sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A Serpente e o Sábio

Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com o olhar sereno, e falou:- Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém.

A víbora recolheu-se, envergonhada. Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se à toca, desalentada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. Eis, porém, que o santo voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas peseguiam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouví-la:
- Mas, minha irmã, ouve um engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso à distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.


Francisco Cândido Xavier. Os Mensageiros. Pelo Espírito André Luiz. FEB. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Capacete


"Tomai também o capacete da salvação" - Paulo. (EFÉSIOS, 6:17.)

Se é justa a salvaguarda de membros importantes do corpo, com muito mais propriedade é imprescindível defender a cabeça, nos momentos de luta.

Aliás, é razoável considerar que os braços e as pernas nem sempre são requisitados a maiores dispêndios de energia.

A cabeça, porém, não descansa.

A sede do pensamento é um viveiro de trabalho incessante.

Necessário se faz resguardá-la, defendê-la.

Nos movimentos bélicos, o soldado preserva-a, através de recursos especiais.

Na luta diária mantida pelo discípulo de Jesus, igualmente não podemos esquecer o conselho do apóstolo aos gentios.

É indispensável que todo aprendiz do Evangelho tome o capacete da salvação, simbolizado na cobertura mental de idéias sólidas e atitudes cristãs, estruturadas nas concepções do bem, da confiança e do otimismo sincero.

Teçamos, pois, o nosso capacete espiritual com os fios da coragem inquebrantável, da fé pura e do espírito de serviço. De posse dele enfrentaremos qualquer combate moral de grandes proporções.

Nenhum discípulo da Boa Nova olvide a sua condição de lutador.

As forças contrárias ao bem, meu amigo, alvejar-te-ão o mundo íntimo, através de todos os flancos. Defende a tua moradia interior.

 Examina o revestimento defensivo que vens usando, em matéria de desejos e crenças, de propósitos e idéias, para que os projetis da maldade não te alcancem por dentro.


Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Hoje Sim



Ontem passado. 
Amanhã futuro. 
Hoje agora.
Ontem promessa. 
Amanhã probabilidade.
Hoje ação.
Ontem parecia. 
Amanhã quem sabe? 
Hoje sem dúvida.
Ontem anseio. 
Amanhã mudança. 
Hoje oportunidade.
Ontem sementeira. 
Amanhã colheita. 
Hoje seleção.
Ontem não mais. 
Amanhã talvez. 
Hoje sim.
Ontem foi. 
Amanhã será. 
Hoje é.
Ontem experiência adquirida.
Amanhã lutas novas. 
Hoje, porém, é a nossa hora
de fazer e de construir.

 Francisco Cândido Xavier - Emamanuel

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Tempo de Confiança


"E disse-lhes: Onde está a vossa fé?" - (LUCAS, capítulo 8, versículo 25.)

A tempestade estabelecera a perturbação no ânimo dos discípulos mais fortes. Desorientados, ante a fúria dos elementos, socorrem-se de Jesus, em altos brados.

Atende-os o Mestre, mas pergunta depois:
- Onde está a vossa fé?

O quadro sugere ponderações de vasto alcance. A interrogação de Jesus indica claramente a necessidade de manutenção da confiança, quando tudo parece obscuro e perdido. Em tais circunstâncias, surge a ocasião da fé, no tempo que lhe é próprio.

Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada.

Ninguém exercitará otimismo, quando todas as situações se conjugam para o bem-estar. É difícil demonstrar-se amizade nos momentos felizes.

Aguardem os discípulos, naturalmente, oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor. Sem isso, seria impossível aferir valores.

Na atualidade dolorosa, inúmeros companheiros invocam a cooperação direta do Cristo. E o socorro vem sempre, porque é infinita a misericórdia celestial, mas, vencida a dificuldade, esperem a indagação:

- Onde está a vossa fé?

E outros obstáculos sobrevirão, até que o discípulo aprenda a dominar-se, a educar-se e a vencer, serenamente, com as lições recebidas.

Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tentação


Somos tentados pelas forças exteriores da vida, segundo as nossas necessidades de purificação interna.

Isso equivale a dizer que cada criatura sofre a tentação, conforme a natureza que lhe é própria.

Qual acontece nos domínios da natureza em que o fogo não se alimenta de água, mas sim de combustível que se lhe afina ao modo de ser, no reino do espírito, cada um de nós entra em combinação apenas com as energias que se assemelhem às nossas.

