terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Tudo Novo



"Assim é que, se alguém está. em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." - Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 5, versículo 17.)

É muito comum observarmos crentes inquietos, utilizando recursos sagrados da oração para que se perpetuem situações injustificáveis tão-só por que envolvem certas vantagens imediatas para suas preocupações egoísticas.
Semelhante atitude mental constitui resolução muito grave.
Cristo ensinou a paciência e a tolerância, mas nunca determinou que seus discípulos estabelecessem acordo com os erros que infelicitam o mundo. Em face dessa decisão, foi à cruz e legou o último testemunho de não-violência, mas também de não-acomodação com as trevas em que se compraz a maioria das criaturas.
Não se engane o crente acerca do caminho que lhe compete.
Em Cristo tudo deve ser renovado, O passado delituoso estará morto, as situações de dúvida terão chegado ao fim, as velhas cogitações do homem car nal darão lugar a vida nova em espírito, onde tudo signifique sadia reconstrução para o futuro eterno.
É contra-senso valer-se do nome de Jesus para tentar a continuação de antigos erros.
Quando notarmos a presença de um crente de boa palavra, mas sem o íntimo renovado, dirigindo-se ao Mestre como um prisioneiro carregado de cadeias, estejamos certos de que esse irmão pode estar à porta do Cristo, pela sinceridade das intenções; no entanto, não conseguiu, ainda, a penetração no santuário de seu amor.

Francisco Cândido Xavier Pelo Espírito Emmanuel

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Questões 804 e 805 do livro dos Espíritos - Desigualdades das Aptidões


Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

804. Por que não outorgou Deus as mesmas aptidões a todos os homens?
"Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que lhes dá aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar. Demais, sendo solidários entre si todos os mundos, necessário se torna que os habitantes dos mundos superiores, que, na sua maioria, foram criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o exemplo." (361)

805. Passando de um mundo superior a outro inferior, conserva o Espírito, integralmente, às faculdades adquiridas?
"Sim, já temos dito que o Espírito que progrediu não retrocede. Poderá escolher, no estado de Espírito livre, um invólucro mais grosseiro, ou posição mais precária do que as que já teve, porém tudo isso para lhe servir de ensinamento e ajudá-lo a progredir." (180)

Comentário de Allan Kardec:
Assim, a diversidade das aptidões entre os homens não deriva da natureza íntima da sua criação, mas do grau de aperfeiçoamento a que tenham chegado os Espíritos encarnados neles. Deus, portanto, não criou faculdades desiguais; permitiu, porém, que os Espíritos em graus diversos de desenvolvimento estivessem em contacto, para que os mais adiantados pudessem auxiliar o progresso dos mais atrasados e também para que os homens, necessitando uns dos outros, compreendessem a lei de caridade que os deve unir.


Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Por um Pouco

"Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado." Paulo (Hebreus, 11:25)

Nesta passagem refere-se Paulo à atitude de Moisés, abstendo-se de gozar por um pouco de tempo das suntuosidades da casa do Faraó, a fim de consagrar-se à libertação dos companheiros cativos, criando imagem sublime para definir a posição do espírito encarnado na Terra.

"Por um pouco", o administrador dirige os interesses do povo.

"Por um pouco", o servidor obedece na subalternidade.

"Por um pouco", o usurário retém o dinheiro.

"Por um pouco", o infeliz padece privações.

Ah! Se o homem reparasse a brevidade dos dias de que dispõe na Terra! Se visse a exigüidade dos recursos com que pode contar no vaso de carne em que se movimenta...

Certamente, semelhante percepção, diante da eternidade, dar-lhe-ia novo conceito da bendita oportunidade, preciosa e rápida, que lhe foi concedida no mundo.

Tudo favorece ou aflige a criatura terrestre, simplesmente por um pouco de tempo.

Muita gente, contudo, vale-se dessa pequenina fração de horas para complicar-se por muitos anos.

É indispensável fixar o cérebro e o coração no exemplo de quantos souberam glorificar a romagem apressada no caminho comum.

Moisés não se deteve a gozar, "por um pouco", no clima faraônico, a fim de deixar-nos a legislação justiceira.

Jesus não se abalançou a disputar, nem mesmo "por um pouco", em face da crueldade de quantos o perseguiam, de modo a ensinar-nos o segredo divino da Cruz com Ressurreição Eterna.

Paulo não se animou a descansar "por um pouco", depois de encontrar o Mestre às portas de Damasco, de maneira a legar-nos seu exemplo de trabalho e fé viva.

Meu amigo, onde estiveres, lembra-te de que aí permaneces "por um pouco" de tempo. Modera-te na alegria e conforma-te na tristeza, trabalhando sem cessar, na extensão do bem, porque é na demonstração do "pouco" que caminharás para o "muito" de felicidade ou de sofrimento.

Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

sábado, 28 de dezembro de 2013

Questões 799 a 802 - Espiritismo e Progresso


Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos:

799. De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?
"Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos."

800. Não será de temer que o Espiritismo não consiga triunfar da negligência dos homens e do seu apego às coisas materiais?
"Conhece bem pouco os homens quem imagine que uma causa qualquer os possa transformar como que por encanto. As idéias só pouco a pouco se modificam, conforme os indivíduos, e preciso é que algumas gerações passem, para que se apaguem totalmente os vestígios dos velhos hábitos. A transformação, pois, somente com o tempo, gradual e progressivamente, se pode operar. Para cada geração uma parte do véu se dissipa. O Espiritismo vem rasgá-lo de alto a baixo. Entretanto, conseguisse ele unicamente corrigir num homem um único defeito que fosse e já o haveria forçado a dar um passo. Ter-lhe-ia feito, só com isso, grande bem, pois esse primeiro passo lhe facilitará os outros."

801. Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje?
"Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora. Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar."

802. Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da Humanidade, por que não apressam os Espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos?
"Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em Sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão."

Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pedir


"Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis." - (MATEUS, capítulo 20, versículo 22.)

A maioria dos crentes dirige-se às casas de oração, no propósito de pedir alguma coisa.
Raros os que aí comparecem, na verdadeira atitude dos filhos de Deus, interessados nos sublimes desejos do Senhor, quanto à melhoria de conhecimentos, à renovação de valores íntimos, ao aproveitamento espiritual das oportunidades recebidas de Mais Alto.
A rigor, os homens deviam reconhecer nos templos o lugar sagrado do Altíssimo, onde deveriam aprender a fraternidade, o amor, a cooperação no seu programa divino. Quase todos, porém, preferem o ato de insistir, de teimar, de se imporem ao paternal carinho de Deus, no sentido de lhe subornarem o Poder Infinito. Pedinchões inveterados, abandonam, na maior parte das vezes, o traçado reto de suas vidas, em virtude da rebeldia suprema nas relações com o Pai. Tanto reclamam, que lhes é concedida a experiência desejada.
Sobrevêm desastres. Surgem as dores. Em seguida, aparece o tédio, que é sempre filho da incompreensão dos nossos deveres.
Provocamos certas dádivas no caminho, adiantamo-nos na solicitação da herança que nos cabe, exigindo prematuras concessões do Pai, à maneira do filho pródigo, mas o desencanto constitui-se em veneno da imprevidência e da irresponsabilidade.
O tédio representará sempre o fruto amargo da precipitação de quantos se atiram a patrimônios que lhes não competem.
Tenhamos, pois, cuidado em pedir, porque, acima de tudo, devemos solicitar a compreensão da vontade de Jesus a nosso respeito.


Francisco Cândido Xavier. Pelo Espírito Emmanuel. 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Louvores Vazios


Contam as tradições do mundo espiritual que, certa feita, estava Vicente de Paulo, o nobre sacerdote francês, a celebrar um ofício religioso.
O nobre clérigo, que ganharia a História pela sua devoção aos pobres e por sua humildade, verifica, em meio à solenidade, repentino louvor público.
Aproxima-se do altar velho pirata que, em altos brados, inicia sua ladainha de agradecimentos.
Obrigado meu Deus, dizia ele, pelos ricos navios que colocaste no meu caminho, pelas boas presas, vítimas dos meus roubos e saques.
Graças à Tua generosidade Senhor, pude tomar-lhes as riquezas e os tesouros. Não permitas nunca que este Teu filho se perca na miséria.
Na sequência, aproxima-se do altar jovem rapaz que, por sua vez, passa a tecer os motivos que tinha de agradecimentos ao Senhor.
Obrigado meu Deus, pela herança que permitiste que eu herdasse com a morte de meu avô.
Ele, que fez fortuna na guerra e nas batalhas, nos deixa volumosa soma em dinheiro.
Assim, passarei a existência no ócio e na diversão, sem a necessidade do trabalho.
Em seguida, foi um cavalheiro maduro quem se aproximou do altar para seus agradecimentos públicos.
Mestre Divino, agradeço-te o amparo pela vitória na batalha que encetei para ampliar os domínios de minhas terras.
Agora, graças ao Teu poder, ampliarei minha fortuna e meus bens.
Não tardou para adornada senhora tomar a posição de agradecimento.
Eu Te agradeço Senhor, pelos escravos que me conferiste em minhas terras coloniais.
Graças ao trabalho deles, tenho fortuna, poder e riqueza, sem grandes preocupações com meu futuro e o dos meus.
Os agradecimentos continuavam, quando São Vicente de Paulo, assombrado, reparou que a imagem do Mestre de Nazaré, estática no altar, adquiria vida e movimento.
Reparando que o Mestre, em prantos, afastava-se a passos rápidos, o nobre sacerdote, tomado de susto, lhe indaga:
Mestre, por que Te afastas de nós?
O Celeste Amigo, melancólico, dirige-se ao sacerdote:
Vicente, afasto-me porque me sinto envergonhado de receber louvores e agradecimentos daqueles que esquecem e desprezam os fracos, os infelizes, os desafortunados e pensam apenas em si mesmos.
A partir desse dia, São Vicente de Paulo nunca mais abandonou a túnica da pobreza, trabalhando incessantemente na caridade.
*   *   *
Não diferente desses, muitas vezes, agimos de forma semelhante.
Lembramos de agradecer a Deus, com os lábios e palavras.
Porém, esquecemo-nos de que, como nos lembra Jesus, a cada um daqueles que dermos de vestir, de beber e de comer, será a Ele que estaremos servindo.
A melhor forma de agradecer a Deus, será sempre servindo ao próximo.
Dar o agasalho, o pão, ou ainda, dar do nosso tempo e da nossa atenção para quem cruza o nosso caminho, será a maneira mais nobre e feliz de agradecermos as bênçãos da vida.
 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do
livro
Contos e Apólogos, pelo Espírito Irmão X,

