segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Valor das Coisas



Era uma vez um homem que tinha muitos pés de romãs em seu pomar.
 
Por muitos outonos ele colocava suas romãs em bandejas de prata, do lado de fora de sua casa, e em cima punha cartazes com os seguintes dizeres:
 
Apanhe uma, de graça. Seja bem-vindo.
 
As pessoas passavam, olhavam, mas nenhuma delas apanhava uma fruta.
 
Então, depois de muitos outonos, o homem refletiu e tomou uma decisão. No próximo outono ele não pôs as romãs em bandeja de prata fora de sua residência. Pôs apenas um cartaz bem alto que dizia:
 
Temos aqui as melhores romãs da terra, mas as vendemos por um valor maior que quaisquer outras romãs.
 
Qual não foi sua surpresa quando todos os homens e mulheres da vizinhança vieram correndo comprar.
 
* * *
 
Essa pequena parábola de Khalil Gibran, embora pareça simples, nos traz lições valiosas.
 
Nos dias atuais há pessoas que, a exemplo daquele povo, desprezam as coisas simples ou que são de graça e passam a valorizá-las quando têm que pagar alto preço por elas.
 
É um conceito equivocado de que o que é de graça ou muito barato, não presta.
 
Se ouvimos o anúncio de um espetáculo qualquer, um concerto, uma peça teatral, cuja entrada seja franca, logo pensamos que não vale a pena assistir.
 
Se é o convite para uma palestra em que não se cobrará ingresso, logo imaginamos que não pode ser coisa boa.
 
Mas, se ao contrário, ouvimos a chamada para uma palestra de um profissional qualquer, cujo ingresso custará um alto valor, ficamos logo entusiasmados e pensamos que vai ser muito boa.
 
O que costumamos fazer, nesses casos, é julgar o valor das coisas pelo seu preço, o que nem sempre é uma realidade.
 
O verdadeiro afeto de um amigo, por exemplo, não é cobrado. E muitas vezes nós não o valorizamos tanto quanto valorizamos um cliente, que significa para nós um investimento financeiro.
 
O carinho de uma mãe não nos custa nada, mas é mais valioso que qualquer bem da Terra.
 
Há muitas coisas que nos chegam de graça, mas são de valor inestimável. Talvez seja por isso que não tenham preço em moeda.
 
O ar que respiramos nos chega gratuitamente, e sem ele não viveríamos.
 
A água que nos sustenta a vida, Deus nos dá de graça.
 
O perfume que as flores espalham, não nos custa nenhum centavo.
 
O sol que nos aquece e ilumina, jamais nos foi cobrado.
 
E o maior palestrante, professor, pedagogo, psicoterapeuta, médico e amigo da Humanidade que a Terra conheceu, nunca cobrou um único centavo por Seus ensinamentos, e foram dos mais valiosos que se tem notícias.
 
E é possível que, se Jesus fosse proferir o Sermão da Montanha em nossa cidade, no dia de hoje, com entrada franca, pouca gente compareceria.
 
* * *
 
É importante que passemos a ver as coisas pelo seu real valor e pela importância que pode representar em nossas vidas.
 
Há coisas que custam muito e nada acrescentam na nossa economia moral.
 
E há outras que não custam nenhuma moeda, mas que são de alta valia para nosso bem-estar físico e mental.
 
Pense nisso!
Redação do Momento Espírita.

domingo, 4 de novembro de 2012

Cala a Boca



A maioria dos pais deseja que seus filhos sejam felizes. Que cresçam com saúde. Que sejam amados, inteligentes, que conquistem louros na escola, na profissão, na vida.

