu ato.
Os olhares dos demais presentes na recepção fixaram-se na cena. Era um misto de estupefação, admiração, espanto, surpresa.
E Maria, tranquilamente, como quem não fez nada mais do que o habitual, despediu-se do visitante e se dirigiu ao seu local de trabalho.
O estranho, tendo recebido o que verdadeiramente desejava, também se foi porta afora.

*   *   *

Quem sabe das dores, das incertezas e das dificuldades pelas quais passava aquela pessoa?
Quem sabe das decisões que adotará, depois de receber tão significativa demonstração de interesse, desprendimento, carinho?
Quem sabe para quantos passos distantes do abismo aquele abraço conduziu aquele ser humano?
E aquela mulher, mãe, esposa, trabalhadora e, acima de tudo, verdadeiramente cristã nem se deu conta de como tornou radioso o dia de um desconhecido um tanto sem rumo.
Tudo por causa de um abraço, um verdadeiro abraço.


                                                                   Redação do Momento Espírita

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sempre Há Tempo de Corrigir



Algumas crianças dão sinais muito claros de como será a nova geração.
Uma menina de dez anos fez o pai se desculpar pelo bullying que cometia com um colega de escola.
A vítima era o americano Chad Michael, hoje com trinta e quatro anos.
Ele precisava andar ao lado de professores para não ser perturbado... Pelo fato de ser homossexual.
O time inteiro de futebol americano atormentava o garoto.
Recentemente, Chad recebeu uma mensagem muito especial através do Facebook, vinda de um de seus agressores, Louie Amundson.
A mensagem dizia:
Recentemente eu estava conversando com minha filha de dez anos sobre pessoas que praticam bullying. Ela me perguntou se eu já fiz isso com alguém, e, infelizmente, eu tive que dizer “sim”.
O que veio à minha cabeça é o quão tolo e mau eu era quando você estava no colégio. Quero me desculpar. Se morássemos no mesmo Estado eu me desculparia pessoalmente. Nem sei se você se lembra, mas eu me lembro e sinto muito.
Em entrevista ao jornalThe Mirror, Chad confessou queverteu algumas lágrimas ao ler a mensagem.
Eu sofria bullying por ser diferente, por ser homossexual e ser pequeno. Eu sofria bullying por qualquer motivo que uma pessoa possa sofrer bullying. Era horrível.
Chad desejou responder a mensagem a Louie:
Estou bem comovido com isso. Obrigado. Aceito seu pedido de desculpas. Em vinte anos você foi a única pessoa a se desculpar. Espero que você possa dizer a sua filha que você se desculpou e que nós estamos bem.
É incrível o que vinte anos e filhos podem fazer com a gente, não é?
Ao comentar a resposta que recebeu, Louie disse:
Eu me senti lisonjeado, envergonhado e aliviado ao mesmo tempo. Eu devia desculpas a ele. Ele não me devia o perdão.

*   *   *

Ser devedor de alguém é ter que carregar um peso que não é nosso, que não precisaria ser transportado por nós por tanto tempo...
Temos prova disso quando sentimos o prazer, o alívio, a paz interna da libertação.
É certo que o ato depedir desculpas não nos redime perante a lei ou perante o outro, mas é o primeiro passo rumo ao equilíbrio. É o passo do arrependimento.
Reconhecer que errou é grande vitória da humildade frente ao orgulho, que durante séculos vem sendo vencedor tantas vezes em nossos campos de batalha internos.
Reconhecer o erro é autoconhecer-se, descobrir o que não queremos mais para nós, descobrir um caminho que não vamos mais trilhar.
Reconhecer o erro é diferente de reconhecer-se errado. Não somos errados, estamos ainda acertando e errando, o que é muito diferente. Temos que nos dar novas chances sempre, chances de acertar, chances de começar de novo.
Após o erro e o arrependimento deve vir a vontade de reparar, a vontade de seguir em frente, e não o desânimo por se achar incapaz, por se achar menor.
É o processo educacional do Espírito. Não há vergonha em se equivocar. Há beleza em reconhecer seus desatinos e corrigi-los, pois sempre há tempo de corrigir.
Pensemos nisso: sempre há tempo de corrigir.


  
                                                                   Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Líderes-Modelo




Toda vez que modelos de líderes, de pessoas extraordinárias são apresentados, é comum se ouvir os comentários dos que acreditam que jamais poderão se igualar: Ah, mas ele era um santo. Ele era excepcional.
Contudo, quando se pesquisa a biografia desses homens e mulheres que se destacaram na Humanidade, nos mais variados ramos, o que descobrimos é que não nasceram feitos, prontos.
Ao contrário, percorreram um longo caminho, no qual a persistência, a perseverança, o esforço pessoal foram companheiros constantes.
Recordamos de Gandhi, que é reverenciado como exemplo de liderança da não-violência.
No começo de sua vida, não foi assim. Sua índole e temperamento eram diferentes. Quase o oposto do seu comportamento de Mahatma.
Antes de ir para a África do Sul, era de natureza violenta, egoísta, ambicioso e cruel.
Como advogado, vaidoso e inseguro, usava terno europeu, camisa branca de colarinho engomado, gravata de seda, sapatos de alta qualidade, lustrosamente polidos.
Na África do Sul, morava em uma bela vila inglesa, em área aristocrática da praia.
Amava o dinheiro. Era um autêntico indiano europeizado.
Depois da leitura de um livro de Ruskin, sua visão de mundo se transformou.
Como ele mesmo afirmou: Aquele livro assinalou o ponto decisivo da minha vida.
Mas não foi com facilidade que adquiriu sua posterior calma e serenidade. Nem sem terrível autodisciplina.
Ele realizou um esforço consciente para se modificar. Começou a realizar serviços assistenciais, varrer locais públicos, limpar latrinas.
Transformou-se em um homem de natureza totalmente diversa. E então, nasceu o novo homem, o Mahatma Gandhi.
Diferente não foi com Saulo de Tarso. Orgulhoso, preparava-se na escola de Gamaliel, em Jerusalém, para substituir o mestre.
Conhecido pela sua oratória, estava habituado a receber o aplauso do mundo.
Trajava a túnica do patriciado, utilizava um carro semelhante às bigas romanas, puxado por soberbos cavalos brancos.
Dominava o idioma grego, além da língua hebraica.
Algo semelhante a atualmente vestir-se com um autêntico Giorgio Armani, andar num BMW e expressar-se, com propriedade, no idioma inglês.
Temperamento apaixonado e indomável, rico de agudeza e resolução, aspirava um futuro brilhante para si mesmo.
Defensor ferrenho da lei mosaica, perseguiu os seguidores do Cristo, estabelecendo o terror.
Após o seu encontro com Jesus, às portas de Damasco, modificou-se.
O tribuno transformou-se em escravo do dever, em apóstolo do amor, em defensor da verdade.
Nada lhe foi fácil. Foram três anos no deserto de Dan, onde precisou exercitar o anonimato, a humildade, até se reconciliar com seus perseguidos.
Depois, foi o aprendizado em Antioquia, o serviço anônimo ao semelhante, o ouvir, estudar, refletir.
O retorno à tribuna, agora sem pompa e sem orgulho, para a defesa da Boa Nova, teve que ser pacientemente aguardado.
Só então surge o grande Paulo de Tarso que, de tal forma viveu os ensinos de Jesus que pôde afirmar: Já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim.
Esforço, perseverança, vontade.
Aprendamos com essas criaturas. Elas conseguiram. Também nós conseguiremos.


                                                                   Redação do Momento Espírita