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A mensagem Cristã


Não se reveste o ensinamento de Jesus de quaisquer fórmulas complicadas.
Guardando embora o devido respeito a todas as escolas de revelação da fé com os seus colégios iniciáticos, notamos que o Senhor desce da Altura, a fim de libertar o templo do coração humano para a sublimidade do amor e da luz, através da fraternidade, do amor e
do conhecimento.
Para isso, o Mestre não exige que os homens se façam heróis ou santos de um dia para outro. Não pede que os seguidores pratiquem milagres, nem lhes reclama o impossível.
Dirige-se a palavra dEle à vida comum, aos campos mais simples do sentimento, à luta vulgar e às experiências de cada dia.
Contrariamente a todos os mentores da Humanidade, que viviam, até então, entre mistérios religiosos e dominações políticas, convive com a massa popular, convidando as criaturas a levantarem o santuário do Senhor nos próprios corações.
Ama a Deus, Nosso Pai - ensinava Ele -, com toda a tua alma, com todo o teu coração e com todo o teu entendimento.
Ama o próximo como a ti mesmo.
Perdoa ao companheiro quantas vezes se fizerem necessárias.
Empresta sem aguardar retribuição.
Ora pelos que te perseguem e caluniam.
Ajuda aos adversários.
Não condenes para que não sejas condenado.
A quem te pedir a capa cede igualmente a túnica.
Se alguém te solicita a jornada de mil passos, segue com ele dois mil.
Não procures o primeiro lugar nas assembléias, para que a vaidade te não tente o coração.
Quem se humilha será exaltado.
Ao que te bater numa face, oferece também a outra.
Bendize aquele que te amaldiçoa.
Liberta e serás libertado.
Dá e receberás.
Sê misericordioso.
Faze o bem ao que te odeia.
Qualquer que perder a sua vida, por amor ao apostolado da redenção, ganhá-la-á mais perfeita, na glória da eternidade.
Resplandeça a tua luz.
Tem bom ânimo.
Deixa aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos.
Se pretendes encontrar-me na luz da ressurreição, nega a ti mesmo, alegra-te sob o peso da cruz dos próprios deveres e segue-me os passos no calvário de suor e sacrifício que precede os júbilos da aurora divina!
E, diante desses apelos, gradativamente, há vinte séculos, calam-se as vozes que mandam revidar e ferir!... E a palavra do Cristo, acima de editos e espadas, decretos e encíclicas, sobe sempre e cresce cada vez mais, na acústica do mundo, preparando os homens e a vida para a soberania do Amor Universal.


Emmanuel / Chico Xavier

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Bilhete de Natal



Meu amigo, não te esqueças,
Pelo Natal de Jesus,
De cultivar na lembrança
A paz, a verdade e a luz.

Não olvides a oração
Cheia de fé e de amor,
Por quem passa, sobre a Terra,
Encarcerado na dor.

Vai buscar o pobrezinho
E o triste que nada tem...
O infeliz que passa ao longe
Sem o afeto de ninguém.

Consola as mães sofredoras
E alegra o órfão que vai
Pelas estradas do mundo
Sem os carinhos de um pai.

Mas escuta: Não te esqueças,
Na doce revelação,
Que Jesus deve nascer
No altar do teu coração.