Assim é que renascemos, habitualmente, no plano físico, transportando conosco as deficiências individuais e os problemas domésticos que nos reclamam extinção ou ajustamento.

Espíritos entregues à usura e à crueldade, em muitas circunstâncias, ressurgem no berço de ouro, experimentando, de novo, a tentação da sovinice e do orgulho de modo a superá-los e almas cristalizadas na revolta e na indisciplina quase sempre reaparecem nos lares empobrecidos, atravessando novamente a tentação do desespero e da delinquência para vencê-los suficientemente
.
Reunimo-nos através da família consanguínea, muitas vezes, com as nossas aversões mais profundas, para transformá-las em amor puro, ao preço de perdão e serviço, devotamento e renúncia, e, em todos os quadros da luta humana, somos defrontados por rudes provas que nos falam de perto às próprias necessidades, a fim de que, na sublime vitória sobre nós mesmos, saibamos buscar os cimos da vida.

Não te creias simplesmente tentado pelos outros à descida ao despenhadeiro das trevas. Somos nós mesmos que, estendendo o fio do desejo, atraímos em nosso prejuízo ou em nosso favor as companhias que nos acrescentarão as forças para a queda nas sombras ou para a ascensão à Divina Luz."

Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A Felicidade e Infelicidade Relativas na Terra


Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

924. Há males que independem da maneira de proceder do homem e que atingem mesmo os mais justos. Nenhum meio terá ele de os evitar?
"Deve resignar-se e sofrê-los sem murmurar, se quer progredir. Sempre, porém, lhe é dado haurir consolação na própria consciência, que lhe proporciona a esperança de melhor futuro, se fizer o que é preciso para obtê-lo."

925. Por que favorece Deus, com os dons da riqueza, a certos homens que não parecem tê-las merecido?
"Isso significa um favor aos olhos dos que apenas vêem o presente. Mas, ficai sabendo, a riqueza é, de ordinário, a prova mais perigosa do que a miséria." (veja as questões 814 e seguintes)

926. Criando novas necessidades, a civilização não constitui uma fonte de novas aflições?
"Os males deste mundo estão na razão das necessidades factícias que vos criais. A muitos desenganos se poupa nesta vida aquele que sabe restringir seus desejos e olha sem inveja para o que esteja acima de si. O que menos necessidades tem, esse o mais rico.
"Invejais os gozos dos que vos parecem os felizes do mundo. Sabeis, porventura, o que lhes está reservado? Se os seus gozos são todos pessoais, pertencem eles ao número dos egoístas: o reverso então virá. Deveis, de preferência, lastimá-los. Deus algumas vezes permite que o mau prospere, mas a sua felicidade não é de causar inveja, porque com lágrimas amargas a pagará. Quando um justo é infeliz, isso representa uma prova que lhe será levada em conta, se a suportar com coragem. Lembrai-vos destas palavras de Jesus: Bem-aventurados os que sofrem, pois que serão consolados."

927. Não há dúvida que, à felicidade, o supérfluo não é forçosamente indispensável, porém o mesmo não se dá com o necessário. Ora, não será real a infelicidade daqueles a quem falta o necessário?
"Verdadeiramente infeliz o homem só o é quando sofre a falta do necessário à vida e à saúde do corpo. Todavia, pode acontecer que essa privação seja de sua culpa. Então, só tem que se queixar de si mesmo. Se for ocasionada por outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que lhe houver dado causa."

Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Deus é Como Açúcar



  Certo dia um sacerdote foi a uma escola falar de Deus.
      Quando chegou perguntou às crianças se conheciam Deus. Elas responderam que sim.
      Então ele perguntou: Quem é Deus?
      Elas responderam:
      – Deus é nosso Pai. Ele fez a terra, o mar e tudo o que existe. E fez de nós seus filhos…
      O sacerdote resolveu adiantar um pouco a sua pergunta:
      – Como é que vós sabeis que Deus existe se vós nunca O vistes?
      A sala ficou toda em silêncio durante uns momentos. Por fim, Pedro, um menino muito tímido, levantou a mão e disse:
      – A minha mãe disse-me que Deus é como o açúcar no leite que ela me prepara todas as manhãs. Eu não vejo o açúcar que está dentro da xícara de leite, mas se ela não o colocar, o leite fica sem sabor. Deus existe e está no meio de nós, só que nós não O vemos. Mas, se Ele não estiver perto, a nossa vida fica sem sabor.
      O sacerdote disse:
      – Muito bem, Pedro! Agora sei que Deus é o nosso açúcar. É Ele que adoça todos os dias a nossa vida.

