domingo, 29 de junho de 2014

Com Ardente Amor


Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros.” — Pedro. (1ª Epístola a Pedro, cap. 4, v. 8.)

Não basta a virtude apregoada em favor do estabelecimento do Reino Divino entre as criaturas.
Problema excessivamente debatido — solução mais demorada...
Ouçamos, individualmente, o aviso apostólico e enchamo-nos de ardente caridade, uns para com os outros.
Bem falar, ensinar com acerto e crer sincera-mente são fases primárias do serviço.
Imprescindível trabalhar, fazer e sentir com o Cristo.
Fraternidade simplesmente aconselhada a outrem constrói fachadas brilhantes que a experiência pode consumir num minuto.
Urge alcançarmos a substância, a essência...
Sejamos compreensivos para com os ignorantes, vigilantes para com os transviados na maldade e nas trevas, pacientes para com os enfermiços, serenos para com os irritados e, sobretudo, manifestemos a bondade para com todos aqueles que o Mestre nos confiou para os ensinamentos de cada dia.
Raciocínio pronto, habilitado a agir com desenvoltura na Terra, pode constituir patrimônio valioso; entretanto, se lhe falta coração para sentir os problemas, conduzí-los e resolvê-los, no bem comum, é suscetível de converter-se facilmente em máquina de calcular.
Não nos detenhamos na piedade teórica.
Busquemos o amor fraterno, espontâneo, ardente e puro.
A caridade celeste não somente espalha benefícios. Irradia também a divina luz.

(Emmanuel - Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Caminhão de Mudança


Dia desses vi um caminhão de mudança. Não era desses bonitos, carroceria fechada, dos quais somente se sabe que serve para fazer transporte de móveis porque está com uma enorme logomarca da empresa que o identifica.
Era um caminhão de carroceria aberta. E estava cheio de armários, cama, mesa, cadeiras, fogão, um sofá vermelho desbotado. Entre os móveis, panos separando uns dos outros, a título de proteção.
Não estragar o que já era tão velho, tão antigo, tão usado. Alguns desses panos tremulavam ao vento, imitando bandeiras amarelas, vermelhas, brancas.
Feito uma lona, um tapete velho estava jogado sobre parte da mudança, como se pudesse cobri-la. Mas, a carroceria baixa, de madeira, com os flancos descobertos, deixava à mostra toda a intimidade dos objetos de uso.
Um colchão estava no topo da carga. À medida que o caminhão avançava pelas ruas asfaltadas, o colchão balançava e permitia ver que estava marcado, demonstrando muito uso.
Sol do meio-dia. O caminhão prossegue no seu rumo. Cordas enviesadas amarram aqueles pertences, conteúdo de algumas vidas.
A impressão que se tem é de que o dono da mudança pede desculpas, à medida em que o veículo passa, por enfear as ruas elegantes do bairro nobre pelo qual transita, em direção à periferia.
Perguntas ficam no ar. O que fez com que o dono dessa mudança esteja trocando de endereço? Terá sido despejado? Terá ocorrido uma separação do casal e os bens estão sendo divididos?
Será uma família que se está transferindo para uma nova vizinhança? Será ou não bem aceita nesse novo local para onde se dirige?
As crianças estarão deixando amigos? Existe uma família ou o dono da mudança vai morar só?
As respostas bailam na imaginação dos passantes. Verdade é que aqueles poucos móveis registram histórias de pessoas comuns, pessoas lutadoras, pessoas que fazem planos, pessoas que tiveram seus planos destroçados, pessoas que acreditam ou talvez pessoas que tenham perdido toda esperança.
*   *   *
Um caminhão de mudanças, alguns móveis... E quantas perguntas... Quanto a nossa imaginação se agita, pensando no que cada uma daquelas peças representa na vida de uma ou de várias pessoas.
E, por fim, pensamos que talvez, o dono daqueles objetos possa ter partido para a Espiritualidade e a casa onde morava foi esvaziada.
E tudo o que representou o seu tesouro na Terra está ali, na carroceria daquele caminhão.
Então, nos acode à mente de como somos frágeis e passageiros. Hoje estamos aqui e amanhã poderemos estar em outra dimensão.
E tudo de que nos servimos, o que se constituiu nossa propriedade ficará por aqui, para ser levado para algum lugar, para servir a outras pessoas, ou simplesmente ser descartado.
De nós, no mundo, somente restarão as lembranças do que fomos e do que fizemos, do amor que cultivamos nos corações, dos benefícios que produzimos, das vidas que influenciamos.
E seremos Espíritos livres, numa outra realidade, empreendendo nova jornada para a continuidade do progresso até a perfeição.
Pensemos nisso e utilizemos os bens materiais com a sabedoria de quem tem certeza de que eles são apenas empréstimos temporários.
Sirvamo-nos deles mas treinemos desapego porque nós somos passageiros em trânsito, na nave chamada Terra.
Pensemos nisso.
 