Pelo Espírito Casimiro Cunha

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Paciência


Onde estejas, apresentas o nome que te assinala, a ideia que te dirige, a roupa que te acolhe e os sinais que te identificam.
Em teu benefício próprio não olvides carregar onde fores a energia da paciência que te garanta a serenidade.
Se alguém te anuncia catástrofes iminentes, qual se trouxesse na boca o vozerio das trevas, ouça com paciência e perceberás que a vida permanece atuante, acima de todas as calamidades, à maneira do sol que brilha invariável, sobre todos os aguaceiros.
Quando a provação te visite, a modo de ventania destruidora, sofre com paciência e colherás dela renovado vigor semelhante à árvore que se refaz pela angústia da poda.
Diante do golpe que te alcança as fibras mais íntimas, suportam com paciência as dores do reajuste e cicatrizarão valorosamente as chagas do coração conquistando os louros da experiência.
Padeces inesperada injúria dos entes amados que te devem carinho, no entanto, passa por ela com paciência e, amanhã, ser-te-ão mais afeiçoados e mais amigos.
Tolera a deserção de companheiros queridos que te deixam nas mãos o sacrifício de duras tarefas acumuladas, contudo, prossegue com paciência no trabalho que o mundo te reservou e mais tarde, teus ideais e serviços se erigirão por alimento e refúgio em favor deles mesmos.
Irritação é derrota prévia.
Queixa é adiamento do melhor a fazer.
Reclamar é complicar.
Censurar é destruir.
Em todos os males que te firam, usa a dieta da paciência assegurando a própria restauração.
E toda vez que sejamos induzidos a condenar alguém por essa ou aquela falta, inventariemos nossas próprias fraquezas e reconheceremos de pronto que nos encontramos de pé, em virtude da paciência inexaurível de Deus.


Emmanuel/Chico Xavier

domingo, 22 de dezembro de 2013

Os Quatro Elementos


“Seja terra”, disse o mestre. “A terra recebe os dejetos de homens e animais e não é perturbada por isto; muito pelo contrário, transforma as impurezas em adubo, e fertiliza o campo.”

“Seja água”, disse o mestre. “A água limpa a si mesma, e limpa tudo aquilo que toca. Seja água em torrente.”

“Seja fogo”, disse o mestre. “O fogo faz a madeira podre transformar-se em luz e calor. Seja o fogo que queima e purifica.”

“Seja vento”, disse o mestre. “O vento espalha as sementes sobre a terra, faz o fogo arder com mais brilho, empurra as nuvens – para que a água caia sobre todos os homens.”

“Se você tiver a paciência da terra, a pureza da água, a força do fogo, e a justiça do vento, você está livre.”


Autor desconhecido

sábado, 21 de dezembro de 2013

Vem Aí


A jovem casara-se com o homem amado, contudo, não suportava a sogra. A nobre dama recebia da nora injúrias, remoques, humilhações.
Não podia acariciar o filho, sob pena de ver-se repentinamente insultada.
Não conseguia trabalhar, coagida pelas críticas incessantes.
Tentava se explicar e era interpretada por descortês.
Se doente, era obrigada a sofrer pesado martírio para que o filho não sofresse mais que ela própria.
Aproveitando-se de viagem longa do esposo, que se ausentara em serviço, a nora expulsou a velhinha numa noite de frio rude e com tanto desconforto, perambulou a infeliz que voltou à casa, depois de cinco dias, simplesmente para morrer.
Anos rolaram entre as saudades do filho e as queixas da esposa, que nunca se reconciliara com a sogra.
Entretanto, chegou o dia em que a nora também desencarnou e ao perguntar pela sogra veio, a saber, espantada, que ela estava em seu próprio lar. Reencarnara-se, desde muito, e recebera-lhe extremo carinho na posição de filha caçula, tendo ficado na Terra, como apoio afetivo do próprio pai.
Não vale o cultivo da aversão de qualquer natureza, porque todo o Universo vive equilibrado na lei do amor.
Quando você voltar a ponto de odiar alguém, não se esqueça de que a reencarnação vem aí...


Valérium / Chico Xavier

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Desequilíbrios



O início das grandes obsessões é semelhante à pequenina brecha no açude que por vezes não passa de pedra desconjuntada ou de fenda oculta. 

Os desequilíbrios da alma começam igualmente de quase nada, principalmente por atitudes e sentimentos aparentemente compreensíveis, mas que, em muitas ocasiões, se deslocam no rumo de ásperas consequências. 

