sábado, 6 de junho de 2015

Entes Amados



Referimo-nos aos entes amados como sendo tesouros do coração. Erigem-se na existência, por bênçãos de Deus que nos enriquecem de tranqüilidade e reconforto. São eles pais ou filhos, parentes ou companheiros, irmãos ou amigos que nos entretecem a alegria de viver com o doce magnetismo da afinidade. Para eles voam os nossos melhores pensamentos de carinho e previdência, tolerância e compreensão. Às vezes, supomos encontrar neles as mais nobres criaturas da Terra e, no afã de testemunhar-lhes a confiança e ternura, proclamamos o intento de subtraí-los às dificuldades educativas do mundo, sob o pretexto de livrá-los de sofrimento e tentação. Decerto, semelhante empresa é atenciosamente seguida na Vida Maior pelos instrutores devotados que nos patrocinam a inspiração e a segurança.

A preocupação de prover as necessidades daqueles que estimamos não é tão-somente legítima, é indispensável. E tudo o que pudermos ofertar-lhes em abnegação redundará em sementeira de luz e amor a frutescer, um dia, em amparo e felicidade para nós mesmos.

Habitualmente, contudo, um problema aparece na lavoura afetiva a que nos consagramos: - tranca-se-nos o afeto, em torno das pessoas que a vida nos confiou à dedicação e eis que elas, a pouco e pouco, se transformam em prisioneiras de nossas exigências, sem que venhamos a perceber.

Quando isso acontece, passamos instintivamente a entravar-lhes o passo e a influenciar-lhes, em demasia, o modo de ser. Daí nascem dificuldades e conflitos que é imprescindível saber evitar.

Cada um de nós traz consigo realizações inacabadas, objetivos por atingir, tarefas ou débitos diferentes que, na maioria das ocasiões, não nos permitem a comunhão imediata uns com os outros.

À vista disso, os que desejamos tanto a felicidade das criaturas que se nos fazem extremamente queridas, saibamos respeitar-lhes a independência – o dom da independência que a Lei Divina a todos nos conferiu.

Auxiliemos nosso entes amados a serem eles próprios, com as faculdades que lhes singularizam a alma. Devotemo-nos à construção da felicidade deles, com os mais entranhados sentimentos do coração, mesmo porque as Revelações Divinas nos conclamam incessantemente a amar-nos com entendimento recíproco, mas peçamos a Deus nos ajude a reconhecer-lhes a liberdade, a fim de que escolham os caminhos e experiências que lhes pareçam mais justos à jornada de progresso e elevação, sem que haja cativeiro na vida, nem para eles nem para nós.


Emmanuel, Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Harmonizando Sentimentos




Carlos tinha uma irmã. Toda vez que saía, ele precisava levá-la junto.
E Terry, no conceito do irmão, não era uma boa companheira para as brincadeiras. No jogo de bola, vivia deixando a bola cair.
No jogo de pique, ficava correndo à toa, parecendo folha que o vento carrega de um lado a outro. Enfim, ela não entendia as regras e fazia tudo errado.
Antes do Natal, ele foi ao Shopping Center para comprar um presente para a avó. Como sempre, Terry foi a tiracolo.
E como sempre, atrapalhou. Carlos se sentiu obrigado a comprar uma boneca boba, só porque ela não parava de dizer: linda, linda. E não queria sair daquele balcão.
De mau humor, quando Terry pediu para ir ao banheiro, ele simplesmente apontou a porta, ao fundo do corredor, e a deixou ir sozinha.
Ele a viu tropeçar duas vezes nos degraus. Ela estava toda alvoroçada por estar indo sozinha a um lugar.
Cansado de esperar, depois de dez minutos, considerando a irmã a pessoa mais lerda do mundo, foi procurá-la.
Mas ela tinha desaparecido. Estava perdida. Ele começou a subir e descer escadas. Andou por todos os corredores. Perguntou a pessoas. Nada!
O remorso começou a tomar conta dele. O que diriam seus pais? Com certeza, pensariam que ele fizera de propósito, para ver-se livre dela de uma vez por todas.
E se não a encontrasse nunca mais? Começou a lembrar do cartão de aniversário que ela lhe dera. Sua mãe lera vários cartões e ela escolhera um que dizia: Para o meu querido irmão.
Recordou de quantas vezes Terry enxugava a louça, no lugar dele, porque ela gostava.
Lembrou de como ela conseguia fazer o bebezinho rir, quando ele ficava irritado, por causa dos primeiros dentinhos.
Começou a chorar. E se alguém a estivesse maltratando? E se ela estivesse sozinha e apavorada?
Foi andando mais depressa. As lágrimas escorrendo pelo rosto.
E quase caiu em cima de Terry. Ela estava sentada no chão, com um garotinho no colo. A mãe dele fazia compras e logo elogiou o jeito dela para lidar com bebês.
Carlos teve vontade de gritar com a irmã, bater nela! Queria que ela soubesse o quanto ele tinha ficado assustado com a ideia de perdê-la.
Mas não fez nada disso. Somente deu-lhe um grande e apertado abraço.
Tomou-a pela mão e foram para casa. E descobriu que amava muito aquela irmã. Que ela era importante para a sua vida.
Hoje, ele tem um trato com sua mãe: Metade das vezes que sai para brincar com os amigos, ele vai com Terry. A outra metade, vai sozinho.
E toda vez que ela sai com ele, Carlos a leva com a maior boa vontade.
Este ano, quando Terry fez aniversário, Carlos lhe comprou um cartão com os dizeres: Para uma irmã maravilhosa.
E era de coração.