Autor desconhecido

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Advogado, a Professora e o Pescador


Estavam em um barco um pescador muito simples, um advogado de prestígio e uma professora universitária. Papo vai, papo vem, o advogado e a professora descobrem que o pescador é analfabeto. "Que coisa terrível, hein, pescador! Não saber ler. Terrível! Você nunca vai poder ler e interpretar uma lei", comenta ironicamente o advogado, com ar de superioridade. O pescador nada fala. A professora, aproveitando-se da brecha do advogado, comenta: "Realmente, que coisa mais terrível! Você nunca vai ler os clássicos da literatura, interpretar os filósofos e falar inglês. É uma pena...". Novamente, o pescador mantém-se calado.

De repente, o mar começa a ficar muito agitado e o barco vira. O advogado e a professora gritam ao pescador, "Por favor, nos salve! Nós não sabemos nadar!". O pescador, calmamente, apenas diz: "Eu não sei ler suas leis, nem entender sua literatura, mas sei nadar, e isso é o que me basta neste momento". O pescador se salva, e o advogado e a professora morrem afogados.

Autor desconhecido

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

É Para Isto


“Não retribuindo mal por mal, nem injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados.” – (I Pedro, 3:9.)

A fileira dos que reclamam foi sempre numerosa em todas as tarefas do bem.
No apostolado evangélico, reparamos, igualmente, essa regra geral.
Muitos aprendizes, em obediência ao pernicioso hábito, preferem o caminho dos atritos ou das dissidências escandalosas. No entanto, mais algum raciocínio despertaria a comunidade dos discípulos para a maior compreensão.
Convidar-nos-ia Jesus a conflitos estéreis, tão-só para repetir os quadros do capricho individual ou da força tiranizante? Se assim fora, o ministério do Reino estaria confiado aos teimosos, aos discutidores, aos gigantes da energia física.
É contra-senso desfazer-se o servidor da Boa Nova em lamentações que não encontram razão de ser.
Amarguras, perseguições, calúnias, brutalidade, desentendimento? São velhas figurações que atormentam as almas na Terra. A fim de contribuir na extinção delas é que o Senhor nos chamou às suas fileiras. Não as alimentes, emprestando- -lhes excessivo apreço.
O cristão é um ponto vivo de resistência ao mal, onde se encontre.
Pensa nisto e busca entender a significação do verbo suportar.
Não olvides a obrigação de servir com Jesus.
É para isto que fomos chamados.
Francisco Cândido Xavier - Emmanuel.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Honestidade


Certa vez, um rico perdeu uma bolsa com quatrocentas moedas de ouro.
Então, anunciou nos jornais da cidade que daria uma boa gratificação a quem achasse a bolsa. Dias depois, apareceu um pobre muito honesto, conhecido na cidade, trazendo-lhe a bolsa com as quatrocentas moedas.
O rico contou as moedas: quatrocentas, certinho; como era muito avarento, procurou um jeito de não dar a gratificação. Então, olhou para aquele homem humilde e bom, e disse-lhe:
-Faltam cem moedas, seu malandro. Tu não mereces gratificação nenhuma.
O pobre homem honesto foi expor o fato ao juiz da cidade.
O juiz chamou o rico e perguntou:
-Quantas moedas havia na bolsa que perdeste?
-Quinhentas - respondeu o rico.
-E quantas havia na bolsa que este homem trouxe?
-Quatrocentas - respondeu-lhe o rico.
-Então, esta bolsa não é tua. Devolva-a a este homem e vai-te embora. Quando aparecer o verdadeiro dono, ele a entregará. 

Autoria desconhecida

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Papagaio e o Matagal Em Chamas


Num matagal, ao pé das montanhas do Himalaia, vivia um papagaio juntamente com muitos outros animais e pássaros. Um dia, um fogo, causado pela fricção de bambus motivada pelos fortes ventos, começou a se alastrar pelo matagal, pondo em alarmada confusão e perigo os pássaros e animais.