Desconfiança. 
Dúvida. 
Irritação. 
Desânimo. 
Ressentimento. 
Impulsividade.
Invigilância.
Amargura. 
Tristeza sem nexo. 
Grito de cólera.
Discussão sem proveito. 
Conversa vã. 
Visita inútil.
Distração sem propósito. 

Na represa, ninguém pode prever os resultados da brecha esquecida. 
No caso da obsessão, porém, que, no fundo, se define por assunto de consciência, é imperioso que todos nós venhamos a reconhecer que, em toda e qualquer crise de fome, não é o pão que procura a boca.


Albino Teixeira / Chico Xavier

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Caridade é Obrigação


Antes de negar-se aos apelos da caridade, medite um momento nas aflições dos outros.
Imagine você no lugar de quem sofre.
Observe os irmãos relegados aos padecimentos da rua e suponha-se constrangido à semelhante situação.
Repare o doente desamparado e considere que amanhã provavelmente seremos nós candidatos ao socorro na vida pública.
Contemple as crianças necessitadas lembrando os próprios filhos.
Quando a ambulância deslize rente ao seu passo, conduzindo ao enfermo anônimo, pondere que, talvez um parente nosso extremamente querido, se encontre a gemer dentro dela.
Escute pacientemente os companheiros entregues à sombra do grande infortúnio e recorde que em futuro próximo, é possível estejamos na travessia das mesmas dificuldades.
Fite a multidão dos ignorantes e fracos; cansados e infelizes, julgando-se entre eles e mentalize a gratidão que você sentiria perante a migalha de amor que alguém lhe ofertasse.
Pense um momento em tudo isso e você reconhecerá que a caridade para nós todos é simples obrigação.


André Luiz / Chico Xavier

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Avise a Você



Aprenda a admoestar-se, antes que a vida admoeste a você. 
Se o seu problema é alimentar-se excessivamente, exponha na mesa está legenda escrita, diante dos olhos: 
- Devo moderar meu apetite. 
Se a sua luta decorre da preguiça, dependure este dístico à frente do próprio leito para a reflexão cada manhã: 
- Devo trabalhar honestamente. 
Se a sua intranquilidade surge da irritação sistemática, coloque este aviso em evidência na lar para observação incessante: 
- Devo governar minhas emoções. 
Se o seu impedimento irrompe de vícios arraigados, carregue consigo um cartão com esta lembrança breve: 
- Devo renovar-me. 
Se o seu caso difícil é a inquietação sexual, traga no pensamento este aviso constante: 
- Devo controlar meus impulsos. 
Se o seu ponto frágil está na palavra irrefletida, espalhe este memorando em torno de seus passos: 
- Devo falar caridosamente. 
Não acredite em liberdade incondicional. Todo direito está subordinado a determinado dever. Ninguém abusa sem consequências. 
Repare os sistemas penalógicos da vida funcionando espontaneamente. 
Enfermidades compartilham excessos... 
Obsessões cavalgam desequilíbrios... 
Cárceres segregam a delinquência... 
Reencarnações expiatórias acompanham desatinos... 
Corrijamos a nós mesmos, antes que o mundo nos corrija. 
Todos sabemos proclamar os méritos do pensamento positivo, entretanto, não há pensamento positivo para o bem sem 
pensamento reto. 
O tempo é aquele orientador incansável que ensina a cada um de nós, hoje, amanhã e sempre que ninguém pode realmente brincar de viver.