Apesar disso, nem sempre conseguem seu intento.
Por mais que desejem, por mais que se empenhem, por vezes um dos seus filhos, quando não todos eles, detestam a escola.
Alguns têm problemas de relacionamento, ou não desejam trabalhar, ou, ainda, se envolvem com drogas, crimes, etc.
Muitas vezes nos questionamos: "Por que?
Não teremos nos empenhado o suficiente? Onde teremos falhado?”
Não devemos esperar que nossos filhos sejam perfeitos, desde que a perfeição não é deste planeta onde vivemos.
Temos que nos preocupar em transformar nosso filho em um homem de bem, bom o bastante para viver no Mundo e servir ao Mundo.
Com tal disposição, é importante que repensemos a nossa função educativa, como pais.
Dentro do lar, às vezes agimos de forma a invalidar as teorias, ou seja, desmentimos na ação o que aconselhamos aos filhos.
Uma das frases mais ditas, possivelmente, para as nossas crianças, é o famoso "Cala a boca!"
Normalmente, a frase cai como um raio sobre um pirralhinho que já repetiu a mesma questão, pelas nossas contas, mais ou menos umas dez vezes.
De verdade, será talvez a quinta. Nossa impaciência é que multiplica de forma equivocada.
Consideremos que a criança é repetitiva mesmo. Faz parte do seu desenvolvimento infantil a repetição, para fixar conceitos e frases que ela vai aprendendo.
Freqüentemente, é preciso explicar dezenas de vezes a mesma coisa para que ela entenda.
E aquela bateria de: "Por que, hein?" leva muitos pais à exaustão.
Mas se a criança está repetindo, se ela está perguntando outra vez, é porque sente a necessidade de uma compreensão que lhe seja satisfatória.
Por isso, não tem jeito. É preciso se munir de paciência, responder, e responder.
Mesmo porque, caso contrário, os pais podem criar um filho que tem medo de falar, medo de se exprimir, medo de ser repreendido.
Uma criança com esse tipo de insegurança poderá ter dificuldades na escola, pois não entenderá o que foi explicado, mas jamais perguntará.
Nas questões afetivas também terá problemas. Não falará o que pensa, por medo ou insegurança.
Perguntar faz parte do aprendizado. Pensemos bem: não é verdade que a nossa impaciência estoura sobre o pequeno, não porque estejamos cansados de responder os porquês, mas porque não sabemos respondê-los?
Afinal, quem de nós vai saber explicar para o pequenino por que a lua é redonda? Por que a formiguinha anda em fila indiana? Por que ele deve colocar a jaqueta que detesta só porque nós estamos com frio?
Calma deve ser a nossa tônica todos os dias. Dar as explicações necessárias, sem nos alongar muito, nem complicar a resposta.
E lembremos de uma coisa: pessoas educadas não mandam as outras calarem a boca. Demos o exemplo para os nossos filhos.
Você sabia?
...que nossos filhos são Espíritos reencarnados que já passaram por muitas existências?
Por esse motivo não lhes tiremos as oportunidades de aprendizado, nem lhes soneguemos informações, pois eles são filhos de Deus, tanto quanto nós, a caminho da evolução.

Redação do Momento Espírita.

sábado, 3 de novembro de 2012

Em Viagem

 
 A existência terrestre é uma viagem educativa.

Começa na meninice, avança pelos caminhos claros da plenitude física, e altera-se na noite da enfermidade ou da velhice,para renovar-se, além da morte.

Reparemos, pois, como seguimos.

Não nos agarremos aos bens materiais, senão no estritamente necessário para que nos façamos valioso irmão no concurso aos companheiros de jornada e útil a nós mesmos.

Há muitos viajores que sucumbem na caminhada sob pesados madeiros de ouro a que se atam, desorientados.

Não reclamemos devotamento do próximo, e, sim, amemos e auxiliemos a todos os que se aproximem de nós, para que nosso amor não desça do Alto aos tenebrosos despenhadeiros do exclusivismo.

Não prossigamos viagem guardando ressentimento, para que não aconteça de nos prendermos impensadamente aos labirintos do ódio.

Muitos viajantes, a pretexto de fazerem justiça, tombam, insensatos, em escuras armadilhas da crueldade e da intriga, com incalculáveis prejuízos no tempo.

Recordemos que iniciamos a excursão terrestre sem qualquer patrimônio e encontramos carinhosos braços de mãe que nos embalaram, amparando-nos, em nome do Eterno.