O papagaio, sentindo compaixão pelo temor e sofrimento deles e desejando retribuir a bondade que recebeu no bambuzal em que se abrigava, tentou, por todos os meios, salvá-los.

Mergulhava, repetidamente, numa lagoa próxima, voava sobre o fogo e, sacudindo-se, derrubava algumas gotas de água para apagar o fogo. Repetia essa operação diligentemente, com o coração de compaixão e gratidão para com o matagal.

Esta mente de bondade e auto-sacrifício foi observada por um deus que disse ao papagaio : "Você tem uma mente nobre, mas que espera conseguir com umas poucas gotas de água contra este fogo imenso?"

O papagaio lhe respondeu: "Nada pode ser conseguido sem a mente da gratidão e auto-sacrifício. Tentarei e continuarei a tentar até na próxima vida."

O grande deus ficou impressionado com tamanha determinação do papagaio e, juntos, apagaram o fogo.

Autor: Desconhecido

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Vê, Pois


"Vê, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas." - Jesus. (LUCAS, 11:35.)

Há ciência e há sabedoria, inteligência e conhecimento, intelectualidade e luz espiritual.
Geralmente, todo homem de raciocínio fácil é interpretado à conta de mais sábio, no entanto, há que distinguir.
O homem não possui ainda qualidades para registrar a verdadeira luz. Daí, a necessidade de prudência e vigilância.
Em todos os lugares, há industriosos e entendidos, conhecedores e psicólogos. Muitas vezes, porém, não passam de oportunistas prontos para o golpe do interesse inferior.
Quantos escrevem livros abomináveis, espalhando veneno nos corações? Quantos se aproveitam do rótulo da própria caridade visando extrair vantagens à ambição?
Não bastam o engenho e a habilidade. Não satisfaz a simples visão psicológica. É preciso luz divina.
Há homens que, num instante, apreendem toda a extensão dum campo, conhecem- lhe a terra, identificam-lhe o valor. Há, todavia, poucos homens que se apercebem de tudo isso e se disponham a suar por ele, amando-o antes de explorá-lo, dando-lhe compreensão antes da exigência.
Nem sempre a luz reside onde a opinião comum pretende observá-la.
Sagacidade não chega a ser elevação, e o poder expressivo apenas é respeitável e sagrado quando se torna ação construtiva com a luz divina.
Raciocina, pois, sobre a própria vida.
Vê, com clareza, se a pretensa claridade que há em ti não é sombra de cegueira espiritual.

Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Questões 920 a 923 - A Felicidade na Terra


Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

920. Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?
"Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."

921. Concebe-se que o homem será feliz na Terra, quando a humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso se não verifica, poderá conseguir uma felicidade relativa?
"O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira."

Comentário de Allan Kardec:
Aquele que se acha bem compenetrado de seu destino futuro não vê na vida corporal mais do que uma estação temporária, uma como parada momentânea em péssima hospedaria. Facilmente se consola de alguns aborrecimentos passageiros de uma viagem que o levará a tanto melhor posição, quanto melhor tenha cuidado dos preparativos para empreendê-la. Já nesta vida somos punidos pela infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a conseqüência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de conseqüência em conseqüência, caímos na desgraça.

922. A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens?
"Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranqüila e a fé no futuro."

923. O que para um é supérfluo não representará para outro, o necessário, e reciprocamente, de acordo com as posições respectivas?
"Sim, conformemente às vossas idéias materiais, aos vossos preconceitos, à vossa ambição e às vossas ridículas extravagâncias, a que o futuro fará justiça, quando compreenderdes a verdade. Não há dúvida de que aquele que tinha cinqüenta mil libras de renda, vendo-se reduzido a só ter dez mil, se considera muito desgraçado, por não mais poder fazer a mesma figura, conservar o que chama a sua posição, ter cavalos, lacaios, satisfazer a todas as paixões, etc. Acredita que lhe falta o necessário. Mas, francamente, achas que seja digno de lástima, quando ao seu lado muitos há, morrendo de fome e frio, sem um abrigo onde repousem a cabeça? O homem criterioso, a fim de ser feliz, olha sempre para baixo e não para cima, a não ser para elevar sua alma ao infinito." (ver questão 715)

Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Quando Há Luz


"O amor do Cristo nos constrange." Paulo (2 Coríntios, 5:14)


Quando Jesus encontra santuário no coração de um homem, modifica-se lhe a marcha inteiramente.