Redação do Momento Espírita, a partir de
pensamentos de Noeval de Quadros.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A Voz do Coração


Encontramos, no seio da cultura greco-romana, a origem da relação existente entre coração e sentimentos.
Naquela época não se conheciam as diversas funções cerebrais e, além disso, o coração é o órgão que registra de maneira mais sensível a variação de nossas emoções.
Quem nunca sentiu o coração disparar ao abraçar um grande amor, ao levar um susto, ao sentir medo, ao sentir raiva?
A origem da palavra coração é um tanto incerta. Na Grécia Antiga, havia a palavra kardia, amplamente utilizada até hoje na língua portuguesa, como é o caso, por exemplo, do vocábulo cardíaco.
Em Roma, tínhamos a palavra cor ou cordis, das quais deriva uma infinidade de palavras que dão a ideia da ligação entre o coração e os sentimentos.
Tal é o caso da palavra concordar, formada pelas palavras latinas con e cordis, isto é, com coração. Ou seja, quando duas pessoas concordam, é porque seus corações estão juntos, unidos.
Recordar, por sua vez, quer dizer trazer novamente ao coração, da mesma forma que saber de cor significa saber com o coração.
Como último exemplo, temos o vocábulo coragem que significa viver com o coração, ou seja, viver de acordo com o que diz o coração.
Embora os avanços da neurociência e a descoberta de como se processam nossas emoções, a verdade é que o coração continua a ser, figuradamente, a sede dos sentimentos.
Expressões como o amor que há em meu coração, por exemplo, são bem comuns em nossa sociedade.
O próprio Jesus utilizou-se dessa figura de linguagem. O Evangelista Mateus, no capítulo onze de seu Evangelho, registra as palavras do Cristo: Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.
*   *   *
Você já parou hoje para ouvir a voz de seu coração?
Em nossas vidas, tantos são os compromissos, as responsabilidades, que passamos semanas sem darmos um minuto de atenção a nós mesmos.
De repente, ao longo do dia, sentimos aquela vontade quase irresistível de telefonarmos para nossos pais, para nosso marido, esposa e simplesmente dizermos: Oi, tudo bem? Eu te amo!
Nosso coração anseia por tal gesto, mas tantos são os deveres a serem cumpridos, as metas a serem alcançadas, que simplesmente deixamos para depois. E esse depois nunca chega.
Então nos lembramos daquele velho amigo tão querido, que há tempo não vemos. O coração se enche de saudades e pede para que façamos uma ligação, marquemos um encontro, convidemos para um jantar.
Porém, nesta semana, a agenda está cheia de compromissos e na outra também. Por isso, deixamos para daqui duas semanas. Mas as obrigações são diversas. As duas semanas se passam e com elas a lembrança da ligação.
*   *   *
A voz do coração é doce, melodiosa, terna, humilde. É um convite gentil.
Jamais se impõe e jamais se contradiz.
Entretanto, para ouvi-la, é necessária a conscientização da alma, a entrega dos sentidos e o desapego das horas.
Conscientize-se. Sinta. Entregue-se. Desapegue-se.
Ouça o seu coração.
 

Redação do Momento Espírita.

domingo, 22 de junho de 2014

O Que é a Carne?


"Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito." - Paulo. (GÁLATAS, capítulo 5, versículo 25.)

Quase sempre, quando se fala de espiritualidade, apresentam-se muitas pessoas que se queixam das exigências da carne.

É verdade que os apóstolos muitas vezes falaram de concupiscências da carne, de seus criminosos impulsos e nocivos desejos. Nós mesmos, freqüentemente, nos sentimos na necessidade de aproveitar o símbolo para tornar mais acessíveis as lições do Evangelho. O próprio Mestre figurou que o espírito, como elemento divino, é forte, mas que a carne, como expressão humana, é fraca.

Entretanto,  o que é a carne?

Cada personalidade espiritual tem o seu corpo fluídico e ainda não percebestes, porventura, que a carne é um composto de fluídos condensados? Naturalmente, esses fluídos, em se reunindo, obedecerão aos imperativos da existência terrestre, no que designais por lei de hereditariedade; mas, esse conjunto é passivo e não determina por si. Podemos figurá-lo como casa terrestre, dentro da qual o espírito é dirigente, habitação essa que tomará as características boas ou más de seu possuidor.

Quando falamos em pecados da carne, podemos traduzir a expressão por faltas devidas à condição inferior do homem espiritual sobre o planeta.

Os desejos aviltantes, os impulsos deprimentes, a ingratidão, a má-fé, o traço do traidor, nunca foram da carne.

É preciso se instale no homem a compreensão de sua necessidade de autodomínio, acordando-lhe as faculdades de disciplinador e renovador de si mesmo, em Jesus-Cristo.

Um dos maiores absurdos de alguns discípulos é atribuir ao conjunto de células passivas, que servem ao homem, a paternidade dos crimes e desvios da Terra, quando sabemos que tudo procede do espírito.

Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Música Celeste


Por um momento, imagine a grandeza do Cosmo.
Estimam os cientistas que, há quase quatorze bilhões de anos, houve uma explosão de luz e nasceu o nosso Universo.
A ciência chama a isso de Big Bang. Para os espiritualistas, ali está a presença de Deus, criando todas as coisas, pronunciando as doces palavras: Que se faça a luz!
E a luz se fez: bilhões e bilhões de sóis passeiam, solenes, na sinfonia dos mundos.
Em torno desses sóis, trilhões de planetas, satélites e asteroides executam a dança silenciosa das harmonias celestes.
Giram planetas sobre si mesmos. Giram em torno de sóis. Giram os sóis e seu cortejo acompanhando o caminhar das galáxias. Ritmo e graça em toda parte.
Aqui e ali, um cometa – asteroide obscuro – se aproxima de uma estrela. E de repente é invadido pela luz.
Eis que se acende inteiro, como um fósforo cósmico. Então se vai, arrastando sua cauda de poeira e gás, a semear a vida pelos mundos.
Mas, em um desses trilhões de planetas, sob a luz amarela de um sol, os moradores de um certo planeta - a Terra - se orgulham de ser maiores que os demais.
Vista do espaço, a Terra é um pequeno grão de areia, lindo, que passeia seu azul pelo espaço infinito.
Mas seus habitantes são como crianças: brigando sempre, acreditando-se senhores da vida, donos dos céus.
Ah, se pudéssemos nos ver no conjunto do Universo, minúscula gota no grande oceano da Criação!
Certamente seríamos mais humildes. Não daríamos tanta importância aos pequenos problemas do dia a dia.
Talvez fosse mais fácil perdoar, esquecer, apagar as mágoas.
Se víssemos nosso mundo como translúcida bolha de sabão que flutua em meio ao pontilhado das estrelas, quem sabe aprenderíamos a reverenciar mais a obra Divina.
*   *   *
Estenda os seus olhos para o espaço. Nas luzes azuis que piscam a milhares de anos-luz, veja a assinatura do grande Criador de todas as coisas.
Deus, nome Divino que enche de luz e de música as nossas existências pálidas.
Deus, quanta grandeza em Ti, sublime Pai de todas as coisas.
Deus, ao Teu sopro de vida, nascemos como Espíritos. Cumprindo Tuas leis, mergulhamos no corpo tantas vezes e construímos uma trajetória em que as experiências se somam e nos enriquecem de sabedoria.
Senhor, eis-nos aqui. Somos Tuas crianças, que dirigem para ti olhos confiantes. Se ainda somos tolos, se ainda somos frágeis, ensina-nos a ser fortes e sábios.
Inspira-nos ainda uma vez a lição da fraternidade universal. Para que o amor faça morada em nós.
Inspira-nos para que a alegria nos contagie a alma. Para que a paz se asile em nossa casa mental.
Para que sejamos dignos de ser chamados filhos Teus.
* *   *
Os mundos são estâncias do reino de Deus, esperando por nós, viandantes em marcha para a perfeição.
Como os países, cidades e aldeias de um mesmo continente, os mundos dos espaços siderais são variadas escolas de progresso tecnológico, intelectual e moral.
Moradas da Casa do Pai no imenso Universo que ainda nos cabe descobrir, explorar, admirar.

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Nós e a Natureza


Nossa vida neste mundo... tão breve. E agimos como visitas inconvenientes.
Exaurimos o lugar em que vivemos, revolvemos as entranhas da Terra, amontoamos toneladas de lixo, poluímos as águas, matamos as árvores, extinguimos os animais.
E agora, que as consequências da aventura humana se fazem notar, nós, que desrespeitamos a vida, tememos pelo amanhã. Encolhemo-nos assustados: Que virá?, Perguntamos.
Silêncio por resposta.
No fundo das consciências, sabemos que a razão para esse estado de coisas é que nos afastamos da natureza, passamos a nos ver separados dos demais seres.
Dividimos o mundo e abrimos um abismo entre nós e o restante da Criação.
E, no entanto, por toda parte, a vida nos revela que somos irmãos de todas as criaturas.
Em nossas veias corre sangue alimentado por minerais como ferro, potássio, manganês e zinco. Somos irmãos da terra.
Nosso corpo é constituído por mais de setenta e cinco por cento de líquido. Somos irmãos da água.
A sequência genética revela que nossos gens são semelhantes aos de ratos e outros animais. Somos irmãos – ou pelo menos primos – de todos os bichos.
As vitaminas das frutas e vegetais se integram ao nosso organismo e mantêm a vida física.
O gás carbônico que expiramos será absorvido pelos vegetais: somos irmãos das plantas e das árvores.
No interior de nossos pulmões, o oxigênio transita livre, nutrindo a vida. Somos irmãos do ar.
Nosso corpo é formado do mesmo material que estrelas, pássaros, flores e pedras. Então, ser parte da irmandade universal é muito mais do que uma bela figura simbólica.
Somos verdadeiramente parentes de tudo o que existe. Estamos integrados na Criação de Deus. Astros, plantas e nós somos uma família que está unida na grande caminhada que chamamos vida.
Essa imensa integração deveria nos servir de profunda reflexão: Será que estamos de fato agindo como irmãos dos outros seres?
Agir como irmão é zelar, cuidar, preservar. É assim também que demonstramos nosso amor a Deus: tratando com bondade, compaixão e amor a todas as coisas e seres que Ele criou.
No entanto, passamos pela vida desatentos a esses pequenos gestos. É um sinal inequívoco de que precisamos repensar atitudes egoístas.
Já não é mais tempo de desperdiçar comida, amontoar lixo desnecessariamente.
Já não mais podemos sujar fontes de água. Ou mudamos de atitude agora ou nos tornaremos uma ameaça ao futuro de nossa espécie na Terra.
O planeta está exausto e as consequências dos excessos humanos já podem ser vistas: tsunamis, furacões, efeito estufa, aquecimento global.
São sinais de alerta de que nosso mundo azul está cambaleante, abatido.
É a nossa hora de agir, de demonstrar gratidão a Deus mediante atos generosos, conscientes e responsáveis.
Assim, quando nos decidirmos afinal a cuidar do planeta que nos acolhe; quando adotarmos uma postura de responsabilidade perante o mundo em que vivemos; quando nos sentirmos tocados pela compaixão por todas as criaturas, vale a pena lembrar que não estamos fazendo favor algum: é nosso dever. Simples e básico dever.
Faça da Terra um lugar muito mais feliz. Não esqueça que nele viverão seus filhos e netos, as gerações futuras. Ou você mesmo, em uma próxima existência.
Pense nisso!
 