André Luiz / Chico Xavier

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Sabedoria do Mestre


Ele era um sábio. Muito adiante de todos os de Seu tempo, em conhecimentos e experiência, deixou lições imorredouras.
Falava por parábolas, tecendo um colar de pérolas, que deveria ser desfiado, no transcorrer do tempo.
Quão pouco ainda O conhecemos!
Narram as tradições espirituais que, quando se desprendeu a nebulosa terrestre do núcleo central do sistema, Jesus a recebeu em Suas mãos.
E, com zelo, dispôs todos os detalhes, a fim de que, transcorridos milênios, o homem pudesse aportar, com segurança, no planeta que lhe deveria servir de lar e escola.
Deliberou também a formação do seu satélite. A lua seria a âncora do equilíbrio terrestre nos movimentos de translação que o globo efetuaria em torno do sol.
Seria ainda o manancial de forças ordenadoras da estabilidade planetária. O planeta nascente necessitaria da sua luz polarizada, cujo suave magnetismo atua na criação e reprodução de todas as espécies, nos variados reinos da natureza.
Ele dispôs as camadas de ozônio a quarenta e a sessenta metros de altitude da crosta, a fim de que pudessem filtrar devidamente os raios solares.
Definiu as linhas de progresso da Humanidade futura, estabelecendo a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias.
Ninguém lhe viu as mãos augustas em todo o processo de preparação do futuro lar dos homens. Por isso, no transcorrer dos milênios, substituíram a Sua providência pela palavra natureza.
Contudo, foi Ele, em nome do Pai Criador, o Divino escultor das formas de vida e das belezas que, até hoje, extasiam o homem.
O homem, que estuda a biodiversidade marinha e descobre sempre novas e surpreendentes formas de vida. Seres estranhos, portadores de luminosidade própria, por viverem em zonas abissais, por exemplo.
O homem, que se dedica ao estudo da botânica e da zoologia, verificando a perfeição de todo o processo da criação, reprodução e manutenção das espécies.
O homem, que pesquisa e descobre, paulatinamente, os benefícios infindáveis oferecidos pela flora. Além da beleza dos matizes, da manutenção da cadeia reprodutora e alimentar, a extraordinária e benéfica ação farmacêutica.
Sim, foi Jesus, o Divino escultor, o Governador do planeta Terra quem, com os operários da espiritualidade, tudo planificou e tudo elaborou.
Ele, que fez a pressão atmosférica adequada ao homem, também estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera.
Pastor de todas as almas que lhe foram confiadas pelo Divino Pai, antecipou em milênios as providências para o estabelecimento da vida física na Terra.
*   *   *
Servindo-nos de tudo que Ele nos dispôs, a nós, homens, cabe o indeclinável dever de zelar pela nossa casa terrestre, não malbaratando os tesouros da vida que Jesus nos ofereceu, desde o princípio.
Especialmente, preservando o meio ambiente em que nos movemos e do qual nos servimos, para a jornada de progresso na presente e nas futuras encarnações.
E, mais do que tudo, ante as convulsões que observamos nos dias presentes, ter a certeza de que Ele, o Excelso Mestre e Condutor dos nossos destinos, vela de forma incansável.
Lembremos: Jesus está no leme da grande nau chamada Terra.

Redação do Momento Espírita,com base no
cap. 1, do livro
A caminho da Luz, pelo
Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco
Cândido Xavier

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Cura e Caridade


Cada vez que nos reportamos aos serviços da cura, é justo pensar nos enfermos, que transcendem o quadro da diagnose comum.
Enxameiam, aflitos, por toda parte, aguardando medicação.
Há os que cambaleiam de fome, a esmolarem doses de alimentação adequada.
Há os que tremem desnudos, requisitando a internação em roupa conveniente.
Há os que caem desalentados, a esperarem pela injeção de bom ânimo.
Há os que arrojaram nos tormentos da culpa, rogando tranquilizantes do esquecimento.
Há os que se conturbam nas trevas da obsessão a pedirem palavras de luz por drágeas de amor.
Há os que choram de saudade nos aposentos do coração, suplicando a bênção do reconforto.
Há os que foram mentalmente mutilados por desenganos terríveis, a suspirarem por recursos de apoio.
E há, ainda, aqueles outros que se envenenaram de egoísmo e frieza, desespero e ignorância, exigindo a terapêutica incessante da desculpa incondicional.

Ajuda, sim, aos doentes do corpo, mas não desprezes os doentes da alma, que caminham na Terra, aparentemente robustos, carregando enfermidades imanifestas
que lhes consomem o pensamento e desfiguram a vida.
Todos podemos ser instrumentos do bem, uns para com os outros.
Não esperes que o companheiro se acame prostrado ou febril para estender-lhe esperança e remédio.
Auxilia-o, hoje mesmo, sem humilhar ou ferir, de vez que a verdadeira caridade, tanto quanto possível é tratamento indolor da necessidade humana.
Os emissários do Cristo curam os nossos males em divino silêncio.
Diante dos outros, procedamos nós igualmente assim.


Emmanuel/Chico Xavier

domingo, 15 de dezembro de 2013

Atravessando o Rio


Dois monges viajavam juntos por um caminho lamacento. Chovia torrencialmente, o que dificultava a caminhada.  A certa altura tinham que atravessar um rio, cuja água lhes dava pela cintura. Na margem, estava uma moça que parecia não saber o que fazer:
- Quero atravessar para o outro lado, mas tenho medo.
Então o monge mais velho carregou a moça às suas costas para a outra margem. Horas depois, o monge mais novo não se conteve e perguntou:
- Nós, monges, não devemos nos aproximar das mulheres, especialmente se forem jovens e atraentes. É perigoso. Por que fez aquilo?
- Eu deixei a moça lá. Você ainda a está carregando?