Não há mais lugar dentro dele para a adoração improdutiva, para a crença sem obras, para a fé inoperante.

Algo de indefinível na terrestre linguagem transtorna-lhe o espírito.
Categoriza-o a massa comum por desajustado, entretanto, o aprendiz do Evangelho, chegando a essa condição, sabe que o Trabalhador Divino como que lhe ocupa as profundidades do ser.

Renova-se-lhe toda a conceituação da existência. O que ontem era prazer, hoje é ídolo quebrado o que representava meta a atingir, é roteiro errado que ele deixa ao abandono.

Torna-se criatura fácil de contentar, mas muito difícil de agradar.

A voz do Mestre, persuasiva e doce, exorta-o a servir sem descanso.

Converte-se lhe a alma num estuário maravilhoso, onde os padecimentos vão ter, buscando arrimo, e por isso sofre a constante pressão das dores alheias.

A própria vida física afigura-se um madeiro, em que o Mestre se aflige. É-lhe o corpo a cruz viva em que o Senhor se agita crucificado.
O único refúgio em que repousa é o trabalho perseverante no bem geral.

Insatisfeito, embora resignado firme na fé, não obstante angustiado servindo a todos, mas sozinho em si mesmo, segue, estrada afora, impelido por ocultos e indescritíveis aguilhões...

Esse é o tipo de aprendiz que o amor do Cristo constrange, na feliz expressão de Paulo. Vergasta-o a luz celeste por dentro até que abandone as zonas inferiores em definitivo.

Para o mundo, será inadaptado e louco.

Para Jesus, é o vaso das bênçãos.

A flor é uma linda promessa, onde se encontre.

O fruto maduro, porém, é alimento para hoje.

Felizes daqueles que espalham a esperança, mas bem-aventurados sejam os seguidores do Cristo que suam e padecem, dia a dia, para que seus irmãos se reconfortem e se alimentem no Senhor!

 Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dádiva



Uma dádiva existe
Que só nasce de ti.
Ninguém pode comprá-la,
Nem conquistá-la à força.
Surge apenas contigo
Por luz que o Céu te deu.
Podes doar com ela
Vida e conforto a muitos.
Ninguém pode entregá-la,
Senão tu que a ofereces.
É o sorriso, no qual
Deus se mostra por ti...


Emmanuel / Chico Xavier

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Progressão dos Mundos


O progresso é lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas uni meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.
Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa idéia e digna da majestade do Criador! Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!
Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus. - Santo Agostinho. (Paris, 1862.)



Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Águia e o Pardal


O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia.
Seu voo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade de voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade de ser forte com a águia, mas não conseguia assim ser. 
Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza. 
Um dia estava a voar por entre a mata a observar o voo de Yan, e de repente a águia sumiu de sua visão. 
Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. 
Foi quando levou um enorme susto, deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. 
Tentou conter o seu voo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro. 
Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. 
Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. 
A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe: 
- Por que estás a me vigiar, Andala? 
- Quero ser uma águia como tu, Yan. 
Mas meu voo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar seus limites. 
- E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas? 
- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. 
A vontade é muito grande de realizar esse sonho... 
- O pardal suspirou olhando para o chão... 
E disse: - Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. 
És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te. 
- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan. 
- Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... 
Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente... 
- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isso não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. 
Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. 
Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. 
Acredita! 
- E assim, a águia preparou-se para levantar voo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente: 
Andala, apenas mais uma coisa: 
- Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. 
O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade a teus sonhos. 
Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. 
Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. 
É para aqueles que acredita serem livres, e quando trazes a liberdade em teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas. 
Serás livre! 
Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. 
Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. 
Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha.

Transforme...
Quebre os limites...
ACREDITE!!!
SEJA LIVRE 
e VOE... 
  
Autoria: Estação Paz 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Por Isto


"Porque para isto sois chamados; pois também o Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo." - Pedro. (I PEDRO, 2:21.)