Redação do Momento Espírita.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Amor e Temor


"O perfeito amor lança fora o temor". (I João, 4:18.)

Para que nossa alma se expanda sem receio, através das realizações que o Senhor nos confia, não basta o imperfeito Amor que estipula salários de gratidão ou que se isola na estufa do carinho particular, reclamando entendimento alheio.
É necessário rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção.
O imperfeito Amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros, é quase sempre o egoísmo em disfarce brilhante, buscando a si mesmo nas almas afins para atormentá-las sob múltiplas formas de temor, quais sejam a exigência e o ciúme, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e da frustração.
O perfeito Amor, contudo, compreende que o Pai Celeste traçou caminhos infinitos para a evolução e aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender e ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações queridos, no degrau de luta que lhes é próprio.
Para que te libertes, assim, das algemas do medo, não basta te acolhas no anseio de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros, segundo as disposições do Amor incompleto.
É indispensável saibas amar, com abnegação e ternura, entre a esperança incansável e o serviço incessante pela vitória do bem, sob a tutela dos quais viverás sempre amando, segundo o Amor equilibrado e perfeito pela força Divina que nos ergue triunfante, dos abismos da sombra para os cimos da luz. 

Emmanuel / Chico Xavier

sábado, 14 de junho de 2014

Uma Boa Palavra


No teu relacionamento diário com as pessoas, não te esqueças de endereçar-lhes sempre uma boa palavra.

A palavra de esperança é uma luz que se acende no caminho dos companheiros que se revelam vacilantes na luta.

A palavra de coragem é um apoio para os que necessitam seguir adiante no desempenho das próprias obrigações.

A palavra de compreensão não raro, é mais eficaz que o medicamento prescrito pela medicina convencional aos que se queixam de amargura e desalento.

A palavra de incentivo aos que se dedicam às boas obras, pode ser comparada a preciosa alavanca que guarda consigo o poder de remover as pedras de tropeço.

Não olvides, assim, os prodígios de amor que podes realizar através de uma boa palavra e promova, desde agora, rigorosa triagem nos assuntos ventilados por teu verbo.

Falando, construirás a felicidade ou , ainda falando, arrasarás com os ideais de muita gente.

Fala como se trouxesses Jesus no entendimento e no coração e a tua palavra, em todas as ocasiões, brilhará em teus lábios à feição de uma estrela engastada no céu de tua boca.

Francisco Cândido Xavier - Irmão José

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Parecem, Mas Não São


"Mas quem não possui o espírito do Cristo, esse tal não é dele." - Paulo. (ROMANOS, 8:9.)

O governante recorrerá ao Testamento Divino para conciliar os interesses do povo.

O legislador lançará pensamentos do Evangelho nas leis que estabelece.

O juiz valer-se-á das sugestões do Mestre para iluminar com elas as sentenças que redige.

O administrador combinará versículos sagrados para alicerçar pareceres em processos de serviço.

O escritor senhoreará sublimes imagens da Revelação para acordar o entusiasmo e a esperança em milhares de leitores.

O poeta usará passagens do Senhor para colorir os versos de sua inspiração.

O pintor reportar-se-á aos quadros apostólicos e realizará primores imperecíveis ajustando a tela, a tinta e o pincel.

O escultor fixará no mármore a lembrança das lições eternas do Divino Mensageiro.

O revolucionário repetirá expressões do Orientador Celeste para justificar reivindicações de todos os feitios.

O próprio mendigo se pronunciará em nome do Salvador, rogando esmolas.

Ninguém se iluda, porém, com as aparências exteriores.

Se o governante, o legislador, o juiz, o administrador, o escritor, o poeta, o pintor, o escultor, o revolucionário e o mendigo não revelam na individualidade traços marcantes e vivos do Mestre, demonstrando possuir-lhe o espírito, em verdade, ainda não são dEle.

Parecem, mas não são.

 Francisco Cândido Xavier -  Emmanuel

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Peripatético


Você sabe o que quer dizer peripatético? E quando você não sabe o que significa uma palavra o que faz: pergunta para quem sabe, consulta o dicionário, finge que sabe?
A maioria de nós, quase sempre, opta pela terceira forma: finge que sabe, fala como quem sabe, mas não pergunta, nem se informa.
Afinal, ninguém deseja que o outro descubra que não se sabe.
Numa reunião de treinadores voluntários em uma empresa, discutia-se a melhor fórmula de ministrar um curso para duzentos funcionários.
Depois de uma explosão de ideias, alguém propôs que se utilizasse um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento.
Nesse instante, o professor do grupo que, até então, se mantivera calado, fez a observação:
Jesus era peripatético.
Um silêncio constrangedor, uma troca de olhares entre os participantes se fez de imediato.
Antes que alguém pudesse dizer algo, o professor foi chamado para atender um pedido do Departamento de Recursos Humanos.
Mal ele saiu da sala, as manifestações se fizeram:
Que comentário de mau gosto! – Disse um.
De absoluta falta de respeito! – Falou outro.
Alguém argumentou que talvez o professor tivesse suas razões. Talvez ele fosse ateu e não quisesse misturar religião com treinamento.
Mas devia respeitar a religiosidade dos outros! – Vociferou alguém.
Durante dez minutos, cheios de fúria, os componentes do grupo malharam o professor.
Quando ele retornou, olhares hostis o receberam. Contudo, ele estava tão bem que foi logo dizendo:
Então, acredito que tenhamos resolvido como fazer o treinamento.
Separamos os funcionários em grupos de vinte e cada um de vocês vai fazer a apresentação mais de uma vez.
Alguém ousou falar:
Professor, veja bem, esse negócio de peripatético...
É isso mesmo, completou ele. Foi daí que me veio a ideia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos.
Jesus foi o Mestre dos mestres, portanto a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral e o deslocamento físico...
Mas que cara é essa? Peripatético quer dizer "o que ensina caminhando."
Todos se entreolharam, corados de vergonha. Nenhum deles sabia o significado da palavra.
Encolhidos, se deram conta que seu orgulho era maior do que a vontade de aprender. Aprender para ensinar.
Teria sido suficiente um deles ter tido a humildade de confessar que desconhecia  a palavra. Os demais concordariam e tudo se resolveria com uma simples consulta ao dicionário.
 
Pense nisso:
 O fato de todos estarem de acordo a respeito de alguma coisa não transforma o falso em verdadeiro.
Informe-se.
Nunca se esquive do aprendizado, não tenha vergonha de perguntar, indagar, questionar.
E pesquise, leia, nunca se permita estacionar na escalada do conhecimento.
E, finalmente, lembre: a sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime.
Pense de que lado você prefere ficar.
 
Redação do Momento Espírita com base em
artigo assinado por Max Gehringer.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Aquecimento global



A Terra nos acolheu quando nascemos. O planeta que viu nascer nossos antepassados deverá ver também a chegada de nossos descendentes.

Muito tempo depois que deixarmos o solo desta Terra, o sol vai aquecer os homens do futuro que viverão aqui. E que mundo teremos deixado para a geração do amanhã?

Não costumamos pensar na generosidade da Terra que nos recebeu, ofertando frutos e flores, sombra e água.

Ao contrário, ao longo dos séculos, encharcamos o solo com substâncias corrosivas, reviramos a terra em busca de riquezas, matamos árvores, contaminamos águas, desperdiçamos recursos, poluímos o ar.

Enfim, seguimos esquecidos que os recursos naturais precisam de renovação e cuidado. O descuido de milênios então, afinal, surgiu.

Hoje, os resultados estão bem à nossa frente: chuva ácida, rios que se tornaram quase sólidos, montanhas de lixo.

Animais e plantas que morrem, que se extinguem como se fossem bolhas que simplesmente estouram no ar.

Nosso planeta agoniza, sufocado pela nossa displicência.

Podemos de fato fazer algo? Que atitude tomar?

Acredite: todos nós podemos, sim, retribuir a generosidade desta Terra que nutre seus filhos.

Hoje é dia de um novo começo, dia de amar mais a Terra, a natureza.

Olhe por alguns momentos para o céu claro. Pense no ar limpo que entra em seus pulmões. E em homenagem a tudo isso, deixe o carro em casa... por um dia que seja.

Por um instante apenas, lembre das flores que brotam em janelas e sacadas. Flores selvagens, urbanas, flores em rosa, vermelho, laranja, branco e amarelo.

Recorde desse perfume e beleza. E retribua, evitando o desperdício que se torna a montanha de lixo que soterra as flores.

Agora, tenha em mente os regatos claros, as correntes de água, os rios imensos, o oceano formidável.

Pense em cada copo de água fresca que sacia a sede e faça um gesto de gratidão: economize água sempre que puder.

Nesses pequenos gestos do cotidiano é que conseguiremos reverter o quadro dos dias atuais. Aos poucos, seremos obrigados – pelo próprio 
instinto de sobrevivência – a cuidar mais do mundo em que vivemos.

E, se o homem firmar esse compromisso consigo mesmo, quem sabe um dia, novamente, haverá ar puro, céu azul, água limpa e um lugar adorável para se viver.

