quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Uma Realeza Terrestre


Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: "O meu reino não é deste mundo"? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o nenhum valor dos reinos da Terra, se eu o não compreendia? Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar mais terrível a lição, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se requestam na Terra!
Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes.
Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer pira chegar ao céu, de onde os degraus de um trono a ninguém aproximam. A ele só conduzem as veredas mais penosas da vida. Procurai-lhe, pois, o caminho, através das urzes e dos espinhos, não por entre as flores.
Correm os homens por alcançar os bens terrestres, como se os houvessem de guardar para sempre. Aqui, porém, todas as ilusões se somem. Cedo se apercebem eles de que apenas apanharam uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem facultar acesso a esta.
Compadecei-vos dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, porquanto a prece aproxima do Altíssimo o homem; é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais. - 

Uma Rainha de França. (Havre, 1863.)

Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 2. Item 8. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Educando Crianças


Como sementes prontas a germinar e ganhar as alturas, assim são nossas crianças quando vêm ao mundo.
Ao lançar os primeiros ramos, arrebentando a terra, toda planta necessita de cuidados especiais.
A fragilidade, a sua pouca resistência, as raízes ainda tênues exigem zelo e atenção.
O terreno fértil, a terra cuidada, a generosidade da água e do adubo favorecem o crescimento rápido e o desenvolvimento adequado.
Assim se dá com nossas crianças. Ao retornarmos ao mundo físico, pela oportunidade da reencarnação, todos enfrentamos o necessário período da infância.
A delicadeza que só a infância oferece, é recurso que a Providência Divina usa para que possamos aprender a amar, quase que em um instante, aquele ser frágil.
E assim, vinculados pelos poderosos laços do amor, possamos encontrar combustível e forças necessárias para a desafiadora tarefa da educação.
As crianças que a bondade celeste nos encarrega de conduzir em seus primeiros passos, são convites da vida para compartilharmos com Deus a tarefa de educar seus filhos.
Compromisso de imensa envergadura é, sem dúvida, das mais nobres missões que podemos assumir.
Porém, como toda missão, requer cuidados e dedicação.
Será na infância que teremos os melhores ensejos de realizar a boa semeadura nos Espíritos que retornam à vida.
Ainda esquecidos do passado e das heranças que trazemos no inconsciente, durante a infância, a educação tem papel de especial relevo.
Assim, será nesse momento que não poderemos esquecer de falar dos valores mais nobres, mas também exemplificá-los à exaustão, para que fiquem impregnados na alma daquele que inicia a vida.
É esse o momento que devemos incutir na alma infantil a nobreza do caráter, falar-lhe dos valores imortais da vida, apresentar-lhe Jesus como Modelo e Guia de conduta.
Durante os primeiros anos, teremos a oportunidade de encontrar terreno fértil para semear nobres ideias e virtudes.
E esses valores, quando bem conduzidos na infância, impregnarão a alma de tal forma, que serão carregados no cofre do coração, ao longo de toda a existência.
Dessa forma, todo aquele que se vê no processo de educar uma criança, não pode abrir mão da oportunidade de oferecer as moedas valiosas e as ferramentas indispensáveis para se formar um homem e uma mulher de bem, no futuro.
Qual zeloso jardineiro, a oferecer os recursos necessários para o desenvolvimento de seu jardim, assim devemos ser todos nós, quando a Providência Divina nos encarrega da educação e formação de Seus filhos.
Educar uma alma, que retorna às lides da vida física, é oportunidade de começar nova história.
Toda criança, embora o corpo frágil e o caráter infantil, é Espírito milenar, que retorna, para novos aprendizados e novas conquistas.
Dessa forma, ensinar mas, acima de tudo, exemplificar os valores e a proposta de vida que Jesus nos oferece, é investimento que renderá dividendos inimagináveis nos cofres do coração de quem retorna à vida física.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Fadas Existem?