*   *   *

Ante as limitações de um filho, aprende a observar os demais. Na tua maturidade de pai ou mãe, auxilia-os a se entenderem e se amarem.
Explica ao saudável das carências do outro. Mas não lhe carregue os ombros com a incumbência total de atender ao irmão.
Lembra que, por vezes, ele mesmo pode estar se sentindo preterido pelas tantas atenções que o outro desperta.
Ajuda-o para que se amem, cresçam e conquistem louros da vida, juntos.

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Decálogo da Desobsessão


Não permita que ressentimento ou azedume lhe penetrem o coração. 
Abençoe quantos lhe censuram a estrada sem criticar a ninguém. 
Jamais obrigue essa ou aquela pessoa a lhe partilhar os pontos de vista. 
Habitue-se a esperar pela realização dos seus ideais, trabalhando e construindo para o bem de todos. 
Abstenha-se de sobrecarregar os seus problemas com o peso inútil da ansiedade. 
Cesse todas as queixas ou procure reduzi-las ao mínimo. 
Louve, - mas louve com sinceridade, - o merecimento dos outros. 
Conserve o otimismo e o desprendimento da posse. 
Nunca se sinta incapaz de estudar e de aprender, sejam quais forem as circunstâncias. 
Esqueçamo-nos para servir.


André Luiz - Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Consequências



A Lei de Causa e Efeito nos impele a pensar no regime de responsabilidade em que a vida nos preserva o livre-arbítrio da ação com as reações de compulsória... Vejamos, de roldão, alguns exemplos de atitudes humanas no quadro das conseqüências:

  Aborto provocado numa vida, em muitos casos, suscita mãe sem filhos na existência próxima.
 Esposa ou esposo que abandona o lar, não raro paga tributo de viuvez na romagem seguinte.
 Bailarinos transviados freqüentemente renascem na condição de epilépticos.
 Timoeiros da opinião que abusam do povo, reaparecem no mundo com a mente retardada.
 Delinquentes que empregam fogo na consumação do crime, habitualmente reencarnam predispostos a dermatose de trato difícil.
 Suicidas ressurgem quase sempre nas crianças menos felizes que a morte aparentemente prematura arranca do berço.

Isso, quanto a erro deliberado. Mas todo propósito certo alcança resultados sublimatórios:

  Serenidade nos achaques da velhice avançada constrói a base da maturidade mental precoce no renascimento que se lhe segue.
 Moléstia tolerada resignadamente dá motivo à formação de corpo harmonioso e robusto na volta da alma à esfera física.
 Diligência no estudo quando a experiência terrestre já se mostra em declínio favorece a cultura mais cedo na vida porvindoura.
 Abnegação em calvários domésticos granjeia afetos mais respeitáveis e mais puros na estância futura.
 Devotamento ao próximo, mesmo na fase terminal de longa marcha humana, traz o prêmio da simpatia e de vantagens inúmeras na reencarnação que se lhe sucede.