Mas não se engane. Tudo isso depende – e muito – de você. Dos gestos de responsabilidade ambiental que você tomar, dos exemplos que der, da educação que oferecer aos seus filhos.

Esse é um tempo de escolhas, de decisões.

Pense nisso. E, um dia, quando seus olhos físicos tiverem se fechado neste mundo – mesmo que os homens não mais se lembrem que você viveu aqui, sua memória estará viva na brisa que agita as folhas, nas correntes de água.

Os perfumes e as cores da Terra lembrarão de você e de seus gestos de amor.

*   *   *

Depende de cada um de nós a Terra do amanhã. Tanto moral quanto fisicamente.

Nós partiremos, em alguns anos. Mas, haveremos de retornar a este mundo, outras vezes, em outras épocas, em novos corpos.

Que desejamos encontrar, em nosso retorno?

Pensemos nisso, agora!

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Transição Planetária


"A sociedade terrena vive, na atualidade, um grave momento mediúnico no qual, de forma inconsciente, dá-se o intercâmbio entre as duas esferas da vida. Entidades assinaladas pelo ódio, pelo ressentimento, e tomadas de amargura cobram daqueles  algozes  de ontem o pesado ônus da aflição que lhes tenham proporcionado. 
Espíritos nobres, voltados ao ideal de elevação humana sincronizam com as potências espirituais na edificação de um mundo melhor. As obsessões campeiam de forma pandêmica, confundindo-se com os transtornos psicopatológicos que trazem os processos afligentes e degenerativos.

Sucede que a Terra vivencia, neste período, a grande transição de mundo de provas e de expiações para mundo de regeneração.

Nunca houve tanta conquista da ciência e da tecnologia, e tanta hediondez do sentimento e das emoções. As glórias das conquistas do intelecto esmaecem diante do abismo da crueldade, da dissolução dos costumes, da perda da ética, e da decadência das conquistas da civilização e da cultura...

Não seja, pois, de estranhar que a dor, sob vários aspectos, espraia-se no planeta terrestre não apenas como látego mas, sobretudo, como convite à reflexão, como análise à transitoriedade do corpo, com o propósito de convocar as mentes e os corações para o ser espiritual que todos somos.

Fala-se sobre a tragédia do cotidiano com razão. As ameaças de natureza sísmica, a cada momento tornam-se realidade tanto de um lado como de outro do planeta. O crime campeia a solta e a floração da juventude entrega-se, com exceções compreensíveis, ao abastardamento do caráter, às licenças morais e à agressividade.

Sucede, meus filhos, que as regiões de sofrimento profundo estão liberando seus hóspedes que ali ficaram, em cárcere privado, por muitos séculos e agora, na grande transição, recebem a oportunidade de voltarem-se para o bem ou de optar pela loucura a que se têm entregado. 

E esses, que teimosamente permanecem no mal, a benefício próprio e do planeta, irão ao exílio em orbes inferiores onde lapidarão a alma auxiliando os seus irmãos de natureza primitiva, como nos aconteceu no passado.

Por outro lado, os nobres promotores do progresso de todos os tempos passados também se reencarnam nesta hora para acelerar as conquistas, não só da inteligência e da tecnologia de ponta, mas também dos valores morais e espirituais. Ao lado deles, benfeitores de outra dimensão emboscam-se na matéria para se tornarem os grandes líderes e sensibilizarem esses verdugos da sociedade.

Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles, psicoterapeutas de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. 

Enquanto os médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.

Reencarnastes para contribuir em favor da Nova Era.  As vossas existências não aconteceram ao acaso, foram programadas.

Antes de mergulhardes na neblina carnal, lestes o programa que vos dizia respeito e o firmastes, dando o assentimento para as provas e as glórias estelares.

O Espiritismo é Jesus que volta de braços abertos, descrucificado, ressurreto e vivo, cantando a sinfonia gloriosa da solidariedade.

Dai-vos as mãos!

Que as diferenças opinativas sejam limadas e os ideais de concordância sejam praticados.  Que quaisquer pontos de objeção tornem‑se secundários diante das metas a alcançar.

Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes, dificulta a lógica necessária para a ação correta. 

Mas ficais atentos: tendes compromissos com Jesus...

Não é a primeira vez que vos comprometestes enganando, enganado-vos. Mas esta é a oportunidade final, optativa para a glória da imortalidade ou para a anestesia da ilusão.

Conhecer as leis espirituais é encontrar o tesouro da sabedoria.

Reconhecemos que na luta cotidiana, na disputa social e econômica, financeira e humana do ganha-pão, esvai-se o entusiasmo, diminui a alegria do serviço, mas se permanecerdes fiéis, orando com as antenas direcionadas ao Pai Todo-Amor, não vos faltarão a inspiração, o apoio, as forças morais para vos defenderdes das agressões do mal que muitas vezes vos alcança.

Tende coragem, meus filhos, unidos, porque somos os trabalhadores da última hora, e o nosso será o salário igual ao do jornaleiro do primeiro momento.