Elevada percentagem de crentes considera-se imune de todos os sofrimentos, porque, no conceito de grande parte daqueles que aceitam a fé cristã, entregar-se às fórmulas religiosas é subtrair-se à luta, candidatando-se à beatitude imperturbável.
Na apreciação de muita gente, os que oram não deveriam conhecer a dor.
O socorro divino assemelhar-se-ia à proteção de um monarca terrestre, doador de favores segundo as bajulações recebidas.
A situação do aprendiz de Jesus é, todavia, muito diversa.
Os títulos do Cristo não são os da inatividade, com isenção de responsabilidade e esforço.
Todos os chamados ao trabalho evangélico não podem esquecer as necessidades do serviço.
O Mestre, naturalmente, precisa companheiros que nEle confiem, mas não prescindirá dos que se revelem colaboradores fiéis de sua obra.
Seria justo postar-se indefinidamente o devedor, ante a generosidade do credor, confiando sempre, sem o mínimo sinal de solução ao débito adquirido?
Não somente os homens vivem na lei de permuta.
As Forças Divinas baseiam a movimentação do bem no mesmo princípio.
O Mestre Celestial ensina a todos, em verdade, as sublimes lições da vida; entretanto, não é razoável que todos os séculos assinalem nos bancos escolares da experiência humana os mesmos alunos preguiçosos e inquietos.
É indispensável que as turmas de bons obreiros se dirijam às zonas de serviço, preparados para os testemunhos dos ensinamentos recebidos.
Simão Pedro sintetiza o trabalho dos cristãos de maneira magistral.
Sois chamados para isto - assevera o apóstolo.
A afirmativa simples indica que os discípulos leais foram convocados a sofrer pelo bem.

Francisco Cândido Xavier. Pelo Espírito Emmanuel.  

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Orgulho e a Humildade


Homens, por que vos queixais das calamidades que vós mesmos amontoastes sobre as vossas cabeças? Desprezastes a santa e divina moral do Cristo; não vos espanteis, pois, de que a taça da iniquidade haja transbordado de todos os lados.
Generaliza-se o mal-estar. A quem inculpar, senão a vós que incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males. Aplicai-vos, portanto, em destruí-lo, se não lhe quiserdes perpetuar as funestas conseqüências. Um único meio se vos oferece para isso, mas infalível: tomardes para regra invariável do vosso proceder a lei do Cristo, lei que tendes repelido ou falseado em sua interpretação.
Por que haveis de ter em maior estima o que brilha e encanta os olhos, do que o que toca o coração? Por que fazeis do vício na opulência objeto das vossas adulações, ao passo que desdenhais do verdadeiro mérito na obscuridade? Apresente-se em qualquer parte um rico debochado, perdido de corpo e alma, e todas as portas se lhe abrem, todas as atenções são para ele, enquanto ao homem de bem, que vive do seu trabalho, mal se dignam todos de saudá-lo com ar de proteção. Quando a consideração dispensada aos outros se mede pelo ouro que possuem ou pelo nome de que usam, que interesse podem eles ter em se corrigirem de seus defeitos?
Dar-se-ia o inverso, se a opinião geral fustigasse o vicio dourado, tanto quanto o vicio em andrajos; mas, o orgulho se mostra indulgente para com tudo o que o lisonjeia. Século de cupidez e de dinheiro, dizeis. Sem dúvida; mas por que deixastes que as necessidades materiais sobrepujassem o bom senso e a razão? Por que há de cada um querer elevar-se acima de seu irmão? Desse fato sofre hoje a sociedade as conseqüências.
Não esqueçais que tal estado de coisas é sempre sinal certo de decadência moral. Quando o orgulho chega ao extremo, tem-se um indicio de queda próxima, porquanto Deus nunca deixa de castigar os soberbos. Se por vezes consente que eles subam, é para lhes dar tempo a reflexão e a que se emendem, sob os golpes que de quando em quando lhes desfere no orgulho para os advertir. Mas, em lugar de se humilharem, eles se revoltam. Então, cheia a medida, Deus os abate completamente e tanto mais horrível lhes é a queda, quanto mais alto hajam subido.
Pobre raça humana, cujo egoísmo corrompeu todas as sendas, toma novamente coragem, apesar de tudo. Em sua misericórdia infinita, Deus te envia poderoso remédio para os teus males, um inesperado socorro à tua miséria. Abre os olhos à luz: aqui estão as almas dos que já não vivem na Terra e que te vêm chamar ao cumprimento dos deveres reais. Eles te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da vossa passageira existência são mesquinhas a par da eternidade. Dir-te-ão que, lá, o maior é aquele que haja sido o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou os seus irmãos será também o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da sua autoridade, ver-se-ão reduzidos a obedecer aos seus servos; que, finalmente, a humildade e a caridade, irmãs que andam sempre de mãos dadas, são os meios mais eficazes de se obter graça diante do Eterno. 
Adolfo, bispo de Argel. (Marmande, 1862.)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Opiniões Convencionais


"A multidão respondeu: Tens demônio; quem procura matar-te?" - (JOÃO, capítulo 7, versículo 20.)