Autor desconhecido

sábado, 14 de dezembro de 2013

O Fogo que Aqueceu o Menino


Conta-se...
Que o fogo que aqueceu o menino
Ao lado da manjedoura,
Naquela noite inesquecível,
Sentiu-se profundamente honrado em servir, de forma tão especial... Mesmo que por tão pouco tempo.
Conta-se...
Que nem mesmo o fogo foi o mesmo,
Depois da chegada daquele menino.
*   *   *
Talvez a palavra servir ande desgastada.
Ou ainda, vague por aí nas brumas da incompreensão ou do preconceito, como tantas outras.
Falar em servir, falar em servo, remete-nos a sofrimento, a subserviência, a subjugação. E, disso tudo estamos enfadados realmente.
Porém, a palavra servir é uma das mais belas que existe, uma vez que descobrimos seu verdadeiro sentido. E, nada como o Natal para descobrir significados novos, ampliar horizontes, refazer caminhos e compreensões da vida.
Servir é devotar-se a algo, a alguém. Servir é entregar-se a uma causa, a um amor, a um ideal.
Assim, ser servo é ter sentido na vida, é ter noção clara para onde se quer seguir todos os dias.
Servir àfamília, servir ao casamento, servir à profissão, servir à comunidade...
Não se trata de se colocar abaixo, no sentido de se ter menos valor do que... Trata-se de doar-se inteiramente a algo em que se acredita.
Se percebermos bem, em a natureza tudo serve. E mais, serve feliz.
Notemos isso com atenção: na natureza tudo serve com alegria.
Quando encontrarmos, finalmente, nossa vocação maior de servir, servir por completo, descobriremos um caminho seguro para nossa própria felicidade.
Neste Natal, quando recordamos o nascimento do Mestre entre nós, e refletimos sobre tantas coisas, pensemos sobre isso.
Ele, o maior de todos, Espírito puro, foi capaz de dizer: Estou entre vós como quem serve.
Sim, Ele se comportou como grande servidor. Suas lições, Seus exemplos, Sua doação completa foram Sua forma sublime de nos servir, para que conhecêssemos o amor de uma forma nunca antes ensinada.
O espírito do Natal, então, é o espírito de servir, de dar, de dar-se, e não de receber.
Olhe para os lados e pergunte: De que forma posso servir melhor minha família? De que forma posso servir minha comunidade? Como posso ser um bom servidor de meu país?
Cada um de nós pode servir de muitas formas!
Não é necessário ter posses para servir. Servimos com palavras, com habilidades, com nosso tempo, com nosso sorriso, com nossa amizade.
Façamos algo diferente neste Natal, perguntando: De que forma posso servir? De que forma posso servir melhor?
A vida vai nos responder prontamente, pois o trabalho sempre aparece para aqueles que se predispõem a laborar pelo bem.
Dessa forma, estaremos figurando nas fileiras luminosas daqueles que trabalham pelo bem na Terra, daqueles que, incansáveis, vêm sendo os agentes transformadores do planeta.
Juntemo-nos a esses tantos servidores humildes, anônimos, do bem. Juntemo-nos aos servidores do Cristo, prestando-lhe a mais bela homenagem que se pode prestar em Seu aniversário.
 
Conta-se...
Que nem mesmo o fogo foi o mesmo,
Depois da chegada daquele menino.
 

Redação do Momento Espírita, com versos
do poema
O fogo que aqueceu o menino, de
Andrey Cechelero.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Chaplin e o Sorriso


Charles Chaplin foi o artista do sorriso, da docilidade, dos gestos pequenos e da grandeza de coração. Há um texto, de sua autoria, traduzido para o português que diz mais ou menos assim:
Ei, você, sorria!
Mas não se esconda atrás desse sorriso.
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu. Viva! Tente!
Ame acima de tudo. Ame a tudo e a todos.
Não faça dos defeitos uma distância, e sim uma aproximação.
Aceite a vida, as pessoas. Faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você. Não as reprove.
Ei! Olhe! Olhe à sua volta quantos amigos!
Você já tornou alguém feliz hoje, ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra! Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta. Sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça! Escute o que as outras pessoas têm a dizer. É importante!
Suba! Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo, mas não esqueça daqueles que nunca conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente. Eu também vou tentar.
Ei, você. Não vá embora. Eu preciso lhe dizer que... gosto de você, simplesmente porque você existe!
*   *   *
O poeta dos sorrisos, o criador de Carlitos, das cenas inesquecíveis de Luzes da ribalta, de O garoto, de O grande ditador, acreditava que a Humanidade precisava sentir mais do que pensar.
Dizia ele: Pensamos em demasia, e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
O homem enigmático, talvez um tanto triste, por trás do personagem cômico, brilhou no mundo do cinema, mas também irradiou muita luz para o mundo dos homens.
Coragem! Não se entregue! Sempre há uma esperança. – Disse ele, levando aos solitários, aos sofredores, um pouco de alento, de confiança, de graça na vida, quem sabe.
Chaplin foi o menino pobre que, passando de orfanato em orfanato, não esquecia o seu dom – o de representar, vindo da herança da mãe, a arte da pantomima.
Foi a criança que cedo viu a mãe acolhida pela insanidade mental, certamente fruto das privações em que ela, Hanna Chaplin, e os filhos, viviam.
Foi o homem que fez o cinema de uma época, o cinema de um século rir das trapalhadas de um certo Carlitos, e com isso trouxe alegria ao mundo.
Ouçamos seus conselhos e jamais deixemos de sorrir, de ter esperança nas pessoas, e em nós mesmos.
Ei, você, sorria! Mas não se esconda atrás desse sorriso.
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu. Viva! Tente!
Ame acima de tudo. Ame a tudo e a todos.