Cantemos a alegria de servir e, ao sairmos daqui, levemos impresso no relicário da alma tudo aquilo que ocorreu em nossa reunião de santas intenções: as dores mais variadas, os rebeldes, os ignorantes, os aflitos, os infelizes, e também a palavra gentil dos amigos que velam por todos nós.

Confiando em nosso Senhor Jesus Cristo, que nos delegou a honra de falar em Seu nome, e em Seu nome ensinar, curar, levantar o ânimo e construir um mundo novo, rogamos a Ele, nosso divino Benfeitor, que a todos nos abençoe e nos dê a Sua paz.

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra."

Mensagem psicofônica de Bezerra de Menezes (espírito) transmitida por Divaldo Franco ( médium).


domingo, 8 de junho de 2014

Reflexões Sobre o Dinheiro


O dinheiro que ajuda a alguém é o companheiro da caridade.
O dinheiro que educa é semeador de luz.
O dinheiro que sustenta as letras edificantes é lâmpada acesa.
O dinheiro que resgata dívidas é testemunho de correção.
O dinheiro que estimula o bem, nas suas variadas formas, 
é missionário do Céu.
O dinheiro que alivia é bálsamo da Vida Superior.
O dinheiro que cura é alimento divino.
O dinheiro que gera trabalho digno é dínamo do progresso.
O dinheiro que restaura o bom ânimo é fraternidade em ação.
O dinheiro que planta alegria e fé renovadora é criador de bênçãos imortais.

Mas o dinheiro que para no cofre ou na bolsa, que não se converte à bondade, repousando indefinidamente longe da luta pelo enriquecimento comum, é metal inútil que transforma o seu possuidor em balão cativo na Terra, escravo das inutilidades, temores, sombras e convenções destrutivas que retêm a criatura à distância da verdade, no purgatório da avareza ou da perturbação.


André Luiz / Chico Xavier

sábado, 7 de junho de 2014

Viver com Simplicidade


Uma vida simples, com prazeres singelos. Parece atraente? Para alguns, a poesia da vida simples é uma aspiração.
Não são muitos, mas aumenta a cada dia os que buscam um estilo de vida mais despojado.
Enquanto a grande massa se mostra adepta dos benefícios oferecidos pelas cidades, aos poucos o homem se mostra cada vez mais cansado da rotina urbana, enlouquecedora.
Poluição, engarrafamentos, ruídos. A floresta de edifícios a se perder no horizonte, escondendo céu e sol.
Tudo isso contribui para os estresses e angústias do homem contemporâneo.
Quando jovem, é natural que as pessoas desejem os desafios e facilidades das cidades, que oferecem objetos de desejo a cada esquina.
São as maravilhas da tecnologia, os bares da moda, as roupas de grife, os belos escritórios, as carreiras.
Tudo isso exerce tremendo fascínio. Mas, aos poucos, é possível observar que esse modelo está se esvaziando. Um certo cansaço começa a ser notado.
Uma expressão vem ganhando espaço: qualidade de vida. São cada vez mais numerosos os que desejam voltar aos ideais de uma vida simples, uma casa no campo, um contato mais estreito com a natureza.
Querem respirar ar puro, ver um pôr dosol dourado, passar noites de tranquilidade em uma rede preguiçosa, manter conversas de fim da tarde.
A sensação que se tem é que a Humanidade, afinal, começa a perceber que a vida é muito mais do que prazeres passageiros.
As razões para o esgotamento do modo de vida urbano são o consumismo desenfreado e a sensação de estar numa corrida permanente.
No trabalho, o desafio é a competitividade, que atropela o ser humano e o consome, transformando-o em peça de uma fria engrenagem.
É um processo perverso, que suga as energias, estimula ciúmes e transforma em inimigos os que deveriam trabalhar em harmonia.
E uma pergunta costuma ser feita por quem está nessa roda-viva: dá para viver com simplicidade nas grandes cidades?
É possível conciliar as exigências de uma carreira, da vida social e da família com uma rotina mais amena?
A resposta é... Sim! É possível conciliar tudo isso. Não é tarefa muito fácil, mas pode ser realizada.
Isso porque a simplicidade não é feita de demonstrações exteriores. Ela é um estado de espírito.
Não precisamos nos vestir de trapos, nem abrir mão de uma vida normal para ser pessoas simples.
A simplicidade está em viver a vida sem exigências descabidas. Quem opta pela simplicidade, descomplica o dia adia.
Muitas vezes nos perdemos em detalhes completamente desnecessários. E, com isso, tornamos insuportável a nossa vida e a dos outros.
Observe com atenção e você perceberá: fazemos exigências demais por causa de coisas mínimas, das quais nem nos lembramos depois de algum tempo.
Por isso, a opção de viver com simplicidade é, antes de tudo, um jeito de agradecer a Deus pelo que recebemos.
Simplicidade é ter sonhos. Mas, se eles não se realizam, por alguma razão, ainda assim a vida não perde a graça. Ou seja, apesar das tempestades, o contentamento permanece inabalável.
Quer ser feliz? Seja simples. Experimente o prazer das coisas que estão ao seu redor!
Olhe para o céu, veja as nuvens tingidas de ouro no infinito azul.
Ouça o som das risadas espontâneas, sinta o frescor de um copo dágua, o sabor de uma fruta, a serenidade de uma noite bem dormida.
Veja a beleza de livros e canções. Quem disse que não há prazer nas coisas pequeninas que Deus pôs ao nosso alcance?
Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Perdão e Liberdade