Não te prendas excessivamente aos juízos da multidão. O convencionalismo e o hábito possuem sobre ela forças vigorosas.

Se toleras ofensas com amor, chama-te covarde.

Se perdoas com desinteresse, considera-te tolo.

Se sofres com paciência, nega-te valor.

Se espalhas o bem com abnegação, acusa-te de louco.

Se adquires característicos do amor sublime e santificante, julga-te doente.

Se desestimas os gozos vulgares, classifica-te de anormal.
Se te mostras piedoso, assevera que te envelheceste e cansaste antes do tempo.

Se adotas a simplicidade por norma, ironiza-te às ocultas.

Se respeitas a ordem e a hierarquia, qualifica-te de bajulador.

Se reverencias a Lei, aponta-te como medroso.

Se és prudente e digno, chama-te fanático e perturbado.

No entanto, essa mesma multidão, pela voz de seus maiorais, ensina o amor aos semelhantes, o culto da legalidade e a religião do dever. Em seus círculos, porém, o excesso de palavras não permite, por enquanto, o reinado da compreensão.

É indispensável suportar-lhe a inconsciência para atendermos com proveito às nossas obrigações perante Deus.

Não te irrites, nem desanimes.
O próprio Jesus foi alvo, sem razão de ser, dos sarcasmos da opinião pública.

                      Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O Juiz Reto



Ao tribunal de Eliaquim ben Jefté, juiz respeitável e sábio, compareceu o negociante Jonatan ben Cafar arrastando Zorobabel, miserável mendigo.

- Este homem - clamou o comerciante, furioso - impingiu-me um logro de vastas proporções! Vendeu-me um colar de pérolas falsas, por cinco peças de ouro, asseverando que valiam cinco mil. Comprei as jóias, crendo haver realizado excelente negócio, descobrindo, afinal, que a preço delas é inferior a dois ovos cozidos. Reclamei diretamente contra a mistificador, mas este vagabundo já me gastou o rico dinheiro. Exijo para ele as penas da justiça! É ladrão reles e condenável!...
O magistrado, porém, que cultuava a Justiça Suprema, recomendou que o acusado se pronunciasse por sua vez:
- Grande juiz - disse ele, timidamente -, reconheço haver transgredido os regulamentos que nos regem. Entretanto, tenho meus dois filhos estirados na cama e debalde procuro trabalho digno, pois mo recusam sempre, a pretexto de minha idade e de minha pobre apresentação. Realmente, enganei o meu próximo e sou criminoso, mas prometo resgatar meu débito logo que puder.
O juiz meditou longamente e sentenciou:
- Para Zorobabel, o mendigo, cinco bastonadas entre quatro paredes, a fim de que aprenda a sofrer honestamente, sem assalto à bolsa dos semelhantes, e, para Jonatan, a mercador, vinte bastonadas, na praça pública, de modo a não mais abusar dos humildes.
O negociante protestou, revoltado:
- Que ouço?! Sou vítima de um ladrão e devo pagar por faltas que não cometi? Iniqüidade! iniqüidade!...
O magistrado, todavia, bateu forte com um martelo sobre a mesa, chamando a atenção dos presentes, e esclareceu, em voz alta:
- Jonatan ben Cafar, a justiça verdadeira não reside na Terra para examinar as aparências. Zorobabel, o vagabundo, chefe de uma família infeliz, furtou-te cinco peças de ouro, no propósito de socorrer as filhos desventurados, porém, tu, por tua vez, tentaste roubar dele, valendo-te do infortúnio que a persegue, apoderando-te de um objeto que acreditaste valer cinco mil peças de ouro ao preço irrisório de cinco. Quem é mas nocivo a sociedade, perante Deus: o mísero esfomeado que rouba um pão, a fim de matar a fome dos filhos, ou a homem já atendido pela Bondade do Eterno, com os dons da fortuna e da habilidade, que absorve para si urna padaria inteira, a fim de abusar, calculadamente, da alheia indigência? Quem furta por necessidade pode ser um louco, mas quem acumula riquezas, indefinidamente, sem movimentá-las no trabalho construtivo ou na prática do bem, com absoluta despreocupação pelas angústias dos pobres, muita vez passará por inteligente e sagaz, aos olhos daqueles que, no mundo, adormeceram no egoísmo e na ambição desmedida, mas é malfeitor diante do Todo-Poderoso que nos julgará a todos, no momento oportuno.
E, sob a vigilância de guardas robustos, Zorobabel tomou cinco bastonadas em sala de portas lacradas, para aprender a sofrer sem roubar, e Jonatan apanhou vinte, na via pública, de modo a não mais explorar, sem escrúpulos, a miséria, a simplicidade e a confiança do povo.
                                                      Francisco Cândido Xavier - Neio Lúcio