Lembremo-nos de que nada possuímos, à frente do Pai Celestial, senão nossa própria alma e, por isso mesmo, só emnossa alma amealharemos o tesouro que a ferrugem não consome e que as traças não roem.

Prazer e dor, simplicidade e complexidade, escassez e abastança, beleza da forma ou tortura do corpo físico, são simplesmente lições.

O caminho do mundo, que atravessamos cada dia, é apenas escola.

Nossos afetos mais doces são companheiros com tarefas diferentes das nossas.

Sigamos sem imposição, sem preguiça, sem queixa nem exigência.

O corpo é nosso veículo santo.

Não lhe desrespeitemos a harmonia.

A experiência é nossa instrutora.

Não lhe menosprezemos o ensinamento.

*   *   *

Estamos todos em viagem.

Sabemos quando chegamos, mas não conhecemos a data de nossa partida.

Todo tempo aqui deve ser muito bem aproveitado.

Toda companhia, agradável ao coração ou não, merece nosso respeito e atenção, pois não está ali por acaso.

Como viajor que sabe aproveitar as belezas do novo país que conhece, saibamos aprender com a vida, estudá-la em suas mais sutis lições de amor.

Não percamos tempo com implicâncias injustificadas, ódios gratuitos e prazeres efêmeros. A existência é muito maior do que isso.

*   *   *
 
Redação do Momento Espírita com base
no cap. 8, do livro
Caridade, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier,

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Princípios Redentores



Não se esqueça de que Deus é o tema central de nossos destinos.

Deseje o bem dos outros, tanto quanto deseja o próprio bem.
Concorde imediatamente com os adversários.
Respeite a opinião dos vizinhos.
Evite contendas desagradáveis.
Empreste sem aguardar restituição.
Dê seu concurso às boas obras, com alegria.
Não se preocupe com os caluniadores. 
Agradeça ao inimigo pelo valor que ele lhe atribui.
Ajude as crianças.
Não desampare os velhos e doentes.
Pense em você, por último, em qualquer jogo de benefícios.
Desculpe sinceramente.
Não critique a ninguém.
Repare seus defeitos, antes de corrigir os alheios.
Use a fé e a prudência. 
Aprenda a semear, preparando boa ceifa. 
Não peça uvas ao espinheiro. 
Liberte-se do peso de excessivas convenções.
Cultive a simplicidade.
Fale o menos possível, relativamente a você e a seus problemas.
Estimule as qualidades nobres dos companheiros.
Trabalhe no bem de todos.
Valorize o tempo.
Metodize o trabalho, sabendo que cada dia tem as suas obrigações.
Não se aflija.
Sirva a toda gente sem prender-se.
Seja alegre, justo e agradecido.
Jamais imponha seus pontos de vista.
Lembre-se de que o mundo não foi feito apenas para você.


As ciências sociais de hoje apresentam semelhantes princípios como novidades. No entanto, são antigos. Chegaram à Terra, com o Cristo, há quase vinte séculos. Nós outros, porém, espíritos atrasados no entendimento, somos ainda tardios na aplicação.


(André Luiz, de "Agenda Cristã", de Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Depressões


Se trazes o Espírito agoniado por sensações de pessimismo e tristeza, concede ligeira pausa a ti mesmo, no capítulo das próprias aflições, a fim de raciocinar.
Contratempos do mundo estarão constantemente no mundo, onde estiveres.
Circunstâncias constrangedoras, assemelham-se a nuvens que aparecem no firmamento de qualquer clima.
Agradar a todos, ao mesmo tempo, é realização impossível.
Fracassos de hoje são lições para os acertos de amanhã.
Problemas enxameiam a existência de todos aqueles que não se acomodam com estagnação.
Compreendendo a realidade de toda pessoa que anseie por felicidade e paz, aperfeiçoamento e renovação, toda vez que sugestões de desânimo nos visitem a alma, retifiquemos em nós o que deva ser corrigido e abraçando o trabalho que a vida nos deu a realizar, prossigamos à frente.


(Emmanuel / Chico Xavier)