Aprendamos a perdoar, conquistando a liberdade de servir.
E imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue.
Onde trabalhas, exercita a tolerância construtiva para que a tarefa não se escravize a perturbações...
Em casa, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme o espírito ao desespero...
Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o auxílio dos outros te assegure paz à vida.É indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não estejamos encarcerados na rede das trevas.
A morte não é libertação pura e simples.
Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são próprios.
Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que aniquilam os melhores sonhos dos que ficaram na Terra, e muitos dos que ficam na Terra conservam consigo no coração um vaso de fogo vivo com que destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do túmulo.
Não procures para tua alma o inferno invisível do ódio.
Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e servi-lo, para que amanhã não te matricules em aflitivas contendas com forças ocultas.
Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da própria vida.
Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.
Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas, induzimos o próximo a agir contra nós convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores, intelectuais dos delitos que passamos a lamentar indebitamente diante dos outros.
Toda intolerância é violência.
Toda dureza espiritual é crueldade.
Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, tanto quanto a acusação habitualmente, é um chicote de brasas.
E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos o perdão por defensor de nossa liberdade, ajudando agora para que não sejamos desajudados depois.


Emmanuel / Chico Xavier

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cuidando das Pequenas Coisas


Ela foi, sem dúvida, uma das mulheres mais notáveis que o mundo já conheceu.
Nasceu normal mas, aos dezoito meses, teve uma febre infecciosa, provavelmente escarlatina e ficou cega, surda e muda.
No entanto, graças a uma professora, Anne Sullivan, ela se tornou escritora, filósofa, conferencista.
Anne apareceu na vida de Helen Keller quando Helen tinha seis anos.
Ensinou-lhe o alfabeto dos mudos, que soletrava na mão da menina. Ensinou-a ler e escrever em Braille.
Aos dez anos, Helen aprendeu a falar. Cursou a Universidade e formou-se em filosofia, com louvor.
Foi a primeira deficiente visual e auditiva a completar um curso universitário.
Sua professora a acompanhou por cinquenta anos. Na Universidade, soletrava em sua mão as palavras.
Aos vinte anos, Helen escreveu sua obra mais famosa, A história de minha vida, traduzida para cinquenta idiomas e para o Braille.
Dominou os idiomas francês, latim e alemão. Aos vinte e sete anos, fez sua primeira aparição em público, como oradora.
Dedicou-se à defesa dos direitos de mulheres pobres e deficientes.
Nas conferências, ela falava sobre a situação dos cegos, surdos-mudos, chamando a isso um dos pequenos problemas da Humanidade. Havia outros mais graves.
Respondia a perguntas e fazia os ouvintes rirem, descontraídos, com seu senso de humor e suas respostas inesperadas.
Pois esta mulher excepcional, que fez viagens internacionais, proferindo conferências em trinta e cinco países, tinha atenção para coisas pequenas.
Coisas que alguns de nós, talvez, acreditemos que não têm muita importância.
Quando sua professora se casou, levou Helen para morar com ela.
Por muitos anos, não tiveram criada alguma, por falta de recursos.
Helen aprendeu a fazer tudo o que podia, para ajudar a sua professora.
Enquanto Anne levava o marido de carro à estação, para que ele tomasse o trem para o seu trabalho, Helen tirava a mesa.
Depois, lavava a louça, arrumava os quartos.
Mesmo que montanhas de cartas, livros e artigos para escrever a aguardassem, a casa era a casa.
Alguém tinha de fazer as camas, colher flores, catar lenha, pôr o moinho de vento a andar e pará-lo quando a caixa d´água estivesse cheia.
Enfim, tinha em mente essas coisas imperceptíveis que fazem a felicidade da família.
Afirmava ela: Quem gosta de trabalhar sabe como é agradável a gente estar ajudando as pessoas a quem estimamos, nas tarefas diárias de casa.
*   *   *
Quando tantos nos eximimos de tarefas simples, procurando destaque; quando outros alegamos que não podemos perder tempo com coisas pequenas, Helen nos dá o exemplo.
Ela era aplaudida, recebia condecorações, era homenageada, mas, era preciso ajudar nas tarefas do lar.
Com certeza, ela aprendera muito bem a lição evangélica de que quem é fiel nas coisas pequenas, o será sempre nas coisas grandes.
E tudo fazia com alegria e prazer, afirmando: Não peçamos tarefas iguais às nossas forças. Mas forças iguais às nossas tarefas.
 
Você sabia?
 
Você sabia que o Lions Club Internacional declarou, em 1971, que o dia 1º de junho passaria a ser lembrado como o dia de Helen Keller?
E que, nesse dia, os leões do mundo inteiro implementam projetos de serviços relativos à visão?
Tudo em nome de uma menina deficiente visual e auditiva, que cuidava das coisas simples com o mesmo carinho que dedicava às grandes causas que defendia.
 

Redação do Momento Espírita