domingo, 16 de junho de 2013

Posses


O verdadeiro possuidor é sempre o melhor doador.
O que se tem, se deve. Quando se oferece, se possui.
Na contabilidade da vida, a verdadeira posse se apresenta como o bem que se oferta e proporciona alegria, ao invés de significar o recurso que se armazena, permanecendo inútil.
A verdadeira doação enriquece aquele que a faz, certamente beneficiando quem a recebe.
Convencionalmente, a pessoa que economiza e guarda valores amoedados torna-se rica. Quase sempre, porém, se amesquinha, apaixonando-se pelos haveres de que se faz prisioneira.
Há, em consequência, sistemas que se encarregam de amealhar e ensinar a poupar, gerando as cirandas de investimentos, que permitem conseguir lucros e vantagens.
Os que se tornam ricos dessa forma, vivem em constante ansiedade em relação às oscilações do câmbio, das bolsas, dos títulos, pobres de sentimentos elevados, vítimas da ganância financeira.
A riqueza, em si mesma, não é boa, nem é má, dependendo de quem a usa e de como é utilizada.
Com facilidade gera o apego e o medo de ser perdida.
Empobrece outros indivíduos, enquanto dorme nos cofres da avareza, permitindo que a miséria se generalize.
*   *   *
Aprendamos a repartir, a fim de melhor compartilharmos.
O que tenhamos passa, deixaremos de possuir em algum momento; mas, o que somos permanece, não se consome.
Reflitamos em torno da transitoriedade da existência física e compreenderemos quão urgente é aproveitá-la com sabedoria.
A sucessão inesgotável do tempo demonstra a fragilidade das coisas diante dele. Também demonstra que tudo quanto é terreno tende a se consumir, de forma lenta e progressiva.
Somente as conquistas intelecto-morais têm sabor de eternidade.
Desse modo, busquemos nos enriquecer de aquisições espirituais, que nos alargarão os horizontes do entendimento da vida, melhor apresentando-nos o significado e o objetivo da existência carnal.
Portadores de uma visão correta a respeito de como devamos proceder, iremos nos libertando de incontáveis fatores degenerativos de nossa personalidade e que são responsáveis por problemas, doenças, insatisfações que nos afligem.
Então, não mais disputaremos vaidades, nem nos afetarão agressões, que são de nenhuma importância.
Nossas aspirações serão mais elevadas.
Não nos sentiremos maiores ou menores, de acordo com o jogo das enganosas referências, das inúteis competições do palco terrestre.
Nossas conquistas não serão medidas por aplausos ou vaias.
Viveremos tranquilos, e disporemos de tudo quanto é necessário, sem o tormento dispensável do supérfluo.
*   *   *
A vida nos dá tudo, bastando nosso esforço para consegui-lo.
Também nos toma, sem que possamos reter os bens que não nos pertencem.
Saúde, paz, alegria, trabalho e autorrealização nos sejam as raras moedas de que necessitamos para a jornada humana, que nos abrirão as portas do futuro no rumo da Imortalidade.


Redação do Momento Espírita

sábado, 15 de junho de 2013

Ensinamento


O Instrutor, desdobrando a aula que ministrava aos aprendizes atentos, esclareceu conciso:

- Os homens são professores uns dos outros.

Cada um leciona a matéria que lhe constitui o elemento de trabalho.

Assim vejamos:

O alfaiate, a costura;

O sapateiro, o calçado;

O tecelão; a indústria do fio;

O ourives, a fabricação de jóias;

O pastor, a condução do rebanho;

O horticultor, a produção de verdura;

O carpinteiro, a arte de trabalhar a madeira;

Ante a pausa do professor, o aluno perguntou:

- Professor; e o embriagado também ensina?

- Como não? - respondeu o Instrutor.

- Que é que um bêbado ensina? - insistiu o aprendiz.

E o professor idoso e experiente concluiu:

- Um alcoólatra ensina o que devemos evitar....


Emmanuel / Chico Xavier

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Compreenda o Significado da Paz Profunda



Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar em uma pintura à Paz Profunda.
  
Muitos artistas apresentaram suas telas.

O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve de escolher entre ambas.
    
A primeira era um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho     perfeito onde se refletiam plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um Paraíso muito azul com tênues nuvens brancas.
     
Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a Paz Profunda.
     
A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um paraíso tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com relâmpagos e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.
     
Mas, quando o Rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, em meio ao ruído da violenta turbulência da água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho... Em Profunda Paz!

     O rei escolheu a segunda tela e explicou: — PAZ PROFUNDA não significa estar em um lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo para realizar ou livre das dores e das tentações da encarnação. PAZ PROFUNDA significa que, apesar de estarmos em meio a tudo isso, permanecemos calmos e confiantes no SANTUÁRIO SAGRADO do NOSSO CORAÇÃO. Lá encontraremos a Verdadeira PAZ PROFUNDA, em silenciosa meditação.
              
                                                              Autor desconhecido

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Verdade e a Parábola






   Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

     E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas. 

     Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada. 

     Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante. 

     — Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola. 

   — Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Verdade.

     — Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece. 

     Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.


* 

     Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada. 


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vida Íntima

      

        

Quando pensas na dor, invocas a presença do infortúnio.

Quando meditas no mal, intensifica-lhe o crescimento.

Quando refletes na tristeza, agiganta-se a amargura.

Quando te aconselhas com a desconfiança, golpeias a própria fé.

Quando desejas prazeres inferiores, atrais a força tenebrosa que te

servirá em lastimáveis realizações.

Quando pensas, porém, na alegria do trabalho, o trabalho 

acrescentar-te-á alegria.

Quando meditas no bem, o bem virá em teu auxílio.

Quando te entendes com a fé, o otimismo e a segurança escutará

teu espírito.

Não abandones o campo íntimo.

Teu desejo - tua meta.

Tua consciência - teu condutor.

De nosso próprio coração nasce a corrente que nos levará aos

altos resplendentes da vida ou aos escuros abismos da morte.


Ismael Souto / Chico Xavier