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Uma Realeza Terrestre


Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: "O meu reino não é deste mundo"? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o nenhum valor dos reinos da Terra, se eu o não compreendia? Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar mais terrível a lição, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se requestam na Terra!
Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes.
Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer pira chegar ao céu, de onde os degraus de um trono a ninguém aproximam. A ele só conduzem as veredas mais penosas da vida. Procurai-lhe, pois, o caminho, através das urzes e dos espinhos, não por entre as flores.
Correm os homens por alcançar os bens terrestres, como se os houvessem de guardar para sempre. Aqui, porém, todas as ilusões se somem. Cedo se apercebem eles de que apenas apanharam uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem facultar acesso a esta.
Compadecei-vos dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, porquanto a prece aproxima do Altíssimo o homem; é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais. - 

Uma Rainha de França. (Havre, 1863.)

Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 2. Item 8. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Educando Crianças


Como sementes prontas a germinar e ganhar as alturas, assim são nossas crianças quando vêm ao mundo.
Ao lançar os primeiros ramos, arrebentando a terra, toda planta necessita de cuidados especiais.
A fragilidade, a sua pouca resistência, as raízes ainda tênues exigem zelo e atenção.
O terreno fértil, a terra cuidada, a generosidade da água e do adubo favorecem o crescimento rápido e o desenvolvimento adequado.
Assim se dá com nossas crianças. Ao retornarmos ao mundo físico, pela oportunidade da reencarnação, todos enfrentamos o necessário período da infância.
A delicadeza que só a infância oferece, é recurso que a Providência Divina usa para que possamos aprender a amar, quase que em um instante, aquele ser frágil.
E assim, vinculados pelos poderosos laços do amor, possamos encontrar combustível e forças necessárias para a desafiadora tarefa da educação.
As crianças que a bondade celeste nos encarrega de conduzir em seus primeiros passos, são convites da vida para compartilharmos com Deus a tarefa de educar seus filhos.
Compromisso de imensa envergadura é, sem dúvida, das mais nobres missões que podemos assumir.
Porém, como toda missão, requer cuidados e dedicação.
Será na infância que teremos os melhores ensejos de realizar a boa semeadura nos Espíritos que retornam à vida.
Ainda esquecidos do passado e das heranças que trazemos no inconsciente, durante a infância, a educação tem papel de especial relevo.
Assim, será nesse momento que não poderemos esquecer de falar dos valores mais nobres, mas também exemplificá-los à exaustão, para que fiquem impregnados na alma daquele que inicia a vida.
É esse o momento que devemos incutir na alma infantil a nobreza do caráter, falar-lhe dos valores imortais da vida, apresentar-lhe Jesus como Modelo e Guia de conduta.
Durante os primeiros anos, teremos a oportunidade de encontrar terreno fértil para semear nobres ideias e virtudes.
E esses valores, quando bem conduzidos na infância, impregnarão a alma de tal forma, que serão carregados no cofre do coração, ao longo de toda a existência.
Dessa forma, todo aquele que se vê no processo de educar uma criança, não pode abrir mão da oportunidade de oferecer as moedas valiosas e as ferramentas indispensáveis para se formar um homem e uma mulher de bem, no futuro.
Qual zeloso jardineiro, a oferecer os recursos necessários para o desenvolvimento de seu jardim, assim devemos ser todos nós, quando a Providência Divina nos encarrega da educação e formação de Seus filhos.
Educar uma alma, que retorna às lides da vida física, é oportunidade de começar nova história.
Toda criança, embora o corpo frágil e o caráter infantil, é Espírito milenar, que retorna, para novos aprendizados e novas conquistas.
Dessa forma, ensinar mas, acima de tudo, exemplificar os valores e a proposta de vida que Jesus nos oferece, é investimento que renderá dividendos inimagináveis nos cofres do coração de quem retorna à vida física.

Redação do Momento Espírita.