Tudo aconteceu assim. Ela completou nove anos. Um dente caiu, em processo natural e, como sempre, ela o deixou no local marcado para ser trocado por um dinheirinho, pela fada dos dentes.
Pois bem: quando a mãe foi colocar o dinheiro e apanhar o dente, encontrou uma carta e uma caneta bem pequena, dessas que se usa como chaveiro.
A carta, entre corações desenhados, dizia: Oi, fada! Espero que você exista.
Bom, eu acho que sim. Mas eu quero a verdade. Se for o meu pai ou a minha mãe, eu vou aceitar numa boa. Se for a fada, vai ser melhor que assine com esta caneta pequena.
Ao final da carta, havia a opção para ser assinalada: Existência – Sim – Não.
E, bem grande, entre mais corações desenhados: Eu acredito em você!
Luciana entrou em pânico. Como responder a uma carta dessas?
Mostrou ao marido que leu, riu e falou: Isso é com você! Vire-se. Eu não tenho a mínima ideia de como responder.
Ela decidiu se aconselhar com os avós da menina. Mariza e Maneco leram com atenção, riram, trocaram ideias e, por fim, Luciana teve como responder para a filha:
Existência: Sim e Não. Assinado: Mamãe Fada e Papai Duende.
Ah! Pegou a gente. Você é realmente muito esperta. Você pediu a verdade e a verdade é que eu acredito em fadas, acredito em duendes, em sereias e em toda a magia que torna a nossa vida mais colorida e encantadora.
A vovó até diz que bruxas existem. Eu acredito. E você?
E ali estavam as opções – Sim. Não.
Depois, virando a página, a mãe ainda escreveu: Você não vê Deus. Mas Ele existe.
Você não vê o amor. Mas ele existe!
Se você pode sentir, então... existe.
No dia seguinte, Marina chegou na cozinha, para o café da manhã, com um lindo sorriso. A mãe ficou aliviada, ao ouvi-la dizer, entregando a carta:
Ah! Peguei vocês de verdade!!!
Quando Luciana abriu a carta, viu que a filha havia marcado um lindo Sim. E bem marcado. Daqueles que se passa a caneta várias vezes para destacar.
*   *   *
Este fato nos mostra como podemos manter a magia da vida, dizendo a verdade.
Afinal, tudo depende da forma como se argumenta, como se explica, como se fala.
As crianças passam pelo período mágico em que tudo tem a ver com o irreal, o faz de conta. Fértil é a imaginação.
Possivelmente, porque, por serem Espíritos imortais, recém vindos da pátria verdadeira, o mundo espiritual, guardam essa informação de que estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas.
Anjos de guarda, Espíritos familiares, Espíritos amigos que nos cercam são interpretados pela criança como esses seres que as lendas, os contos e a imaginação popular denominaram fadas, duendes, seres especiais.
Afinal, não estão tão distantes da verdade. Logo mais, quando melhor entendam, lhes falaremos desses seres que Deus envia para nos atender em nossas necessidades, nos guardarem em nossos percalços e nos auxiliarem em nossa jornada na Terra.
Não há mal em preservar a magia. Não há mal em alimentar a imaginação própria da infância.
O importante é esclarecer, quando preciso se faça, mas ensinar que o mundo em que vivemos e a Espiritualidade que nos rodeia são mais extraordinários do que tudo que a imaginação humana possa ter concebido.
Afinal, tudo emana de Deus e Deus é insuperável!
 

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Transformação


O colunista Sydney Harris (EUA) acompanhava um amigo à banca de jornal.
O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro.
Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Sydy sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:
– Ele sempre te trata com tanta grosseria?
– Sim, infelizmente é sempre assim.
– E você é sempre tão atencioso e amável com ele?
– Sim, sou.
– Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você?
– Porque não quero que ele decida como eu devo agir. Nós somos nossos “próprios donos”. Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mau humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que nos transformam… somos nós que transformamos os ambientes…


Autor desconhecido

domingo, 8 de dezembro de 2013

Paz de Cristo


Quem diz "paz em nome de Cristo", nem sempre observa que a paz, na maioria das vezes, nasce de perigosas situações.
Pensemos em Jesus nas últimas horas do convívio com as criaturas humanas. Preso na véspera do Supremo Sacrifício trazia o espírito preocupado ante a deserção dos discípulos; é conduzido ao cárcere onde sofre agressões e vexames; passa a noite injuriado e açoitado pelos agentes do Sinédrio; é vestido pelos próprios verdugos, de modo a que a multidão não lhe veja as feridas que eles próprios lhe abriram no transcurso da noite; é duramente humilhado na casa de Ántipas; volta ao julgamento e Pilatos, perante o público que o cobria de impropérios, coloca-o inferior a Barrabás, o criminoso; é obrigado a carregar a cruz do suplício e, quase cambaleando, ao peso do lenho, após depô-lo no chão, foi nele cruelmente crucificado.
Esse mesmo Cristo é que volta das sombras do túmulo e fala aos amigos envergonhados:
- "A minha paz vos dou...".
Quem estiver esperando a paz e especialmente a paz de Cristo, recorde o preço da paz obtida por ele, o Divino Mestre e Senhor, e acabará reconhecendo que a paz, muitas vezes, vem até nós, mas através das mais dolorosas e difíceis situações.



Emmanuel / Chico Xavier