Suporta com paciência as provas do caminho. Casa em reforma segura precisa agüentar ordens de arquitetos, martelos de pedreiros, alicates de eletricistas, vassouras de garis.
Não admitas que já passou o tempo de melhorar. Cada hora é bendita ocasião de empreender a recuperação de nós mesmos engrandecendo o porvir.


André Luiz - Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 2 de junho de 2015

Uma Nova Edição




Dizem que todo homem, para se sentir realizado, deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.
Plantar uma árvore é fácil. Mesmo que moremos em um apartamento, podemos tomar de um vaso e plantá-la. Pode ser um exemplar minúsculo, um bonsai.
Ter um filho requer responsabilidade, dedicação. Exige tempo e nem todos estamos dispostos a isso. Ou, por vezes, é a vida que não nos permite, por variadas questões que nos envolvem.
Entretanto, sempre podemos nos tornar os protetores de uma vida, de um amigo, um parente, alguém que necessite de apoio. E teremos, mais ou menos, atendido à questão.
Será que escrever um livro é para todos? Naturalmente, se pensamos em escrever, desejamos que seja algo bom, útil, agradável.
E observamos, no mundo, tanta literatura ruim em prateleiras de bibliotecas e livrarias...
O que não nos damos conta, em verdade, é que a nossa vida pode ser comparada com a elaboração de um livro.
Podemos imaginar que, ao nascermos, um livro nos seja colocado nas mãos. Páginas em branco, que iremos preenchendo, dia a dia.
O que nelas escreveremos é decisão de cada um. Verdade é que trazemos, ao renascer, neste planeta, um cabedal de conhecimentos, de virtudes ou de vícios em nossa intimidade.
É o nosso próprio conteúdo. Na medida em que vamos crescendo, ideias, tendências irão se apresentando. Mas, a obra que vamos escrever nesta vida é inédita.
Cada dia pode ser considerado uma linha, cada semana um parágrafo, cada mês, um texto, compondo as tantas páginas os anos que viveremos sobre a Terra.
Podemos escrever um poema pleno de beleza, com versos harmoniosos. Podemos escrever uma oração, uma súplica, um louvor.
Podemos escrever palavras ásperas, de um dia de indignação ou de desespero.
Podemos escrever histórias lindas de superação, de acolhimento, de doação ao próximo.
Podemos retratar os dias de felicidade, junto aos seres amados. A felicidade da chegada de um novo ser à nossa família.
Relataremos as conquistas, os estudos, as viagens, os encontros, reencontros e desencontros.
Registraremos os dias de ventura, de sol, de muitas alegrias. Também aqueles em que a tormenta nos envolveu, um furacão nos roubou, momentaneamente, as esperanças, o frio tomou conta de nosso coração.
Quando nossa vida física se extinguir, teremos o livro pronto: fino, grosso, de poucas ou muitas páginas, de acordo com os tantos anos vividos.
E poderemos folheá-lo e ler, com vagar. Descobriremos detalhes que gostaríamos jamais tivessem sido escritos.
Quantos desajustes por tolices. Poderíamos ter sido mais compreensivos, tolerantes. Quantas páginas poderiam ter palavras mais amenas, menos dolorosas.
Como todo livro impresso, no entanto, esse não poderá ser corrigido senão com nova edição.
Por isso, é que existe a possibilidade da reencarnação. É a oportunidade do Criador nos permitir escrever um novo livro.
Utilizando o nosso livre arbítrio, poderemos reprisar todas as coisas boas que escrevemos. Poderemos evitar aquelas amargas, desagradáveis.
Somente em nós reside este poder: reescrever a nossa história, com letras caprichosas, encadernação luxuosa, dizeres de ouro.
Pensemos nisso. E como ainda transitamos pela Terra, que tal começar a escrever, no livro atual, as páginas de luz que desejamos poder ler, com alegria, ao final desta vida física?


Redação do Momento Espírita