sexta-feira, 5 de julho de 2013

Chamas


Quatro velas estavam queimando calmamente. O ambiente estava tão silencioso que se podia ouvir o diálogo entre elas.
A primeira, expandindo a sua chama, disse: Eu sou a paz. Peregrino pelas estradas do sentimento, buscando morada no coração dos homens. Viajo pelos campos devastados pelas guerras e canto a minha canção aos ouvidos dos que ainda persistem nas batalhas cruentas.
Penetro os lares e espalho o perfume da minha presença. Devo admitir que apesar da minha luz, as pessoas não têm conseguido me manter acesa.
E, diminuindo sua chama, devagarzinho, apagou-se totalmente.
A segunda, mostrando o colorido da sua chama, falou: Eu me chamo fé. Tenho me sentido supérflua entre os homens. Eles se encontram cheios de tanta tecnologia e conquistas que não me escutam. Não querem saber de Deus e das verdades espirituais.
Insistentemente, tenho batido às portas da razão humana, demonstrando que sem a minha luz, logo, logo, quedarão em trevas densas e sofridas. Porque eu sou a chama que se apresenta quando o desengano aparece. Sou a luz que brilha na noite da desilusão. Sou a companheira dos que padecem agruras sem conta.
Mas, como tenho sido rechaçada, não faz sentido eu continuar queimando.
Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente sobre ela e a chama se apagou.
Baixinho e triste, a terceira se manifestou: Eu sou o amor! Não tenho mais forças para queimar. As pessoas me deixam de lado, porque tudo é mais importante do que eu: a carreira, os prazeres, as coisas materiais.
Os homens só conseguem enxergar a si próprios, esquecendo até dos que estão à sua volta.
Dito isto, o amor recolheu a sua chama e se apagou.
De repente, entrou uma criança. Olhou as três velas apagadas e falou, espontânea:
Que é isso? Vocês devem ficar acesas e queimar até o fim!
Foi daí que a quarta vela, que havia permanecido queimando, sem nada dizer, falou: Não tenha medo, criança. Nem se preocupe. Enquanto a minha chama estiver acesa, podemos acender as outras velas.
Então a criança apanhou a vela da esperança e acendeu novamente as velas da paz, da fé e do amor.
*   *   *
A esperança é a virtude através da qual o cristão confia em receber a misericórdia de Deus na Terra e a plenitude espiritual após a morte do corpo físico.
A vida, sem a esperança, perde o colorido e as suas elevadas motivações porque é a esperança que concede forças para enfrentar os desafios e vencer as vicissitudes que surgem a cada passo.
Ninguém consegue viver com alegria sem o concurso da esperança.
Esperança de melhores dias. Esperança de realizações superiores. Esperança de paz. Esperança de fé. Esperança de amor. Esperança de elevação.
A esperança faz claridade que ilumina o caminho. Com esperança, o homem aprende a ver o lado melhor dos acontecimentos, não se permite o insucesso e não receia repetir a experiência.
 

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O Lenhador e a Raposa


Existiu um Lenhador que acordava as 6 da manhã e trabalhava o dia inteiro cortando lenha, e só parava tarde da noite.

Esse lenhador tinha um filho, lindo, de poucos meses e uma raposa, sua amiga, tratada como bicho de estimação e de sua total confiança. 

Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de seu filho.

Todas as noites, ao retornar do trabalho, a raposa ficava feliz com sua chegada. Os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um bicho, um animal selvagem; e portando, não era confiável. Quando ela sentisse fome comeria a criança.

O lenhador sempre retrucando com os vizinhos, falava que isso era uma grande bobagem. A raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos insistiam: – “Lenhador abra os olhos! A raposa vai comer seu filho.” - “Quando sentir fome, ela comerá seu filho! ”

Um dia o lenhador muito exausto do trabalho e muito cansado desses comentários, ao chegar em casa, viu a raposa sorrindo como sempre e sua boca totalmente ensanguentada… o lenhador suou frio e sem pensar duas vezes acertou o machado na cabeça da raposa…

Ao entrar no quarto, desesperado, encontrou seu filho no berço dormindo tranquilamente e ao lado do berço uma cobra morta… O lenhador enterrou o machado e a raposa juntos.

Se você confia em alguém, e esse alguém merece sua confiança, não importa o que os outros pensem a respeito. Siga sempre o que diz seu coração. Não se deixe influenciar…

Autor Desconhecido                                                                                    

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Professores Diferentes



Entre familiares e amigos e ante os problemas a resolver, tens a oficina do teu aperfeiçoamento.

Problemas na emoção e no pensamento, na palavra e na ação, no lar e no trabalho, no caminho e nas relações.

Segues, assim, junto deles, como quem convive com múltiplos instrutores num educandário.

Muitos pedem paciência; outros, sacrifício.

Alguns te adestram em impiedade ou te ferem com a ingratidão, para que aprendas a perdoar.

E as lições surgem como testes inevitáveis.

Ora, é o esposo que deserta, duplicando-te as obrigações; ora é a esposa que se rebela aos compromissos, agoniando-te as horas.