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Lei do Amor


O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos.

E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.

A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo.

Quando Jesus pronunciou a divina palavra amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino.

Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual.

Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.

O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XI.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ponte da Vida


Uma companhia de seguros aliou-se ao governo da Coreia do Sul para começar uma campanha publicitária específica, numa das pontes mais importantes de Seul, a capital, que, assim, transformou-se de ponte da morte em ponte da vida.
A Coreia do Sul é um dos países com maior taxa de suicídio do mundo, e a Ponte Mapo registrava média de vinte e uma mortes por ano.
Para solucionar o grave problema, o governo estudava duas alternativas: construir um muro ou fechar a ponte.
Até que surgiu uma terceira alternativa: realizar uma campanha publicitária a favor da vida, de tal modo que mensagens fizessem com que as pessoas pensassem duas vezes, antes de tomarem a medida extrema do suicídio.
A Companhia Corretora de Seguros criou parceria com publicitários, psicólogos e ativistas de prevenção ao suicídio, para que frases inspiradoras fossem criadas.
Na sequência, painéis luminosos de led com sensores foram instalados ao longo de mais de dois quilômetros, fazendo com que eles acendam, conforme os transeuntes caminham pela ponte, possibilitando que as pessoas leiam frases como:
Vá ver as pessoas de quem você sente saudade.
Os melhores momentos da sua vida ainda estão por vir.
Como você gostaria de ser lembrado?
A campanha teve início em setembro de 2012. Até dezembro do mesmo ano, ou seja, no período de três meses, a taxa de suicídio na ponte diminuiu 85%, merecendo a campanha premiação especial do conhecido Festival Internacional de Cinema de Cannes.
*   *   *
Embora a campanha possa ter, inclusive, um viés comercial, como afirmam alguns, considerando o envolvimento de uma corretora de seguros, o que ressalta é o efeito: muitas mortes voluntárias foram evitadas.
E isso é o que mais importa: a demonstração de que um ser humano se preocupa com outro ser humano, seu irmão.
O suicídio é dos mais graves delitos que o ser humano possa praticar. Diz, com sua atitude, que despreza a vida que a Divindade lhe conferiu e joga fora a oportunidade de crescimento individual.
Insurge-se contra o Criador Supremo, cortando, de forma voluntária, o fio da existência.
Se você está a ponto de atentar contra a própria vida, pense um pouco: O que está acontecendo que o faz alimentar esse desejo?
*   *   *
Se você perdeu o amor, o emprego, uma oportunidade preciosa, pense que nada melhor do que aguardar um pouco mais, porque tudo passa.
O escuro painel da desesperança que hoje sombreia as suas horas, logo mais se dissipará.
Pense que após a escuridão da noite, sempre surge a gargalhada da esplendorosa madrugada. E, logo mais, o sol, as cores.
Portanto, deixe que as horas da noite se escoem, aguarde a madrugada risonha e se permita viver o alvorecer de um novo dia.
Tudo se modifica rapidamente: o clima, as situações, as dificuldades, os problemas.
Aguarde o amanhã, confiante. Não abandone a vida hoje. A esperança se encontra à janela, sorridente, aguardando seu olhar.
Pense nisso. A vida, por mais rude, merece ser vivida em plenitude, dádiva do Pai amoroso e bom.

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mundos Regeneradores


Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.
Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.
Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.
Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.
Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que uni mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. - Santo Agostinho. (Paris, 1862.)


Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo.