quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Uma Sólida Amizade
No século IV a.C., em Siracusa, na Sicília, havia dois amigos inseparáveis.
Certo dia, o rei Dionísio aborreceu-se ao tomar conhecimento de certos discursos que Pítias vinha fazendo.
O jovem pensador andava dizendo ao público que nenhum homem devia ter poder ilimitado sobre outro. E que os tiranos absolutos eram reis injustos.
Preso, Pítias reafirmou as suas ideias. O que dizia ao povo era a verdade e, portanto, a sustentaria, custasse o que custasse.
Acusado de traição, foi condenado à morte. Como seu último desejo, pediu ao rei que o deixasse dizer adeus à sua mulher e filhos e pôr os assuntos domésticos em ordem.
Dionísio riu do desejo do condenado.
Vejo que, além de injusto e tirano, você também me considera um tolo. Se sair de Siracusa, tenho certeza que nunca mais voltará, disse o rei.
Foi nesse momento que Damon adiantou-se e ofereceu-se como garantia. Ficaria em Siracusa como prisioneiro, até o retorno do amigo.
Pode ter certeza de que Pítias voltará. Nossa amizade é bem conhecida.
Ainda um tanto desconfiado, Dionísio examinou os dois amigos. Alertando Damon que, se Pítias não voltasse, ele morreria em seu lugar, aceitou a oferta.
Pítias partiu e Damon foi atirado na prisão. Muitos dias se passaram. Pítias não voltava e o rei foi verificar como estava o ânimo do prisioneiro.
Seu tempo está chegando ao fim, sentenciou Dionísio. Será inútil implorar misericórdia. Você foi um tolo em confiar em seu amigo. Achou mesmo que ele voltaria para morrer?
Com firmeza, Damon respondeu: É um mero atraso. Talvez os ventos não lhe tenham permitido navegar. Talvez tenha tido um imprevisto na estrada. Guardo a certeza de que, se for humanamente possível, ele chegará a tempo.
Dionísio admirou-se daquela confiança.
Chegou o dia fatal. Damon foi retirado da prisão e levado à presença do carrasco.
Lá estava o rei, sarcástico, gozando sua vitória.
Parece que seu amigo não apareceu. Que acha dele agora?
É meu amigo. Confio nele, foi a resposta de Damon.
Nem terminara de falar e as portas se abriram, deixando entrar Pítias cambaleante.
Estava pálido, ferido e a exaustão lhe tirava o fôlego. Atirou-se nos braços do amigo.
Graças aos céus, você está vivo. – Falou, soluçando. Parece que tudo conspirava contra nós. Meu navio naufragou numa tempestade. Depois, bandidos me atacaram na estrada.
Recusei-me, contudo, a perder a esperança e aqui estou. Estou pronto para cumprir a minha sentença de morte.
Dionísio ouviu com espanto as palavras. Era-lhe impossível resistir ao poder de tal lealdade.
Emocionado, declarou: A sentença está revogada. Jamais acreditei que pudessem existir tamanha fé e lealdade na amizade. É justo que ganhem a liberdade. Em troca, porém, peço um grande auxílio.
Que auxílio? - Perguntaram os amigos.
Ensinem-me a ter parte em tão sólida amizade.
* * *
Amizade é mais que afinidade. Envolve mais que afeição.
A amizade genuína requer tempo, esforço e trabalho para ser mantida. Amizade é algo profundo.
De fato, é uma forma de amor.
Redação do Momento Espírita
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Terapia do Abraço
Um compositor e cantor brasileiro fez sucesso, em anos passados, com uma música intitulada Aquele abraço.
Entre elogios ao Rio de Janeiro, lembrando coisas muito próprias de nosso país, do cenário artístico, inclusive, ele distribuía abraços.
Citava a torcida do seu time de futebol, o bairro de sua eleição, a moça da favela, a banda que apreciava, o povo brasileiro como um todo. Para cada um endereçava: Aquele abraço.
Influenciados ou não pela música, em São Paulo, um grupo de pouco mais de vinte voluntários se formou e se intitulou: Aquele abraço.
O grupo distribui carinho aos dependentes e moradores de rua, dá orientações, organiza banhos e facilita o acesso aos serviços públicos de assistência.
A psicóloga Tina Galvão é uma das voluntárias. Todas as quintas-feiras, a senhora, de mais de setenta anos, desce de seu apartamento, no centro da cidade, e segue em direção à região de tráfico de drogas e prostituição.
No caminho, distribui abraços aos viciados que circulam pelas ruas. Sozinha ou acompanhada, ela não teme andar lentamente por esse lugar violento.
Ela aplica a terapia do abraço e renova a vida de pessoas que a maioria de nós ignoramos.
A aposentada lembra da importância de um gesto atencioso para mudar o rumo de uma vida.
Recorda que aos dezenove anos, sonhava em adentrar a faculdade. Contudo, ela ficava em outra cidade, a quarenta e quatro quilômetros de distância.
Quase desistindo de seu sonho, um gesto providencial lhe renovou as esperanças. Um vizinho, funileiro, que trabalhava para a prefeitura, soube da dificuldade dela e se ofereceu para conduzi-la diariamente, sem cobrar absolutamente nada.
Afinal, ele fazia o trajeto de ida e volta todos os dias.
Tina descobriu que um ato de generosidade tem um valor inestimável mesmo que, para quem o ofereça, possa parecer algo simples, sem muita importância.
E em cada ação que empreende, ela não se esquece de espalhar atos de bondade. Enquanto professora, dava aulas gratuitas na garagem de sua casa, para crianças que não conseguiam vaga na escola.
Como assistente social lutou para que as pessoas tivessem acesso a condições dignas.
Atualmente, milita por melhores políticas públicas para a região central da capital paulista.
Ela sabe que a generosidade une as pessoas, que em situações difíceis somente o apoio e a solidariedade permitem a sobrevivência.
E agradece o ter trabalhado com criaturas à margem da sociedade. Diz que isso a tornou mais sensível, menos ensimesmada, fazendo-a acreditar num mundo mais solidário e menos solitário.
* * *
Há muito bem espalhado pela Terra. O número das pessoas que se preocupa com o seu semelhante é grande. Normalmente, não ocupam as manchetes.
Elas vivem no coração dos beneficiados, de todos aqueles que se contagiam com a sua forma de ser e de se doar.
Também têm seus nomes anotados no livro das pessoas de bem. Um livro que é aberto e consultado por Deus e por Seus mensageiros celestes, sempre que há necessidade de uma alma generosa, na Terra, para atender um irmão necessitado.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Piquenique com Deus
Trazia-lhe conforto caminhar sem rumo. Todos os dias, o costumeiro hábito se repetia: saía muito cedo, próximo das seis da manhã. Não havia destino, não havia pressa.
Vez ou outra parava em alguma praça, se sentava. Observava os pássaros, as árvores. Afagava os cachorros de rua. E tornava a caminhar.
Era assim, desde que morrera sua netinha, há quase três anos. A alegria se fora de seu coração, de sua alma e de seus dias.
Por isso, ele caminhava sem rumo. Como sem rumo estava o seu Espírito. Em suas caminhadas pensava em tudo. Pensava na família, na saudade, em sua solidão, em sua dor. Só não pensava em Deus. Havia perdido a fé, dizia.
* * *
Naquele dia, depois do culto religioso a que fora levado por seus pais, o menino chegou a sua casa decidido: Vou encontrar Deus!
O líder da fé religiosa dissera: Deus está em toda parte. Basta que o busquemos de todo o coração. Assim, o garoto pedira permissão aos pais e fora fazer uma caminhada pela vizinhança, a fim de, quem sabe, encontrar o Criador.
Não se esqueça de levar alguns pastéis, bolo e suco, caso lhe der fome, disse-lhe a mãe.
O menino preparou o lanche em uma mochila e saiu para sua missão.
* * *
Depois de uma longa caminhada, o idoso estava cansado e faminto. Sentou-se num banco de praça.
Não demorou muito apareceu o menino, aparentando a idade que teria sua netinha, se ainda estivesse ao seu lado. Boa tarde, disse.
O idoso respondeu, meio sem jeito. Habituado à sua solidão, deixara de ser sociável.
O rapazinho desatou a falar. Contou sobre sua escola, sua família, suas travessuras, sonhos, projetos, seu desejo de encontrar Deus.
Falou, falou... E, como há muitos anos não acontecia, o velhinho sorriu e até mesmo gargalhou com as peripécias contadas pelo garoto.
Para surpresa daquele homem sofrido, depois de muito falar, o jovem retirou de sua mochila saborosos pastéis, bolo, suco, balas e chocolate. E ambos fizeram um delicioso piquenique.
A tarde chegava ao fim e o menino precisava ir embora. O idoso distendeu a mão para cumprimentá-lo e agradecer pela conversa agradável e pelo lanche delicioso.
Foi quando, ternamente, o menino aproximou-se dele e o estreitou em um longo e demorado abraço.
Grossas lágrimas rolaram pela face marcada pelos anos, pela experiência e pela tristeza, sem que sobre isso ele tivesse controle.
Quando retornou ao lar, a mãe questionou o menino: E então, filho? Encontrou Deus?
Sim, mamãe, e ele comeu alguns pastéis comigo!
E o idoso, questionado por seu filho pela demora inabitual para retornar ao lar, somente pôde responder e o fez sorrindo, como há muito não fazia:
Pois é: demorei. Estava no parque, reencontrando-me com Deus.
* * *
Um sorriso, um olhar, uma palavra amiga, pequenos gestos de carinho e doçura transformam vidas, mudam trajetórias, realizam sonhos.
Temos a capacidade para mudar o mundo. O nosso mundo. O mundo do próximo.
A receita é simples: boa vontade.
Pensemos nisso! Façamos isso!
Redação do Momento Espírita
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
União
Um homem que costumava participar assiduamente de determinado grupo, um dia se afastou sem deixar nenhum aviso.
Após algumas semanas, o líder do grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. Ele encontrou o homem em casa, sozinho, sentado diante de um grande fogo.
Supondo a razão para a visita, o homem lhe deu boas vindas. Depois o conduziu até uma grande cadeira, perto da lareira. E ficou quieto, esperando.
O líder não disse nada. No silêncio sério, contemplou a dança das chamas em torno da lenha ardente.
Após alguns minutos, o líder examinou as brasas. Cuidadosamente, apanhou uma brasa ardente e a deixou de lado.
Então voltou a se sentar e permaneceu silencioso e imóvel. O anfitrião prestou atenção a tudo, fascinado e quieto.
A chama da solitária brasa diminuiu. Houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou de vez. Logo estava frio e morto.
Nenhuma palavra tinha sido dita, desde o cumprimento inicial. O líder, antes de se preparar para sair, recolheu a brasa fria e inoperante, e colocou-a de volta no meio do fogo.
Imediatamente, começou a incandescer uma vez mais, com a luz e o calor dos carvões ardentes, em torno dela.
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião lhe disse:
Obrigado por sua visita e pelo seu sermão. Voltarei ao convívio do grupo.
* * *
Uma pessoa sozinha pode realizar grandes coisas, mas um grupo de pessoas pode revolucionar o mundo.
Uma pessoa pode sanear sua rua, seu bairro. Um grupo unido pode modificar uma cidade inteira.
A mensagem do Cristo é de união. Porque união representa força.
Vinculados a um grupo de serviço, a uma crença religiosa, participemos, dando nossa contribuição ativa.
Somos semeadores do tempo melhor. Somos os pomicultores da Era Nova. A colheita que faremos em nome de Jesus nos caracterizará o trabalho.
Unamo-nos em torno do bem. Demo-nos as mãos e ajudemo-nos.
Esqueçamos opiniões contraditórias e avancemos na busca da aurora dos novos tempos.
Convidados à dinâmica do amor, sejamos os honrados continuadores da obra que o Mestre Jesus nos conclama.
Imprescindível que nos unamos como irmãos e que, afeiçoados a um grupo que labora em nome do amor, calemos disputas e divergências, pensando no bem maior.
O trabalho a que somos chamados, na qualidade de cristãos, é incessante, porque jamais terminaremos o serviço.
Servidores imperfeitos, vivamos o Cristo em nossas atitudes, não deixando que opiniões pessoais e pequenas divergências nos distanciem das tarefas abraçadas e dos irmãos que conosco vibram, no mesmo ideal.
* * *
Quando as clarinadas de um novo dia em luz nos anunciam os chegados tempos do Senhor; quando uma era de paz prepara a nova Humanidade, somos convidados à responsabilidade maior de amar e servir.
Jesus é mais do que um símbolo. É uma realidade em nossa existência.
Não é apenas um ser que transitou da manjedoura à cruz, mas o exemplo, cuja vida se transformou num evangelho de realizações, chamando por nós.
Aprofundemos o pensamento nesse Evangelho de luz, a fim de viver Jesus em toda a plenitude.
Redação do Momento Espírita
sábado, 12 de setembro de 2015
Casamento feliz
Qual o segredo para um casamento feliz?
Todo relacionamento é desafiador. Quanto mais íntimo se faz, mais dedicação nos exige.
Assim, a vida a dois, o compartilhar a nossa existência com outrem, demanda empenho e atenção.
Porém, será possível entender quais as melhores virtudes para construir um casamento feliz?
Se a paixão inicial, e logo em seguida o amor, são fatores indispensáveis, haverá outros valores que necessitam permear a relação?
Pensando nisso, dois psicólogos americanos, John e Julie Gottman, fizeram um estudo com casais para entender o sucesso ou fracasso de um casamento.
Analisaram o comportamento de cento e trinta casais, como eles se relacionavam, como reagiam entre si, em atitudes corriqueiras, como cozinhar, limpar a casa, fazer as refeições.
Baseados em suas percepções, os pesquisadores classificaram os casais em dois grupos básicos.
Passados seis anos, os psicólogos voltaram a analisar os mesmos casais.
Perceberam que os pertencentes ao primeiro grupo continuavam casados e felizes.
Porém, aqueles que foram classificados no segundo grupo, ou estavam separados, ou permaneciam juntos, porém, infelizes.
Ao analisar as causas de sucesso do primeiro grupo, o casal Gottman percebeu que duas virtudes preponderavam na vida desses casais: a bondade e a generosidade.
Os psicólogos perceberam que, a longo prazo, torna-se fundamental e significativo que nas ações diárias, mesmo nas mais corriqueiras, a generosidade e a bondade estejam presentes.
Por exemplo, a esposa se atrasa para um compromisso porque despendeu um tempo maior se arrumando.
A reação do marido poderá ser a de brigar, resmungar e reclamar que ela sempre se atrasa, que nunca consegue cumprir horários.
Ou ele poderá perceber nisso um zelo e cuidado dela para se apresentar em sua companhia, de um jeito especial e da melhor forma.
Se o marido vai ao supermercado e esquece a compra de alguns itens, trazendo metade do relacionado, a esposa pode reclamar, dizer que ele não dá valor às coisas da casa, chamá-lo de distraído e descuidado.
Ou ela poderá lhe agradecer por ter ido ao supermercado, e apenas refazer a lista com o que faltou.
São nos detalhes, nas pequenas observações, nas respostas às perguntas mais simples que conseguimos alimentar a relação com demonstrações de generosidade e de amor.
Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez.
Assim, em nome do casamento que elegemos para nós, analisemos quanto de bondade e generosidade temos para com nosso cônjuge.
Frente à resposta ríspida, utilizemo-nos da bondade da palavra suave e compreensiva.
Substituamos o julgamento severo e rígido, muitas vezes já desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha.
Pensemos nesses detalhes.
Redação do Momento Espírita
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