Ora os pais te contrariam as esperanças, ora os filhos te aniquilam os sonhos ou amigos se fazem duros entraves no serviço a fazer.

Problema não aparece por acaso. Por isso, é imperioso te armes de amor para a luta íntima.

Fugir da dificuldade, porém, seria debandar, menosprezando as exigências da educação.

Mantém serenidade, certo de que o destino te devolve antigos parceiros para acerto de contas.

Emmanuel  - Chico Xavier

terça-feira, 2 de julho de 2013

Para o Resto de Nossas Vidas


Existem coisas pequenas e grandes, coisas que levaremos para o resto de nossas vidas.
Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas, depende de cada um, depende da vida de cada um de nós.
Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcaram e irão nos marcar, que irão mexer com a nossa existência em algum instante.
Provavelmente iremos pela vida afora colecionando essas ocorrências, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu em nossos dias, que deixou marcas; cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas, isso, serão marcas. Umas mais profundas, outras superficiais, porém, com algum significado também.
Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para terceiros, talvez não tenham a menor importância, pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num determinado momento.
Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu, um cartão de Natal, uma palavra amiga num momento preciso.
Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas em nossas memórias.
Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram objeto do nosso amor e, ainda outras por terem nos magoado profundamente – essas que aguardam nosso perdão.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou de tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou de realidades.
Pensemos sempre que hoje é só o começo de tudo, e que se houver algo de errado, ainda está em tempo de ser mudado, e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos.
*   *   *
A vida não é uma correnteza bravia que nos leva adiante, ou, pelo menos, não deveria ser.
Precisamos saber que estamos no comando de nossa embarcação, e que somos nós que escolhemos as direções, as velocidades, os destinos.
Não nos deixemos levar pelo transcorrer dos dias. Não deixemos a vida passar por nós e, sim, passemos pela vida, conscientes de tudo, do que devemos fazer, de quem precisamos amar, de quem precisamos perdoar.
A vida não é uma correnteza bravia que nos leva adiante, é o rio que vislumbramos do alto da cabine de comando de nosso Espírito, o rio que devemos percorrer empregando todo o nosso esforço.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Felicidade Simples


O que verdadeiramente nos faz felizes? Se alguém nos fizer esta pergunta, ou se nós mesmos fizermos esta pergunta ao nosso coração, qual será a resposta?
Pensemos se o carro que temos nos faz felizes por completo. E nossa casa, ela tem a capacidade de nos fazer plenamente felizes?
Pensemos nos nossos bens materiais, na roupa cara, na conta do banco, nos adornos... Isso nos faz efetivamente felizes?
Vários pesquisadores, ao estudarem as causas da felicidade, chegam sempre a conclusões muito semelhantes.
Nossa felicidade não se constrói com o aumento do salário, com o ganhar na loteria, com algum bem caro que possamos adquirir.
Mesmo que mudemos nosso patamar de vida, que passemos a ganhar o dobro ou o triplo do salário, isso não é sinônimo de uma verdadeira felicidade.
Rapidamente nos adaptamos a um novo estilo de vida, a um novo padrão de consumo, e o que, no início, parecia ser felicidade, torna-se trivial e cotidiano.
Porém, muitos nos iludimos achando que a felicidade mora no ter, no possuir, no aparentar, no exibir.
Imaginamos que a felicidade estará naquilo que é difícil de se obter, no objeto raro, no produto caro, que sonhamos um dia possuir.
Porém, a felicidade verdadeira e perene é simples e modesta.
Se não a temos, é porque complicamos a vida, e assim não conseguimos entender e aprender como buscar a felicidade.
As moedas que compram a felicidade são apenas aquelas que conseguimos guardar no cofre do coração.
Não raro, nos lares humildes, nos ambientes de carência socioeconômica, encontramos olhares felizes, corações plenos.
Não menos frequente, vemos na opulência e na fartura de bens terrenos grassarem os desequilíbrios e dores de grande monta.
Assim, se anelamos a felicidade, devemos investir no tesouro correto.
Analisemos qual a qualidade das moedas que guardamos em nosso coração.
Percebamos quais valores estamos juntando em nossos cofres íntimos.
Serão sempre eles que nos traçarão o destino da felicidade ou da desdita.
Não falamos aqui da felicidade que imaginamos haver no riso fácil, no brilho social, no sucesso das capas de revista.
Por não se sustentarem, não preencherem a alma em plenitude, são momentos efêmeros e passageiros.
Porém, se guardamos a consciência tranquila, o olhar sereno, a espinha ereta da boa conduta, usufruiremos, certamente, da felicidade.
Mesmo sob o guante da doença, ainda que sob vendavais intensos da vida, ou mesmo quando na ausência dos amores que partem, perceberemos que os valores que guardamos no coração são nossos tesouros.
Nenhuma moeda de ouro, nenhuma grande conquista financeira, muito menos uma grande conta bancária.
Independente daquilo que temos, ser feliz é o simples resultado de como agimos e do que conquistamos para nosso coração.
Em suma, a felicidade nasce da simples equação de bem nos conduzirmos na vida, perante nós mesmos, perante nosso próximo e perante Deus.

Redação do Momento Espírita.